A minha escola tão linda seduz (1961-1965)

azinhaga Valsassina

Viviamos na Rua de Campolide quando saí do Charles Lepierre para comecar no Colégio Valsassina!

Ao pé da nossa casa como não podia deixar de ser havia um café e duas memórias que retenho desse tempo foi ir aparecendo a RTP e ter aparecido o Totobola!

Terei sido inscrito no Valsassina como aluno externo. O meu irmão Pedro terá tambem aí começado a sua vida escolar e para chegarmos ao Colégio que ficava muito longe ( ao pé do aeroporto) passava um autocarro do Colégio a buscar-nos. Fazia a volta à cidade e apanhava meninos em tudo o que é sitio. Quando chegávamos à íngreme Azinhaga das Teresinhas sabíamos que estávamos a chegar.

 Como alunos externos teríamos que levar comida de casa numas marmitas que eram entregues à chegada e aquecidas pelo pessoal do refeitório. No refeitório comia-se o que se trazia mas havia um menino que sempre trazia um prato de esparguete fino que muita inveja e curiosidade culinária me fazia.

 Dos professores lembro-me duma senhora alta e loira e dum senhor alto e careca! A senhora tentou, sem sucesso, ensinar-me a pegar na caneta. Faziamos intermináveis exercicios de caligrafia!  O senhor alto e careca levantava os meninos pelas orelhas. Não escapei a esse tratamento mas até hoje só me lembro que foi muito desagradável, mas não do motivo que o teria provocado.

As lições favoritas eram as de canto coral. Cantávamos ao lado do órgão do maestro Cruz Brás e assim aprendemos o Hino da Escola e o Hino Nacional.

A minha escola tão linda seduz….

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A Praia das Maçãs

praia macas aéreo

Teria uns 8 anos quando me mandaram para a colónia de férias do Colégio Valsassina. Era um casarão a uns quilómetros da Praia das Maçãs. O casal de Santiago, como penso que estava batizado, ficava a uns dez minutos a pé da praia. Para aí íamos e daí vínhamos continuamente, em ordenada fila indiana.

Fui para lá conduzido duas vezes diretamente do colégio, onde estava internado! O chofer era o dono do colégio, o Sr. Heitor que tinha a particularidade de conduzir um automóvel de dois lugares da marca Carmen Ghia. Fazia o sr. Heitor uma espécie de som, entre assobio e cantarolar, pois há que ter em conta que eu não seria grande conversa para ele e ainda não havia aparelhagens de música, para automóveis.

Seguiam-se rituais e rotinas na colónia de férias. De manhã, pequeno almoço,passeio para a praia,volta para almoçar, sesta, lanche, passeio para a praia, volta da praia, jantar e cama. Antes de cada dormida haviam rezas. A senhora encarregada da ordem do nosso dormitório fazia questão destas rezas e foi assim que ainda hoje sei de cor a Ave Maria e o Pai Nosso e mais umas extras!

Fora destes hábitos diários, que nos traziam e levavam, num vaivém mergulhados, naqueles ares saudáveis da serra, havia ainda uns pontos altos que me vêm à memória.

Um era um campeonato de futebol de salão na área da piscina em que os mais novos, como eu, aspiravam a algum dia tambem, jogarem num sitio que até tinha bancadas e logo como consequencia, público.

O outro era o meu sonho mais alto. Ter uma bicicleta. Abria-se a possibilidade, participando no concurso de contruções na areia que se efetuava anualmente por muitas praias em Portugal. Era possivel em teoria e estava à minha mercê, mas na prática… Nunca aconteceu!

Depois de quase 50 anos…O Valsassina!

Muitas vezes são as circunstancias que ditam os acontecimentos. Por exemplo o facto de ter reencontrado um colega de escola no Facebook depois de quase 50 anos, provocou o aparecimento deste tema que vou desenrolar e que será o meu primeiro em lingua portuguesa.

O amigo é mesmo o Jorge Valsassina! Andámos no Colégio que tambem tem o seu nome, o Valsassina! Temos a mesma idade quase nascemos no mesmo dia mas concerteza com percursos diferentes nas nossas vidas. É disso que iremos saber mais, o que nos dará azo a relembrarmos “ A casinha dos pais que não abandonam ao entrar prá vida sem a comoção e a dor da partida”!

Da escola haverá uma ou outra história para contar!

O pai do Jorge era diretor da Telecine, o Galveias Rodrigues! Ele tinha no seu staff publicitário o poeta Alexandre O’Neill. Ora é aí que entro eu.  O Alexandre sugeriu-me como ator infantil de filme publicitários.Estava a empresa sitiada no Palácio de Ludovice na Rua S. Pedro de Alcantara e aí se faziam muitas das filmagens.

A maior produção em que participei foi a dos chocolates Regina, onde uma data de putos, vestidos de piratas andavam em aventura lá para os lados de Sintra e para acabar estava uma mesa posta com tudo o que se fazia em chocolate nos jardins do Principe Real mesmo ali em baixo do miradouro!

Vai daí deu o realizador ordem para se comer alguma coisa para que a mesa não estivesse tão composta. Bom, os miúdos são obedientes e rápidamente fizerem o jeito ao realizador que em poucos minutos concluiu que era preciso ir buscar mais chocolates pois a mesa tinha ficado demasiado decomposta. Tinha de facto sido uma razia fora do vulgar! Uma autentica pirataria!

Era dura a vida de estrela de cinema…mas como pagavam…miradouro-sao-pedro-alcantara