Uma Rija Maria

Já vos tinha prometido um apanhado daquilo que vou sabendo sobre os antecedentes dos meus familiares com base em Salvaterra do Extremo. Hoje toca a vez à minha bisavó Maria Rija da qual nada se sabia até agora, ao menos da nossa parte. O que encontrei além de dar corpo e alma a uma mulher que nasceu na freguesia do Rosmaninhal em 1858 foi que se descobre uma nova pessoa, em vez daquela imagem estereotipica da criada, que teve dois filhos com o proprietário da terra.
Vou, com aquilo que tenho, tentar reconstruir os eventos  ligados à casa da rua de S. João naqueles anos de finans do século XIX. Em 1878 fica João Henriques Pinheiro viuvo com morte de sua mulher Maria da Graca e Moura. Deixa ela em morte 5 filhos- os Moura Pinheiros.
Em 1880 comeca-se a dar conta que Maria Rija que trabalha como criada na residencia da Rua de S.João está grávida. Vai para a Zebreira para ficar com uma tia- Isabel Affonso- e na Zebreira dá à luz o meu avô João.  Nesse batizado não se identificam os progenitores. Um ano depois nasce agora uma filha, já em Salvaterra, e se batiza  tambem com o nome Maria e cuja mãe se sabe agora ser Maria Rija filha legítima do casal do Rosmaninhal José Mendes Affonso e Rita Pomba Rija. A minha bisavó tem agora dois filhos recém-nascidos. Estes sabe-se mais tarde terem o apelido Henriques Pinheiro.

Em 1888, dois anos após o falecimento de João Henriques Pinheiro (1817- 1886), casa-se Maria Rija com José Fernandes Cypriano, alfaiate da terra e com ele tem pelo menos os filhos Isabel(1889), Germana(1890),Bartolomeu (1892) e José(1894). Não sabemos se o meu avô João conhecia estes meio irmãos uma vez que ficou ao cuidado de outro meio irmão o José de Moura Pinheiro. Podemos verificar que Maria Rija sabia escrever e que tinha um estilo forte e seguro quando assina o seu contrato de casamento. A minha curiosidade não termina aqui e continuarei a ver se descubro mais alguns factos sobre a vida e descendência da bisavó Maria do Rosmaninhal, concelho de Idanha-a-Nova. Esta reconstrução está baseada nos indícios daquilo que pude colher nos documentos da igreja e nunca saberemos ao certo e com exatidão o que se passou à volta do nascimento do meu avô João Henriques Pinheiro. Pode ser que alguém ainda possa elucidar. Principalmente gostaria de ver uma foto de Maria Rija.

O meu avô!

Joao Henriques Pinheiro

Vou hoje escrever umas linhas sobre o meu avô paterno João Henriques Pinheiro que nunca conheci já que morreu 6 anos antes do meu nascimento.Quando morreu não tinha netos mas os seus descendentes compreendem hoje 1 filho, 3 netos, 8 bisnetos e 3 trisnetos, até ver…

Nascido em Salvaterra do Extremo, Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco em 24 de junho de 1881 foi batizado uns dias depois pelo vigário Eurico Domingos Caldeira, que assim faz a sua entrada no mundo da cibernáutica. Não participaram no batizado nem pai nem mãe, sendo que aí foi apresentado por Isabel Affonso dessa mesma freguesia. O recém nascido trajava uma touca branca de cambraia, casaco e baeta de mititon, tambem brancos!

Foram padrinhos Marcelino de Figueiredo, lavrador e João Torrado Vidal, ferrador.

Casou-se em 1919 com a minha avó Rogéria (Bua) na Igreja de Santa Engrácia em Lisboa.

Formou-se em advocacia e participou na vida pública e politica tendo sido ministro dos Abastecimentos no curto governo de José Relvas em 1919. Foi governador em Porto Amélia, Niassa, Moçambique entre 1920 e 1923.

Viria a falecer no dia 18 de fevereiro de 1946 no Hospital das Mercês em Lisboa!

Para completar esta curta biografia estão os leitores que tenham mais informações sobre este meu ilustre antepassado convidados a participar!