Mas a minha mãe foi a Évora!

raul

Muitas vezes ouvindo uma canção leva-me directamente para um sitio ou situação e lá fico a magicar com esse momento. Nao sei se acontece aos outros, mas a mim,sim!

É como aquelas associaçãoes Proustianas à vista, aos sons ou ao cheiro, descritas naquela sua obra prima “A la recherche du temps perdu”. Evidentemente que recuando 50 anos na vida essas memórias pertencem ao tempo perdido e que já não volta mais. Pretende-se então reviver ou ao menos recordar os sentimentos que então vivemos e que muitas vezes na carga nostálgica ficam mais importantes do que certamente o eram quando vividos! Como bradava o Toni de Matos “Ó tempo volta pra trás” ou mais recentemente o José Torres quando treinador da seleção nacional de futebol em 1986 no seu “deixem-me sonhar” só serve para dar enfâse ao espirito portugues da nostalgia, da saudade e muitas vezes do que não se pode obter!

Já aqui me referi ao “She Loves you”, dos Beatles, que associo à Praceta do Junqueiro em Carcavelos e à casa do americano Steve.tambêm à Praceta estão ligados os exitos de Roberto Carlos. “O calhambeque” e “ O leão está solto na rua”, para o qual se faziam textos alternativos.  Dois exemplos de muitos que poderia enumerar. Mas hoje estou-me a lembrar, não duma canção, mas sim de dois monólogos do nosso já desaparecido Raúl Solnado!

Quem pertence à minha geração não pode deixar de se recordar o grande sucesso que foi o disco do Solnado em que ele  fazia rir quem escutasse. Os monólogos que datam de 1962 caracterizam-se principalmente por “A guerra de 1908” e a “História da minha vida”. Mais tarde gravou  tambem os monólogos ao telefone que ficaram célebres!

O estilo era de de um humor absolutamente absurdo e pelos vistos não era só eu que achava piada, mas provávelmente só eu, associo esses monólogos, à piscina da Praia da maçãs! Além disso com apenas 10 anos deviam-me passar uma coisas ao lado. Dizia por  exemplo Solnado que quando ele nasceu o pai que trabalhava em Évora, já não vinha a casa há dois anos. Risadas prolongadas que acabaram com o remate que dá o o titulo a este texto.  Onde estavas quando ouviste o Solnado?