O Sporting merece melhor

Ser dirigente é um cargo de responsabilidade e confiança. Ser dirigente significa representar aqueles que elegeram mas tambem aqueles que não acreditavam. Nestes dias faz bem reflectir sobre o significado de ser dirigente. No Sporting Clube de Portugal, clube de que sou sócio à distancia, (pago as quotas mas não posso ver os jogos), existe um clima de extrema frustração que é produto de muitos anos de gestão deficiente que será o motivo principal da falta de titulos conquistados pela equipa de futebol.

Sobre os jogadores e técnicos não podem  caír suspeitas pois são profissionais e fazem o melhor que sabem pois não só servem o clube como tambem tem ambição própria e normal de desenvolver a sua carreira. Depois de uma época das mais bem conseguidas dos ultimos tempos instala-se de novo um clima de frustração e desalento. O culpado principal é o presidente Bruno de Carvalho que por várais vezes e nos momentos mais dificeis fez um triste papel juntando-se aos mais descontentes e alienando-se da sua condição de lider.

Ser presidente é um cargo de confiança. Infelizmente no tempos em que vivemos há um foco muito grande nas pessoas e muito pequeno nos factos e nas ideias. Nestes ambientes surgem aventureiros sem qualidades de direção que promente mundos e fundos. E as massas acreditam. Nada se consegue se não houver um plano a curto e longo prazo e muito trabalho sério. De Bruno de Carvalho transparece populismo e ego. O clube não é ele e já deveria ter-se demitido pois está a arriscar a própria existencia do clube que ele diz ser o amor da sua vida.

Os métodos de Bruno de Carvalho podem ser comparados a lideres populistas com tendencia a serem ditadores. Assim não vamos lá. Um dirigente máximo tem que passar ao lado de dar uma imagem de que somos vitimas e que todos estão contra nós.Não pode passar as culpas quando as coisas correm mal para outros já que o dirigente máximo é tambem o máximo responsável.Não pode encorajar adeptos a fazer justiça aos jogadores. E tudo isto faz o presidente do Sporting.

Aos sócios sportinguistas peço calma e que dentro dos processos democráticos pelo que se deve reger o nosso clube acabem com a presidencia do actual presidente antes que ele acabe com o Sporting.

Legendas de João Manuel Pinheiro

1988

Era sem duvida um factor de grande orgulho ver o nome do meu pai nos ecrãs da RTP. Às vezes perguntavam-me se era o meu pai que fazia as legendas, enfim tinha uma celebridade na familia.Sentia-me alem disso participativo pois passava horas ao lado da moviola de trabalho num estúdio do Lumiar onde se fabricavam as legendas, em métodos, hoje considerados artesanais, mas naquelas épocas analógicas era mesmo high tech.

Mas havia mais, quando era miúdo participou na longa metragem “Canção da Terra”. Era pura e simplesmente o João Manuel. Ainda fomos ver o filme num salão qualquer dum bairro popular de Lisboa e guardo memórias do tal sentimento de orgulho e admiração que todos os filhos aspiram ter em relação aos pais.

Não recebi uma educação liberal, longe disso… Aquela geração dele tinha sida formada por ditaduras e intolerancias e consequentemente havia que tomar partido pois ou se estava com os bons ou com os maus, com os pobres ou com os ricos, com o PC ou com a União Nacional, com o Sporting ou com o Benfica. Foram tambem essas intransigencias que registraram as mais fortes memórias, positivas e negativas e que sem duvida contribuiram de forma inequivoca para a minha formação como homem adulto.

Foi sócio do Sporting mais de 50 anos e ía ver os jogos a Alvalade até poder. O marido duma tia levava-o em pequeno e ficou sportinguista.

A pequena classe média de Lisboa era principalmente intelectual. Frequentou o Colégio Valsassina onde conheceu outros rapazes do mesmo meio. O meu avo tinha sido advogado e politico, logo era homem de letras e humanista. Segundo o meu pai um pragmático como eu.

A irmã mais velha Maria Rogéria tinha emigrado e residia em Paris logo depois da guerra. O tempo que passou com ela lá, foi descrito como dos melhores da vida dele. Jantou com Jean Paul Sartre e conviveu com pessoas interessantes. A ida para Londrés, para tirar um curso de engenharia, foi-lhe imposto e não o entusiasmava. Foi aí no entanto que conheceu a Pam, minha mãe e casaram. Em 1952 nascia eu, o primeiro filho, em Stafford.

Na vida profissional passou por muitos sitios. Relembro minas da Urgeirica, C. Santos, Holliday on Ice, Ponte sobre o Tejo, Sheraton, Projecto Quinta do Lago, Intituto Portugues do Cinema. Deu aulas de ingles, estudou na faculdade como aluno mais velho.

Mas principalmente tinha sede de saber, de aprender.

Os filhos eram a sua paixão e preocupacão. Gostava da ideia de chefe de familia, sendo que não teve na realidade grande familia. Já em Portugal nasceram o Pedro e a Joana. Fez o que pode e o que soube fazer. As incompatibilidades com a minha mãe cedo se mostraram e as separações materializaram-se para desgosto e drama dos filhos e deles próprios.

Finalmente conheceu e casou-se pela segunda vez em 1988 . A Leonor foi a mulher que lhe trouxe felicidade e estabilidade emocional. Foi a companheira que procurou e encontrou. Interesses semelhantes e viagens conjuntas trouxeram imensa felicidade e recordo o reencontrar dos primos espanhóis e as férias em Fuengirola.

João Manuel Henriques Pinheiro faleceu no dia 16 de setembro 2016 com 91 anos.

Estão convidados a partilhar memórias e acrescentar dados aqui neste blogue.

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O 24 de abril de 1974

salazar

O que teria eu feito no dia 24 de abril? A primavera começava a ganhar terreno após um longo e rigoroso inverno. Teria começado os meus estudos na escola municipal para adultos com o intuito de seguir para alguma coisa. Como o meu sueco ainda era um tanto rudimentar, inscrevi-me nos cursos de linguas. Para ter nota em ingles penso que nem precisei de frequentar classes . Fiz logo o exame. Tambem não faltava mais nada… Tinha saudades de Portugal. Já só podia sonhar com o mar e a praia de Carcavelos e toda a nossa costa. A comidinha de que se está sempre a falar. As nossas imperiais. Tinha saudades…Mas ao mesmo tempo já  quase tinha deixado de sonhar.

Dava quase vergonha dizer às pessoas de onde vinha. Então há 48 anos debaixo da mais antiga ditadura da Europa e ninguem se mexe? Já com um filho e a tentar construir uma vida nova pela segunda vez. O meu foco não estava voltado para Portugal. O meu pai lá me enviava uns jornais da Bola para me ir inteirando de como ía o nosso Sporting.

As pessoas em Sundsvall mal sabiam o que era Portugal. Era mesmo quase só o futebol, os vinhos do Porto e as sardinhas em lata que eram a nossa referencia universal. O país estava mergulhado em silencio. O “orgulhosamente sós” de Salazar não nos dava nehum orgulho. Mas que estávamos sós ,estávamos…

O dia 24 de abril não me deixa memória nenhuma. Foi um dia como outro qualquer mas pode muito bem servir para sintetizar como um Estado pode abafar tanta creatividade,tanta força para trabalhar, tanto amor e tanta dedicação daqueles que estavam e dos que já não estavam.

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Travels with Grandpa 2010 (7)

resan 15 Sporting 2 lyon 0

We visited the nearby park, Jardim da Estrela. Then we went off again to Vótetta who showed us, (Jonatan and Grandpa), Paço de Arcos city! Jonatan, who by this time still hasn’t learnt Portuguese, wondered what we were searching for. Then off we went! Sporting’s first home match for the season… The opponents were Lyon with Kim Källström.

A nice experience, with a big crowd and where Sporting presented all their players for the fans. Sporting also won the match 2-0. Kim had to be carried out on a stretcher. Grandpa had to change his place, as a nervous old boy, chain smoked next to him. In Portugal people seem to still think that if the match is played outdoors it should be allowed to smoke. Besides, they believe, that they cannot survive a whole match without a smoke. Well, well… We’ll see… we got out of the stadium rather fast and smoothly even though we reckon there were some 35000 people there.
We children were up late, laughing and talking. For Liv it is her last parent free night, because tomorrow mummy Helena arrives.

Have we remembered to mention Patricia’s fantastic breakfasts, with fresh bread, croissants, juice, coffee, etc.?
resan 16 Stadium of Light
We had been to see Sporting and Jonatan’s interest for Portuguese football only grew more and more. We decided to visit rivals Benfica. We went to their stadium and got a nice guided tour. Besides looking at their 100 most important trophies on show, we all also had a glimpse of the president’s seats, the changing rooms. We sat on the substitutes benches and met their eagle Vitória. This eagle flies before every home match. Jonatan was also impressed when he heard that Grandpa had on several occasions talked to the living legend Eusébio. During this time Liv and Patricia did the Colombo shopping center, right next door. We rushed to the airport by taxi and managed to arrive on time to welcome Helena. We ate dinner near Rato and were ready sometime between 11 and 12, Swedish time.

Quiz só para Sportinguistas autenticos!

autografos sporting

Amanhã é dia 1 de abril. Além de ser dia das mentiras tambem joga o SCP contra o outro Sporting- O de Braga! Vão aparecer centenas de comentários na página do Facebook durante a partida! Se as coisas correrem bem somos os melhores do mundo e o novo presidente Bruno de Carvalho já está a dar cartas. Se as coisas correrem mal para o Sporting de Lisboa os jogadores são uns abéculas e o treinador assim como o presidente deve ir prá rua!

A paixão clubista no nosso país é sobejamente conhecida! Quando o Sporting aparece em 10º  lugar da classificação depois de 23 jornadas e ainda por cima com o país de rastos não admira que os niveis de frustração andem no máximo.

Quero contribuir com este entretimento que consiste em vos apresentar aqui os autógrafos colhidos por mim no Hotel Praia Mar que fica em Carcavelos logo ali ao lado da Praceta do Junqueiro. Quem consegue distinguir os nomes?

Nessa época de 1966/67 o Sporting com esta equipa  acabou em 4º  lugar mas começou o campeonato bem mal e acabou por ser despedido o treinador Fernando Argila, que seria substituido mais tarde por Armando Ferreira.  O jogo lá em Braga não nos correu muito bem e os arsenalistas deram-nos 3-1. O golo do Sporting foi do João Morais , mas se foi de canto direto não sei…Vamos ver se o Jesualdo consegue melhor!

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O meu querido Sporting

sócio sportingComecei muito cedo a ir ao Estádio Alvalade. Talvez lá para 1960. Ía com o meu pai que era sócio e ficávamos quase sempre num lugar cativo que ele tinha na bancada central. Do lado oposto era o peão. Gradulamente fui passando a minha atenção de andar a apanhar caricas, para ver o que se passava dentro do campo! Às vezes ao intervalo mudávamos de lugar para acompanhar melhor o ataque do Sporting.

O momento alto dos jogos era a entrada dos jogadores em campo. Naquela altura os jogadores não faziam aquecimento dentro do campo. Primeiro entrava a equipa visitante, quase sempre acompanhada duma série de assobios. E ficava-se à espera do nosso querido Sporting. Levantava-se um burburinho quando se topavam as cabeças dos jogadores à entrada do túnel que tinha umas escadas que conduziam ao campo e que os jogadores tinham que subir.

De repente entravam, sempre a correr e em fila indiana. Era uma emoção fora do vulgar que se apoderava do publico. Se estava cheio o campo ( se a casa estava boa) era um barulho infernal!

Via quase todos os jogos em casa e algumas vezes, Restelo, Atlético ou Setúbal, íamos fora.

Adoro o meu clube mas não menosprezo os outros. O clubismo em Portugal desviava e desvia ainda a atenção às questões politicas e sociais. Prefiro recordar-me com nostalgia a Maria José Valério a inspirar-nos com a sua “Rapaziada ouçam bem o que lhes digo e gritem todos comigo- Viva o Sporting!”