O desafio

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Fomos dos primeiros a entrar no estádio Friends de Solna. Estádio bonito, arena nacional do futebol sueco que se pode fechar quando neva ou chove. Não foi necessário pois a temperatura até estava amena. Gosto de ir cedo para as bancadas. Faz parte de uma espécie de ritual onde me entretenho a respirar o ambiente. O guarda redes da seleção, Rui Patricio foi dos primeiros a entrar para o aquecimento. Tentou orientar-se onde estava a claque de Portugal e acenou quando nos descubriu. Tambem faz parte…

Foram chegando mais e mais apoiantes. A bancada reservada aos portugueses estava quase ao canto da linha de fundo. Os bilhetes custaram cerca de € 40. Não eram os melhores lugares mas os mais alegres e otimistas. Grande parte da nossa bancada estava composta por emigrantes de primeira e segunda geração. Ao nosso lado por exemplo estavam uns jovens que tinham vindo de França e até falavam mais francês que português.

Na primeira parte Portugal atacou para o nosso lado. Foi uma primeira parte calma. Senti muita segurança. Até parecia que éramos nós que precisávamos de ganhar. Na segunda faz Cristiano um golo quando os suecos vem mais para o ataque. Era o que já se previa. A festa tinha começado. Mas a Suécia marcou um e logo outro. O Zlatan tinha finalmente começado a dar um ar da sua graça. Com 2-1 no marcador calou-se a nossa bancada e os suecos começaram a acreditar.

Felizmente foi sol de puca dura. Ronaldo não é a seleção de Portugal. Mas é um jogador importantissimo. E no dia 19 fez um jogo memorável. Marcou tres, marcou presença, liderou a nossa equipa. Vai ser um grande mundial para Portugal!

Muita gente irrita-se com o Ronaldo. O presidente da FIFA, um tal Blatter,tambem. Mas ele é espontaneo. Entrega-se e quando falha ou não consegue executar ao que se propõe mostra o seu delalento. Para mim é uma qualidade poder mostrar os seus sentimentos.É um grande jogador de futebol, e fez uma das suas melhores prestações até agora.

Fui um previligiado pois estive lá e por isso valeram a pena os sacrificios que fiz para lá estar.

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Rescaldo do Suécia- Portugal

jogo

Rescaldo é o mesmo que esfriar…Esfriar de emoções e de algum nervosismo que pelo menos eu senti, logo que soube que nos calhava jogar o play-off contra a Suécia. Há que ver que se tratava de uma equipa bem embalada e confiante depois de no seu grupo só ter feito pior que a Alemanha.

O David disse logo -Vamos lá a Estocolmo. E ficou decidido. Havia que comprar os bilhetes para ficar na bancada dos portugueses. Através do site dos emigrantes e sócios do clube Lusitania de Estocolmo ficámos a saber que se compravam os bilhetes pela Internet na página da Federação Portuguesa de Futebol.  Como não tenho a nacionalidade portuguesa ficaram em nome da Patricia. Para levantá-los levámos autorização e documento de identificação dela. Tudo funcionou bem.

Como tinha que trabalhar na terça, só conseguimos ver a alternativa para chegar e voltar no mesmo dia, só indo de carro. É que são sensivelmente 4 horas de viagem que nos separam de Sundsvall. Ainda fui trabalhar de manhã e o David foi à escola. Saímos por volta do meio dia. Como nos disseram que a situação de estacionamento ao pé da Friends Arena é caótica decidimos estacionar em Upplands-Väsby ,nos arredores a norte de Solna e daí apanhámos o comboio.

Quando chegámos à estação de Solna eram umas quatro da tarde. Já havia muita gente, nomeadamente muitos portugueses. Demos logo com a compratiota Luisa Paulo, que se tinha mascarado de Pippi das longas meias portuguesa. A Luisa é uma pessoa que toma muitas iniciativas e organiza actividades para a comunidade Portuguesa de Estocolmo. A Luisa tinha marcado uns 60 lugares para os portugueses que quisessem comer e beber algo antes do jogo. Fomos para lá e pedimos uma Coca-cola.

 Foi o principio da confraternização que aí começava à volta da nossa seleção. Muitas vezes são os imigrantes quem mais se regozija com os nossos sucessos desportivos, remetidos como estão, anos a anos, a uma vida de trabalho longe de familiares e amigos de infancia, nem sempre considerados plenamente pelas pessoas que são. Após cerca de meia hora estalou um alarme, que em bom som, avisaou que havia um incendio no restaurante e que era necessário, urgentemente, evacuar as instalações. E assim fizemos começando a dirigir-nos para a arena nacional de futebol da Suécia.

Começava uma noite inesquecivel.