O triciclo

triciclo

Como aqui fica provado foi o triciclo o meu primeiro meio de comunicação. Esta atividade terá começado na Urgeiriça onde passámos os primeiros anos da minha vida.  

 Não havia nenhuma relação familiar com a Beira Alta mas depois dos estudos de engenharia, em Inglaterra, o meu pai foi trabalhar para as minas da Urgeiriça que eram ricas em úranio. Este mineral passou a ser muito importante depois da guerra mundial e do avanço da tecnologia de fazer bombas atómicas.

 Teria eu uns tres anos quando nos mudámos definitivamente para Lisboa. Nós, erámos eu, o meu irmão Pedro e os meus pais. Teríamos ido para casa da minha avó na Rua Sampaio e Pina mesmo à frente da artilharia 1 e com vista para o Liceu de meninas Maria Amália.

A minha avó já vivia nessa casa há muitos anos. Era um rés do chão enorme com um corredor compridissimo e umas traseiras que davam para um pátio interior que cheirava a galinhas e a hortaliça. A porteira era a Sra Zulmira.

 Mas o que era mesmo bom era ter o Parque Eduardo VII como jardim mais próximo. Ía para lá de triciclo e lá andava de triciclo. O meu irmão andaria de carrinho de puxar. A volta era quase sempre a mesma. Viam-se as galinhas da India e os pavões, depois seguia-se para o lago para ver os patos.

Havia um senhor africano que tomava conta do Parque e lembro-me que eu indagava porque é que lhe faltava uma orelha. Penso que havia uma qualquer explicacão que tinha que ver com ele a ter perdido num elevador. Isto são factos não confirmados. Mas que era agradável ir para o Parque, lá isso era!