Manuel Toscano foi para o Brasil

Penso que estou a ficar especialista nas freguesias do concelho de Idanha-a- Nova, distrito de Castelo Branco. Mais concretamente Monsanto, Rosmaninhal e Salvaterra do Extremo onde vou colecionando um verdadeiro banco genealógico.

A possibildade de a partir de casa de fazer pesquisa através do tombo.pt é o dado mais importante que permite este trabalho. À medida que mais individuos aparecem nas bases de dados tambem novas informações e interesses vão aparecendo. Li recentemente que o interesse por exemplo da medicina, da policia, etc, aumenta para a utilização de bases de dados dos programas de genealogia com por exemplo o Ancestry.

Foi exatamente nesse site do Ancestry que me apareceu esta ficha consular do Brasil autorizando que Manuel de Mendonça Toscano emigrasse para o Brasil em 1952 com trinta anos de idade. Como ele era de Monsanto e com aqueles apelidos que aparecem também nos meus antepassados é lógico perceber que teremos ascendentes comuns. Não sei nada sobre ele. Se ficou no Brasil, o que lá fez, se formou familia?

Penso que alguem dará com este texto do meu blogue brevemente e reconhecerá este familiar. Se assim for pode comunicar por este meio e terei todo gosto em passar as informações de que disponho.

Monsanto à lupa

Procurando factos históricos sobre Monsanto, a aldeia mais portuguesa de Portugal, encontra-se muito pouco na internet. Sabemos que Monsanto foi concelho e pertenceu ao bispado da Guarda. Desde 1856 faz parte do concelho de Idanha-a- Nova. Tenho vindo a pesquisar quem fazia as suas vidas em Monsanto até 1724. E vou continuar já que me faltam bastantes dados.

Domingos Pinheiro ( 1746- ) mudou- se para Salvaterra  do Extremo já casado com Teresa Gonçalves Conde ( 1756- ) tambem  de Monsanto. Aos descendentes deste casal me incluo.

Quem eram estes Pinheiros de Monsanto e quem eram os Gonçalves Conde? O que faziam e de que viviam?  O nome Gonçalves talvez seja o que mais aparece nos assentos da igreja e paróquia de Salvador durante o século XVIII. Como se pode observar pelos dados que publico os ascendentes mais antigos que tenho são da parte de Domingos Pinheiro-Bartolomeu Pinheiro e Maria Gomes, e Domingos Lopes com Maria Gonçalves seus bisavós. Da parte da mulher Teresa temos Fernando de Mendonça com Isabel Gonçalves Roque e Domingos Gonçalves com Isabel Gonçalves. Curiosidades no dados adquiridos foi que uns Mendonças ficaram Condes assim como o apelido Castelhano passa para Cantarinho. Na história de Portugal temos vários períodos de interesse nomeadamente os reinados dos Filipes entre 1580 e 1640.

Os ascendentes de João Henriques Pinheiro

Sendo como sou Henriques Pinheiro foi com alguma excitação e muita curiosidade que pude consultar os livros paroquiais de Salvaterra do Extremo até 1803. Em pouco tempo consegui dados importantes para quem se interesse pela ascendência desta família beirã. Alguns dados interessantes tem que ver certamente com a proveniência agora confirmada que eram originários do concelho de Monsanto antes de virem para Salvaterra. E o porquê dessa emigração? Dei conta que muita gente veio formar família em Salvaterra provenientes de diversas aldeias de Idanha a Nova nesta época da última metade do século XVIII.  Aprendemos então que João Henriques Pinheiro (1817-1886) era filho de Manuel Pires e Maria Pinheiro. Da parte do pai era a proveniência de Aranhas e da aldeia do Bispo de Penamacor e da parte da mãe os Luis Corais de Salvaterra e o João Luís Boezo de Penha Garcia. Da parte paterna o avô Domingos Pinheiro já nascera em Monsanto ( os tais Pinheiros de Monsanto?) assim como a restante ascendência.

Infelizmente falta-nos o acesso aos livros de Salvaterra entre 1804 e 1852 para batismos e 1804 a 1860 para casamentos e óbitos. Nada sei do paradeiro desses documentos que tudo leva a crer existem mas estarão na posse de algum indivíduo que os não quer libertar para grande desgosto de quem se interessa pela genealogia.

 

Os bravos da Monarquia

A Républica implantou-se em Portugal a 5 de outubro de 1910. Facto práticamente inevitável devido ao descontentamento com a situação social e económica com que se debatiam imensas familias portuguesas. O novo regime trouxe algum entusiasmo mas teve que enfrentar bastantes crises politicas com sucessivas mudanças de governo e de politicas. Alguns aspiravam como solução o regresso da monarquia. Penso que os monárquicos confiavam que Sidónio Pais militar com tendencias ditatoriais e forte popularidade entre os católicos pudesse abrir o caminho para o regresso de D. Manuel exilado em Londres. Com o assassinato de Sidónio Pais em dezembro de 1918 mergulha o país numa situação de ainda maior instabilidade e à beira da guerra civil.

É neste cenário que se dá a tentativa de golpe para repor a monarquia em Portugal. Esta ¨Monarquia do Norte¨ com sede na cidade do Porto apenas durou 25 dias a partir do dia 19 de janeiro de 1919. Os monárquicos com o apoio militar de Henrique Paiva Couceiro não conseguiram vingar nas sua tentativa de mudar i sistema e tambem não receberam apoio do rei exilado que não acreditou no sucesso e estratégia desta acção.

Um dos participantes neste golpe foi o meu tio avô Martinho Caldeira Ribeiro. Com 21 anos, na altura, deveria concerteza ter abraçado a causa com paixão mas não sendo certamente figura de relevo em tão tenra idade. Quem no entanto teve um papel mais preponderante foi José Maria Baldaque Guimarães nascido em Cedofeita em 1880 e filho dos padrinhos da minha avó Rogeria Caldeira Ribeiro. Durante a Monarquia do Norte José Maria foi nomeado inspetor. Com o risco de ser condenado a prisão fugiu para o Brasil em 1920.

O jovem Martinho tambem estava em risco de ser preso e tratou de tentar atravessar a fronteira para Espanha. Terá sido o seu cunhado e meu avô republicano, João Henriques Pinheiro, quem terá facilitado a travessia do rio Erges ali em Salvaterra do Extremo para o reino da Espanha onde formou familia e por lá ficou. Assim se conta e explica a existencia dos primos espanhóis de Madrid.

José Maria Baldaque Guimarães

Uma Rija Maria

Já vos tinha prometido um apanhado daquilo que vou sabendo sobre os antecedentes dos meus familiares com base em Salvaterra do Extremo. Hoje toca a vez à minha bisavó Maria Rija da qual nada se sabia até agora, ao menos da nossa parte. O que encontrei além de dar corpo e alma a uma mulher que nasceu na freguesia do Rosmaninhal em 1858 foi que se descobre uma nova pessoa, em vez daquela imagem estereotipica da criada, que teve dois filhos com o proprietário da terra.
Vou, com aquilo que tenho, tentar reconstruir os eventos  ligados à casa da rua de S. João naqueles anos de finans do século XIX. Em 1878 fica João Henriques Pinheiro viuvo com morte de sua mulher Maria da Graca e Moura. Deixa ela em morte 5 filhos- os Moura Pinheiros.
Em 1880 comeca-se a dar conta que Maria Rija que trabalha como criada na residencia da Rua de S.João está grávida. Vai para a Zebreira para ficar com uma tia- Isabel Affonso- e na Zebreira dá à luz o meu avô João.  Nesse batizado não se identificam os progenitores. Um ano depois nasce agora uma filha, já em Salvaterra, e se batiza  tambem com o nome Maria e cuja mãe se sabe agora ser Maria Rija filha legítima do casal do Rosmaninhal José Mendes Affonso e Rita Pomba Rija. A minha bisavó tem agora dois filhos recém-nascidos. Estes sabe-se mais tarde terem o apelido Henriques Pinheiro.

Em 1888, dois anos após o falecimento de João Henriques Pinheiro (1817- 1886), casa-se Maria Rija com José Fernandes Cypriano, alfaiate da terra e com ele tem pelo menos os filhos Isabel(1889), Germana(1890),Bartolomeu (1892) e José(1894). Não sabemos se o meu avô João conhecia estes meio irmãos uma vez que ficou ao cuidado de outro meio irmão o José de Moura Pinheiro. Podemos verificar que Maria Rija sabia escrever e que tinha um estilo forte e seguro quando assina o seu contrato de casamento. A minha curiosidade não termina aqui e continuarei a ver se descubro mais alguns factos sobre a vida e descendência da bisavó Maria do Rosmaninhal, concelho de Idanha-a-Nova. Esta reconstrução está baseada nos indícios daquilo que pude colher nos documentos da igreja e nunca saberemos ao certo e com exatidão o que se passou à volta do nascimento do meu avô João Henriques Pinheiro. Pode ser que alguém ainda possa elucidar. Principalmente gostaria de ver uma foto de Maria Rija.

Quem era João Henriques Pinheiro?

Em julho tive oportunidade de rever a vila de Salvaterra do Extremo no concelho de Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco. Já terão passado uns 20 anos desde a ultima visita e espero poder voltar pois o tempo que lá passei não chegou para saciar a curiosidade desta terra dos meus antepassados portugueses. Foi sem duvida a criação deste grupo de descendentes e o trabalho de pesquisa de Victor Martins Coimbra que uniu as pessoas e aumentou o interesse sobre as vidas destes nossos antepassados. Há 20 anos foi o tema principal ver a campa de João Henriques Pinheiro (1817-1886). Esta apareceu dentro do espaço do que foi a antiquissima capela de S. Pedro e da qual já só restam os muros exteriores. Quem era afinal João Henriques Pinheiro? Proprietário de terras era certamente uma das figuras principais de Salvaterra já que exerceu cargos públicos e em 1855 sabemos que era presidente da Camara.

Casou-se com uma senhora do Alentejo de nome Maria da Graça e Moura (1814-1878) e com ela teve 9 filhos com apelido Moura Pinheiro, a saber: José, João, Leonor, Adelaide da Graça, Maria da Graça, Joaquim, António, Emilia da Graça e Adelaide. Quando faleceu em 1886 só sobreviviam 3 filhos deste casamento José, António e Emilia da Graça todos com descendencia assim como Maria da Graça e Adelaide tiveram descendencia. Esta familia fez a sua vida na residencia da Rua de S. João onde teriam criados e outro pessoal empregado.

Já viuvo terá tido mais dois filhos o João (1881-1946) meu avô e a Maria (1882-1936). Estes filhos tiveram por mãe Maria Rija que seria empregada da familia e sobre a qual escreverei mais detalhadamente num próximo texto. O que se sabe é que estes dois filhos de pai incógnito à nascença, uns anos depois- 1899- apareceriam como padrinhos num batizado com o apelido Henriques Pinheiro. Curiosamente sou o único e último João Henriques Pinheiro em vida, nesta saga, que este ano completa 200 anos.

Annus horribilis

Terá sido um ano horrível aquele de 1879 na vida da família Pinheiro de Carvalho da Rua da Corredoura em Salvaterra do Extremo. João Henriques de Carvalho tinha vindo lá dos lados da Régua como comerciante conheceu Maria da Graça e teria pedido a sua mão ao pai, meu bisavô João Henriques Pinheiro (1817-1886). Casaram em 29 de Maio de 1865. Em 1879 já tinham nascido 9 filhos. Os dois últimos eram gémeos António e Felizarda, a filha mais velha era a Emilia Albertina que já tinha catorze anos. Morreram os três nesse nefasto ano de 1879 e como se não bastasse também terá padecido Maria da Graça que entretanto não encontrei nos livros de óbitos da paróquia de Nossa Senhora da Conceição.

João Henriques de Carvalho continua a sua vida até ao seu próprio falecimento em 1901. Penso que terá ficado na história da aldeia e penso até que foi benemérito tendo contribuído para a construção do novo cemitério. Foi afinal a morte um facto que viveu com a família de Salvaterra, não diferente de muitas outras nessas épocas. Dos nove filhos a quem deu à luz Maria da Graça sobreviveram duas filhas, a Hermínia e a Adriana. Está última foi mãe do actor Raúl de Carvalho que dá nome à avenida pela qual se entra na aldeia e cuja casa está agora na posse da família tendo como residente a Fafá Coimbra.