A matemática descoberta.

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A matemática sempre foi um problema para mim. Não percebia grande coisa e essa disciplina perseguiu-me e apoquentou-me durante quase toda a minha vida escolar. Quando entrei para o Liceu de Oeiras era para iniciar o 2º ciclo do Liceu ou seja o 3º ano. Claro que as coisas não estavam a correr bem e ainda por cima havia mais umas matérias com muita matemáica: A fisica e a quimica.

Na Praceta alguem ouviu falar num explicador que punha todos aos alunos a perceber daquilo e a conseguir bons resultados. A minha mãe lá me meteu nas explicações do Professor Evaristo de Sousa. Tinha este senhor uma particularidade única. Era cego! Tinha uns óculos grossíssimos mas segundo todas as informações ao nosso dispor não via mesmo nada! Para ver algo precisava de por o objecto quase junto aos óculos.

O Liceu era da parte da tarde e nós, os rapazes, frequentávamos de segunda a sábado inclusive. As raparigas andavam da parte da manhã.

Ora eu chegava e sentava-me na cozinha dele onde ele aparecia, às vezes diretamente da cama. Fumava quase continuamente uns cigarros pretos e tomava o seu café.

Como ele não via eu tinha que ir dizendo em voz alta tudo o que fazia. Era assim que ele me orientava e como tinhamos começado com a álgebra eu podia decorar as regras e assim conseguir resolver as equações.

Só posso dizer que graças a essas explicações tive na primeira prova uma nota altíssima e que alguns meses antes consideraria impossivel; um 15. O professor de matemática do Liceu tambem tinha ficado admiradissimo. Foi esta a minha maior alegria escolar!

Não sei se a Pauluxa que algumas vezes tambem recebia explicações comigo teve a mesma experiencia mas ela falará por si própria!