O Ventura é mentiroso

Assisti ontem ao debate televisivo entre o candidato de extrema-direita André Ventura e a candidata Ana Gomes.
A certa altura diz o presidente do Chega que em Portugal 60% sustentam 40% da população. Qual era a intenção desse candidato senão fosse a de confundir os eleitores? Quem engloba esses dois grupos percentuais? Numa população envelhecida como a de Portugal temos uma grande percentagem de pessoas que já não trabalham. Estarão estes no grupo que Ventura acusa de serem parasitas? Ou estará a queixar-se das crianças e dos doentes que não podem contribuir para a economia do país?
Essa relação que menciona o Ventura não é invulgar e é comparável à dos outros países. O que Ventura quer fazer-nos acreditar no seu prisma de populista é que há imensos imigrantes e bandidos que são financiados por quem trabalha . Um velho truque da extrema-direita que só pega a quem não se informar dos factos.
Olhando para a tabela da União Europeia damos conta que Portugal continua a perder população e que essa perda é nociva para a economia já que estamos a perder pessoas em idade ativa. Todos os países da Europa tem um déficit negativo de natalidade mas Portugal (1.3) está com grande problema demográfico já que não está a atrair imigração que chegue e morrem mais pessoas do que nascem. Nessa relação perdemos 6000 pessoas no índice de natalidade contra letalidade o saldo negativo de emigração é de 29000 pessoas.
Fica claro que Portugal está entre os países mais idosos da Europa com média nacional de 47 anos. Também percebemos que a percentagem que não vive em grandes centros urbanos é baixa comparando a outros países.
O meu alerta é para que não se deixem enganar por André Ventura. A meta dele é conquistar o poder levando os partidos de direita de reboque para sustentar quem o financia e para trazer mais desigualdades à sociedade portuguesa. Ficaria feliz se os portugueses conseguissem ser diferentes das populações de outros países europeus e dos Estados Unidos e não caíssem nas malhas do populismo mentiroso.

Chega de Chega

Afinal não somos diferentes dos outros europeus já que tão fácilmente sucumbimos ao populismo de extrema direita que tanto sofrimento e destruição já trouxe ao mundo. Afinal ,tendo milhões de compatriotas, há décadas espalhados por todo mundo não evita que uma porção dos eleitores de Portugal sejam atraídos pela xenofobia e pelo racismo.
Já percebi que em Portugal há saudosistas do Estado Novo. Têm saudades de sermos o país mais pobre e com maior pobreza da Europa incluindo as ditaduras do Leste. Faz-lhes falta uma época em que metade dos nossos cidadãos eram analfabetos. Gostavam quando, durante décadas, os portugueses tinham que emigrar ajudando a fortalecer as economias dos outros países. Tem saudades da censura e da falta de liberdade. Gostavam que voltássemos a ter um império injusto e insustentável.
Pessoalmente fico muito triste que não sejamos melhores.
Na Suécia, país onde passei quase toda minha vida apareceu um partido como o Chega, partido esse jogando na xenofobia com raízes no racismo. Foram crescendo e à medida que o faziam a imprensa fez o seu papel na democracia e investigou muitos desses senhores pois estamos a falar de uma maioria gigantesca de homens. O partido de que falo o Sverigedemokraterna estava a ser apoiado por pessoas com passado no racismo e no nazismo, pessoas com dívidas ao fisco, pessoas com historial de indevidamente terem usufruído de apoios e subsídios aos quais não tinham direito. Espero que em Portugal a imprensa cumpra a sua obrigação democrática de revelar o que estes dirigentes têm na bagagem.
Os partidos populistas de extrema direita alimentam-se do desinteresse e falta de participação das populações. Em Portugal já muitos se desinteressaram a fazer escolhas eleitorais. Dão conta que há corrupção e com razão revoltam-se. A cara do Chega, André Ventura quererá convencer que ele também é contra a corrupção mas na realidade olha para tràs, para a ditadura que tivemos 48 anos em Portugal onde imperava uma corrupção de grandes dimensões mas sem controle democrática e logo desconhecida.
Com exemplo no que assistimos no mundo, mais recentemente com Donald Trump, iremos assistir muito provávelmente ao enfraquecimento da direita democrática dando mais e mais espaço a quem não quer a democracia.
Portugal merece e necessita de outra coisa que não o Chega.

Obrigado imigrante brasileiro

Comi umas coizinhas e tomei uma imperial ontem no Estádio Alvalade antes do jogo da seleção. Como quase invariávelmente acontece quem estava atrás do balcão era brasileiro.

Perguntei se alguma vez algum português lhes tinha agradecido por estarem cá em Portugal, estando como estão, a contribuir para o desenvolvimento económico do país. Riram-se e declararam que nunca tinha acontecido. Agradeci eu, como representante da sociedade envelhecida de Portugal, aquela que mais depende que hajam pessoas em idade ativa a trabalhar.

Na realidade penso que a imigração brasileira deve ser das mais bem sucedidas no mundo. Uma língua em comum e uma cultura muito próxima faz com que os brasileiros se integrem rápidamente e estejam aptos a trabalhar no próprio dia em que desembarcam em Portugal. Vou-me apercebendo que há brasileiros em quase todas as atividades realçando desde já as áreas da restauração e da saúde.

Qualquer país que não atraia imigracão é um país em desvantagem. Também um país que obriga os seus cidadãos a saír dos seus próprios países também está em desvantagem. Portugal tem os dois fenómenos paralelos, agravados com o brain drain a que estamos assistindo.

Ainda sou do tempo em que saíam de Portugal hordes de imigrantes os quais a sociedade portuguesa não tinha preparado nem estava interessada em investir neles. Quem não se recorda que durante muitos anos a maior fonte de riqueza do nosso paupérrimo país eram as receitas do imigrantes? Hoje já ninguem duvida que foram os imigrantes portugueses que contribuiram decidamente para o sucesso económico de muitos países europeus.

Estou-me a recordar conversas que tive com pessoas da classe média brasileira na Suécia na década de 1970.Eram refugiados à ditadura no Brasil. Diziam-me que a ideia que tinham dos portugueses era que vinham ao Brasil e abriam padarias. Na realidade esses portugueses no Brasil contribuiram e muito para o desenvolvimento desse país. Isto durante gerações. Mas os pratos da balança desequilibraram e agora já não são os portugueses a ir para o Brasil mas é o contrário que está a acontecer.

É Portugal um bom país para viver? Penso que o será se tiver uma ambição politica de diminuir os índices de pobreza aqui existentes. Segundo as estatísticas 17% da população de Portugal é considerada pobre. Tem que haver ambição para anualmente ir diminuindo os índices de pobreza. Só se conseguirá a médio ou longo prazo investindo nas áreas da nossa sociedade onde se faz a diferença, um sistema de educação e de educação vocacional, uma politica de apoio às famílias para que as crianças cresçam com esperança de uma vida melhor, uma politica de habitação que melhore as condições atuais. È possivel que Portugal continue a ser um país de eleição para o emigrante e para lá chegar temos que contar com os atuais imigrantes e tudo aquilo que nos prorcionam com o seu trabalho e presença. Bem hajam!

Ciclismo Marginal

Comentava com a minha mulher a beleza da Estrada Marginal, ou da estrada da Linha do Estoril. Sem dúvida que é uma das estradas mais belas de Portugal e até do mundo com vista quase constante para o mar e suas praias. Sendo um troço de transporte principalmente para carros transparece uma ideia que se baseia na existência de outros veículos a circularem nesta bela estrada.

Refiro-me principalmente aos ciclistas de variadas idades e condições físicas . Como não ando na marginal de bicicleta tenho dificuldade em perspetivar o sentimento dos ciclistas mas não tenho dúvidas que estes se expõem a situações de perigo devido às circunstâncias assim como ao comportamento dos diferentes traficantes.

Como automobilista devo dizer que a presença de tanto ciclista na marginal não é segura nem aconselhável. A maior parte dos troços da estrada são de 70 kms/ hora. Não há ciclista que possa andar a essa velocidade, pelo que terão que continuamente ser ultrapassados.Ora isto ocasiona situações acrescidas de risco especialmente levando em conta que muitos ciclistas não se parecem preocupar com as suas próprias limitações e muitos até não cumprem as regras a que se consideram ter direito, passando por exemplo por sinais vermelhos e não contribuindo suficientemente para serem ultrapassados.

O ciclismo é sem dúvida nenhuma uma atividade salutar mas penso que deveriam haver alternativas para a prática deste desporto/recreio que não seja a circulação pela Marginal.

Corrupção em Portugal corrompe a própria democracia

Vou dando conta á medida que a minha estadia em Portugal se vai alargando que os niveis de corrupção aqui são altos e arriscam a esvaziar a confiança nas instituições e naqueles que devem servir os interesses dos cidadãos. É o proprio sistema democrático que fica lesado.

Num livro que acaba de ser publicado da autoria de Paulo de Morais com o titulo“ O pequeno livro negro da corrupção ”, dá-se conta que existem 2 milhões de pobres em Portugal e que o país aparece no 30 lugar na União Europeia quando se refere á transparência democrática .

Para mim é vergonhoso que alguem que tenha aceite um cargo publico, isto é, que se tenha compremetido a ser representante dos cidadãos para levar a cargo uma determinada politica, se aproveite da posição de poder adquirida, para se emprestar a situações de corrupção. Penso que em todos os partidos politicos hajam muitos que não se deixam infuenciar pela corrupção mas que em todos partidos haverá exemplos de pessoas que lidam mal com essas situações e fazem péssimas escolhas.

Depreende-se que esta mentalidade corrupta nunca deixou de existir em Portugal. Estava cá quando saí de Portugal em 1968 e cá está em 2020 e por isso é que somos um país dividido com muita gente na pobreza e uns tantas na grande riqueza. Não quero deixar de dizer que o sistema democático trouxe grandes avanços e que sem a corrupcão ainda teriamos ido mais longe. Mas alerto aos democratas deste país que se não puseram cobro à corrupcão estão a dar força à extrema direita populista, que crescerá à sombra da desconfianca nas instituições vigentes e seus mais importantes representantes.

Esta semana passada aparecem dois casos que vale a pena comentar. O primeiro tem a ver com a posicão do primeiro ministro António Costa ao apoiar uma personagem que está acusada de corrupcão. A leitura que faz qualquer dos mais comuns dos mortais é que o primeiro ministro como pessoa privada ou publica (a mesma coisa), aceita que essa corrupção possa acontecer. Esteve mal António Costa e outros politicos que terão que ter cuidado sobre os sinais que deixam tranparecer.No que diz respeito a António Costa é pena pois penso que o primeiro ministro está a fazer um bom trabalho e que os resultados estão à vista.

O segundo caso é verdadeiramante alarmante pois envolve a própria justiça através das aldrabices em que se envolveu entre outros o juiz desembargador Rui Rangel. Quando a justiça está corrupta Portugal deixa de ser um país sério e aparece com os tiques dos países mais pobres ou em desenvolvimento onde a estrutura democrática é supostamente muito mais débil.

Há muitas reformas para fazer em Portugal para aumentar as possibilidades de todos em construir um futuro melhor. Penso especialmante na área da educação que introduziu, e bem, a escolaridade obrigatória mas que depois carrega duro nos encarregados de educação com propinas, livros , etc. Aqui poderia Portugal aprender algo com a Suécia que não penaliza economicamente as familias para iue haja uma educacão boa para todos. E que o sistema abrange desde a pré escolar até ao secundário. Essa reforma é absolutamemte possivel mas implica que não se escape ao fisco como se faz em Portugal e que os próprios cidadãos aceitem pagar impostos porque sabem que estes beneficiam as familias e o futuro do país.

Com a corrupção que presenciamos Portugal vai ficar mais pobre como sociedade e como país.Se queremos aumentar o número de pessoas ativas com cargos públicos fortalecendo a democracia, se queremos que os números das abstencõs eleitorais diminuam, se queremos uma sociedade mais justa, temos que pôr fim à corrupção e isso começa por cima estabelecendo quanto antes penas adequadas a quem a pratica e apoiando aqueles que vivem as suas vidas publicas servindo os cidadãos em honestidade.

Espectadores fumadores

Portugal é um país fantástico. O que caracteriza o povo portugues são as paixões e os sentimentos tipicos do país. Costuma-se até falar dos tres Fs, Fado, Fátima e Futebol. Estes fervores próprios de uma nação tão antiga como a nossa muitas vezes pecam pela falta de lógica. Vou hoje referir-me ao futebol. Simpatizo e sou sócio do Sporting. Gosto quando venho a Portugal de ir ver jogos ao vivo. Mas é uma experiencia que deixa a desejar. Porquê?

Todas as vezes que vou a um jogo tenho sido sempre incomodado por espectadores fumadores. Há pessoas que são muito nervosas. Fumam cigarros uns atrás dos outros…Há até quem fume charutos. E eu a respirar esses fumos quer queira quer não… Não sou só eu pois já tenho levado menores que são vitimas como eu. Quem está a minha volta recebe também. Em Portugal quem está no seu direito é o fumador! Acabo de verificar que até a autoridade que deveria proteger a nossa saúde a Direção Geral de Saúde (DGS) não acha necessário defender as pessoas contra o fumar passivo. Entende a DGS que uma bancada desportiva está ao ar livre. Pergunto-me a mim próprio porque motivo é que os outros países que conheço proibem fumar nas bancadas dos campos de futebol. Defender o lobby do tabaco não tem lógica nenhuma. Enfim, em frente!

Em Portugal existe um número desusado de comentadores desportivos. Passam horas a debater questões relacionadas com os clubes e zangam-se uns com os outros. Enfim deveria ser interessante se algum desses comentadores especialistas de futebol levantassem o olhar para discutir esse tipo de questão que tem que ver com o espetador a sua comodidade e os seus direitos. Não penso que vá acontecer!

Para mim são os próprios clubes que devem dar o exemplo se se preocuparem com os seus sócios e simpatizantes e quem paga bilhete. Há alguns anos escrevi ao então presidente Bruno de Carvalho a apontar este problema e a sugerir como enfrentá-lo. Claro que não recebi resposta alguma. O que eu recomendaria ao Sporting se não se atreve a estar do lado dos não fumadores e simplesmente proíbir fumar nas bancadas, seria criar bancadas ou parte delas para não fumadores.

Está na hora de haver uma consciencialização geral para proteger a saúde publica. Nestas alturas do novo Corona virus já se fez entender que os clubes não andam felizes com as normas impostas pela DGS mas quem manda nas bancadas quando não há legislacão é quem organiza os espetáculos. Ao atual presidente sr. Frederico Varandas faço o desafio de entrar no seculo XXI e levar a questão à sua direcão para o bem dos sócios e simpatizantes não fumadores. E olhe que são a maioria!

Comparing pandemic strategies


I am now in a position to share some notes on how I see Sweden and Portugal dealing with COVID 19, now considered a pandemic situation worldwide.
Being the two countries very similar it makes it interesting to compare them. What are the similarities? They have approximately the same population of 10 million and an elderly population. Portugal more densely populated than Sweden.
Arriving in Lisbon one immediately notices that here in Portugal people are wearing masks in all public places. This you do not see in Sweden and I have even noticed that when I have worn a mask people have signaled by their behavior that they could suspect that I could be contaminated.
why then this difference in attitude and what might come out of it? Comparing figures today 1st July it seems that Portugal so far has a better record than Sweden. Here are today’s figures.
Portugal : Contaminated 42141, deceased 1576 and on intensiv care 73

Sweden: Contaminated 69692, decease 5370 and on intensive care 136.

The mentality of the citizens in both countries obviously vary considerably. Sweden seems to be aiming at reaching group immunity while In Portugal the main concern seems to be getting as few people infected as possible. In order to achieve this the State through government and president have constantly appealed to responsible behaviour. But the shut down of economy has been quite dramatic and It has obviously caused the economy to suffer more than in Sweden. In Portugal the laws change according to what is considered necessary. People here seem to be used to laws and regulations from above.
in Sweden on the other hand the authorities that work under the State give recommendations to the citizens as to how each and everyone should be responsible to deal socially with the situation. This strategy seems to have hit immigrants i Sweden quite hard. Their situation of relative isolation has proven to have serious consequences for this group. Portugal has also a similar problem having a lower standard of living with many people defenseless in coping with the contamination.
I would not venture today to say what the final outcome will be even if many premature conclusions are being take right, left and center.
What seems to be common to the people in both countries is the psychological toll it is taking where many people live terrified and cannot find balance based on statistics and facts that they should need to interpret better the real situation.

I thought

In S. Sebastian

Before my partial retirement on 1st of January I had the ambition of starting to regularly write on this blog. Well, it didn’t happen. When I tell people that I do not know how I found the time to work it always gets a good laugh, but it has been the truth, honest.

In these six months we have sold our house in Furubergsgatan and bought a flat in Luleåvägen. We went on holiday to Cala Millor- Mallorca and I was also in Makunduchi – Zanzibar in February.

In Cala Millor we were fortunate also to join an international group of other holiday makers whose company we truly enjoyed.

I am writing from the flat in S. Pedro Estoril where we plan to make some improvements. Our trip to Portugal, this time, was made by car. It is a long stretch of 4000 kilometers. We crossed over in Gothenburg and spent a few hours there feeling the pulse of a very pleasant city center. After that we made two more hotel stops and slept two nights in the car.

The first stop was in Cologne with its impressive cathedral. Even there there was a very pleasant atmosphere of eating and drinking. The mind boggles when we think how utterly destroyed this city was left after bombing in the Second World War. Something for present and coming generations to think about as populism and nationalism grow again in our midst.

I put our stop in S. Sebastian at the top of the line. It is indeed a beautiful city with an atmosphere that just makes you feel dizzy which I will admit was helped by the Tapas dinner at the Baztan in the old town. Highly recommended as far as I am concerned.

Yesterday was crowned by meeting my new cousin Pedro Magalhães and his wife Teresa. More about this on coming texts.

Vai-se reeditar o O’Neill?

 

Voltámos a falar este verão eu e a Maria Antónia Oliveira. Fiquei a saber que  vai reeditar a biografia de Alexandre O’Neill. Não deixo de ficar impressionado com o fenónemo que deve atingir a biógrafa. Por esta altura a Maria Antónia já deve saber mais sobre o poeta do que ele próprio já saberia de si próprio.

Voltámos ao tema dos tempos em que viviamos sob o mesmo tecto, eu, a minha mãe e o Alexandre.

Não sei se terei contribuido com mais informações que possam ter alguma utilidade para a reedição da biografia. Mas para me reeditar um pouco serviu bem este encontro. Ao O’Neill devo uma vivencia curta mas desenvolvente de experiencias. Poucos poderão dizer que em tão novos pudessem ter tido essa proximidade de imortais da literatura como o Luis de Sttau Monteiro e do própio Alexandre. Além do sentido de humor e do dominio da lingua portuguesa com trocadilhos bem dirigidos, devo-lhe concerteza ter escutado Yves Montand e a musica poética francesa que tanto apreciava.

Tambem o conhecimento e afinidade com que fiquei daquele espaço restrito que é a freguesia de S. Sebastião da Pedreira e mais própriamente aquelas terriveis e ingremes encostas que ascendem à Escola Politécnica e onde ficava situado o Instituto Britanico que me roubava a mãe e o apendice logo ao lado, que era a a tasca do Sr. Serafim.

Quero desejar à Maria Antónia boa sorte para o novo livro. Com humor e rigor O’Neill deixou-nos mais pobrezinhos, (mais de plástico por ser mais barato). Com o teu trabaho  fizeste reviver o homem e a obra. Um rato e um anjo da guarda para cada um em Portugal. Estamos bem entregues!

O escritório de Salazar

95

Corria o boato em 1968. A informação corria da clandestinidade. Salazar teria caído duma cadeira no seu escritório da casa de verão. Muito mais não se sabia. Era uma notícia que esperançava o fim da ditadura do Estado Novo. Salazar nacionalista tinha a ideologia que estava na moda. Os portugueses tinham interesses comuns e basta. Só que a ideologia acabou na segunda guerra mundial na Alemanha e na Itália com a derrota.

Continuou em Portugal. Com consequências nefastas para o desenvolvimento do país. Sem alternativas democráticas o país estagnou nas guerras coloniais, na emigração, na pobreza e ignorância dos portugueses. Salazar era homem de brandos costumes. Escolheu como casa de verão em 1950 o forte de Santo Antônio da Barra, forte mandado construir no reinado de Filipe I para essencialmente proteger a costa de Lisboa.

Salazar caiu mesmo da cadeira e o que eram os seus aposentos até 1968 estão agora abertos ao público. O mobiliário já lá não está mas uma fotografia mostra como era o seu escritório. A câmara de Cascais tratou por cedência do ministério da Defesa que se recuperasse o forte, e ainda bem. .. Espero que continue a ser possível aos cidadãos de hoje e do futuro o poderem visitar.

Foto de Salazar lendo um jornal que deveria saber estava debaixo das garras da censura.