Vai-se reeditar o O’Neill?

 

Voltámos a falar este verão eu e a Maria Antónia Oliveira. Fiquei a saber que  vai reeditar a biografia de Alexandre O’Neill. Não deixo de ficar impressionado com o fenónemo que deve atingir a biógrafa. Por esta altura a Maria Antónia já deve saber mais sobre o poeta do que ele próprio já saberia de si próprio.

Voltámos ao tema dos tempos em que viviamos sob o mesmo tecto, eu, a minha mãe e o Alexandre.

Não sei se terei contribuido com mais informações que possam ter alguma utilidade para a reedição da biografia. Mas para me reeditar um pouco serviu bem este encontro. Ao O’Neill devo uma vivencia curta mas desenvolvente de experiencias. Poucos poderão dizer que em tão novos pudessem ter tido essa proximidade de imortais da literatura como o Luis de Sttau Monteiro e do própio Alexandre. Além do sentido de humor e do dominio da lingua portuguesa com trocadilhos bem dirigidos, devo-lhe concerteza ter escutado Yves Montand e a musica poética francesa que tanto apreciava.

Tambem o conhecimento e afinidade com que fiquei daquele espaço restrito que é a freguesia de S. Sebastião da Pedreira e mais própriamente aquelas terriveis e ingremes encostas que ascendem à Escola Politécnica e onde ficava situado o Instituto Britanico que me roubava a mãe e o apendice logo ao lado, que era a a tasca do Sr. Serafim.

Quero desejar à Maria Antónia boa sorte para o novo livro. Com humor e rigor O’Neill deixou-nos mais pobrezinhos, (mais de plástico por ser mais barato). Com o teu trabaho  fizeste reviver o homem e a obra. Um rato e um anjo da guarda para cada um em Portugal. Estamos bem entregues!

O escritório de Salazar

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Corria o boato em 1968. A informação corria da clandestinidade. Salazar teria caído duma cadeira no seu escritório da casa de verão. Muito mais não se sabia. Era uma notícia que esperançava o fim da ditadura do Estado Novo. Salazar nacionalista tinha a ideologia que estava na moda. Os portugueses tinham interesses comuns e basta. Só que a ideologia acabou na segunda guerra mundial na Alemanha e na Itália com a derrota.

Continuou em Portugal. Com consequências nefastas para o desenvolvimento do país. Sem alternativas democráticas o país estagnou nas guerras coloniais, na emigração, na pobreza e ignorância dos portugueses. Salazar era homem de brandos costumes. Escolheu como casa de verão em 1950 o forte de Santo Antônio da Barra, forte mandado construir no reinado de Filipe I para essencialmente proteger a costa de Lisboa.

Salazar caiu mesmo da cadeira e o que eram os seus aposentos até 1968 estão agora abertos ao público. O mobiliário já lá não está mas uma fotografia mostra como era o seu escritório. A câmara de Cascais tratou por cedência do ministério da Defesa que se recuperasse o forte, e ainda bem. .. Espero que continue a ser possível aos cidadãos de hoje e do futuro o poderem visitar.

Foto de Salazar lendo um jornal que deveria saber estava debaixo das garras da censura.

Memorias do Portugal-Uruguai

Foi a 26 de junho de 1966. A seleção nacional fazia o jogo de despedida antes de viajar para Inglaterra para participar no nosso primeiro mundial. O meu pai arranjou bilhetes e o Estádio Nacional estava cheio. Seria a primeira vez que ao vivo veria a seleção. Tinha 14 anos. Também pela primeira e única vez estava a minha avó Rogéria. Tinha 80 anos. A minha avó lia muito e seguia com interesse o fenómeno Eusébio.

O adversário para este encontro era uma seleção com pergaminhos mas que Portugal nunca tinha defrontado, o Uruguai.

O Torres marcou três golos e o resultado final foi mesmo 3-0. A minha avó achou mal que tivessem convidado cá os Uruguaios para sofrer derrota tão pesada e se não seria simpático deixá-los marcar um golo.

Mais logo é mesmo a sério. Cristiano Ronaldo e equipa terão que encontrar maneira de desfeitear o Uruguai 52 anos depois. Não vai ser fácil.

Tudo vale a pena se a alma não é pequena

As actuais tecnologias oferecem-nos enormes possibilidades de pesquisa e compreensão da história dos países e das pessoas. Escrevo este blogue e introduzi nele a categoria  família, para que futuros e presentes familiares saibam algo daquilo que foram os seus antepassados, como viveram e quais as preocupacões que possam ter tido. Não é minha intenção magoar ou ofender  ninguem. A minha ideia é mesmo a de informar duma forma interessante e abrangente o passado das minha gentes. Há sempre temas onde as ideias se cruzam e onde não há consenso. Penso nas questões de indole politica e religiosa. Muitas vezes,  desnecessariamente,  essas dividem as pessoas.

Isto não é um fenómeno de um país mas de toda a humanidade. Felizmente vivemos hoje na Europa uma situação democrática que permite a livre expressão e onde há liberdade de crenças e de ideias. Tive a sorte de viver esta democracia e aprendi a ter uma posição de consideração e tolerância por quase todas as pessoas mas com o direito de combater aquilo que são ideias e práticas que vão contra o respeito dos direitos humanos que tanto precisamos defender.

O meu pai disse-me pouco antes de morrer que me fazia lembrar o pai dele, o meu avo João Henriques Pinheiro (1880-1946), pelo seu pragmatismo e ideais. Se assim é orgulho-me da observação. Escolhi para titulo deste texto uma frase de Fernando Pessoa, grande poeta português, cujo apelido tem aparecido bastante nas minhas investigações familiares em Castelo Branco. Tudo pode, de facto, valer a pena quando se faz com boas intenções e sem medos ou como ele próprio também escreveu “Tudo é ousado para quem a nada se atreve”. Atrevo-me com as melhores intenções tratar dum tema que alguns preferem não abordar.

Quero aqui fazer o meu testemunho em relação à religião. Defendo as crenças de cada um desde que não tenham por objectivo, como já referi acima, posições ou ideias que contradidigam os direitos humanos. Há muita gente boa que pertencendo a diferentes religiões fazem grandes obras por ideal e dedicam muita energia para o bem dos outros. Pessoalmente acredito que o Estado como expoente da sociedade deve ter esse papel preponderante de apoiar quem precise. Daí as minhas convicções politicas.

Mas voltando ao tema da religião. Aqui na Suécia onde vivo há mais de 40 anos a igreja Luterana teve um poder muito grande sobre todos os individuos e quando achou necessário para proteger o seu poder de monopólio perseguiu outras crenças . O poder económico que detinham transformava-se também em poder politico.

Em Portugal foi a igreja Católica, dirigida por Roma, que o fez. Quando o poder politico do Estado se associou à igreja vitimaram-se e perseguiram-se imensas pessoas. A maior vergonha do mundo Católico penso que terá sido mesmo a Inquisicão e os crimes por essa perpretados. Em Portugal teve consequencias drásticas para a economia e desenvolvimento e talvez tivesse sido a maior contribuição para o atraso em que o país mergulhou quando o mundo rural e a posse de terras era o foco económico do país.

Descobri que uma parte dos meus ascendentes assim como os de Fernando Pessoa fará parte de um grande número de judeus que especialmente depois de serem expulsos de Espanha em 1492 se estabeleceram na Beira Baixa. Estes judeus foram em diversas fases da história de Portugal forçados a abandonar as suas crenças, expulsos, condenados à morte e executados ou fugiram para outras paragens.Muitos foram ficando. Aceitaram com maior ou menor convicção “mudar de crenças”

Numa altura em que os obrigaram a escolher mudaram de apelidos mas continuaram a viver as suas vidas como cristãos em muitos casos paralelamente como é o caso do que se descobriu em Belmonte onde secretamente se seguiam práticas cujos praticantes já nem sabiam da sua origem. Em Portugal ficaram designados como cristãos novos. Os indícios que tenho hoje sobre esses meus antepassados de serem de origem judaica são muito fortes. Os lugares, as profissões e os apelidos, assim como outros aspectos de convivencia que tinham com a igreja são elucidativos das raizes.

Li algures um texto em que um escritor judeu se lamentava do facto de se terem perdido esses judeus em casamentos mistos. Não é o meu ponto de vista. Terei oportunidade mais adiante de lançar alguma luz sobre estes antepassados e sua vidas lá para os lados da Beira Baixa.

 

 

 

Erasmus bringing people together

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Some very good things have been created by the European Union. One of these is the Erasmus programme. This programme aims at providing meetings within education, training, youth and sports. Sundsvall is currently involved in a programme that takes up “Active Citizenship and Environmental Awareness through Formal and Non-formal Education”.

This programme would most probably not be possible without the existence of the European Union. Meetings between students, teachers and school leaders give an invaluable possibility for advance and development of  questions of common and collective interest within education.

Joining Västermalm’s school in Sundsvall on this topic we find the, the International school of Ostrava, Czech Republic, the Cabrini Professional School in Taranto, Italy, the Ausros College in Taurage, Lithuania, the Lanchester school in the UK, the Liceum T. Zana in Wschowa, Poland, the Escola Casquilhos in Barreiro, Portugal and the Ienachita Vacarescu school in Targoviste, Romania .

To all visiting teachers and students I extend a most warm welcome to Sundsvall. The theme for this network is the spreading of good experiences through active citizenship on what can be done to enhance and improve our care and concern for the environment.

Truth is, that the environment belongs to all and affects all. Therefore, what we can do today is of great importance for our lives tomorrow. When heavy rains cause floods in Durham just off Lanchester it is a sign to all of us. When winters get shorter and warmer in Sundsvall we need to ask questions. Wherever we are, the need of awareness is there. Education is central in all our countries for a progressive and efficient improvement of knowledge, and practices concerning environmental issues.

When I think of this evening’s meeting and the people involved I feel optimism and I see possibilities. If we add up the numbers of citizens that live in our 8 communities we come to a number of over 700 thousand people. If all students in our schools would become active in making others aware of the environmental challenges we could reach a larger part of our population. It all adds up.

 

Freddie and I


Well, here I am in Stone Town Zanzibar. This city stands in the center of a long historical trading period with the drama of slavery  included. A certain Dr. Livingstone played an valuable part in abolishing slavery here. I was shown the appalling conditions created to keep men and women as prisoners before being auctioned out.

I am posing in front of the house where Freddie Mercury (Farough Bulsar) opened his eyes for the first time. Freddie’s  father was a British Civil servant who came to the island from India. The Bursars belonged to an ancient minority that left Persia when it became Muslim, keeping their Zoroastrian traditions and religion through centuries during their India exile. Events to overthrow the Sultan from the island in 1964 sent the Bursars to London where they first settled in the Heathrow airport area where Mr. Bursar took up employment.

Queen’s music is the favorite in my home and Freddie Mercury’s voice and creative musical genius has had a strong standing throughout my life.

My mind boggles a little extra,  when I consider that I might very well have crossed a young Freddie in any of the streets around West Kensington where we both lived in the beginning of the seventies.

I wonder if any of those eccentric looking guys standing on underground platforms would not be the upcoming world artist oblivious of a famed future and destiny.

Curiously I do reflect on the fact that the most famous Zanzibari was not a real native the same way as Portugal’s most famous personality in the sixties – soccer player Eusebio- was an African arriving in Lisbon as a teenager to play for Benfica.

Immigration is not something you can ignore. It is instead a goldmine for development of the human race, provided immigrants are given opportunity to develop their skills.

Luanda between wars

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In 1992 the Swedish Social Democratic party was asked to hold, election workshops in Luanda the Angola capital.

After pressure from the international community it was finally established that multi- party and presidential elections would be held to put an end to a war that was just dragging on since independence from Portugal in 1975.

I was assigned to be part of a delegation that also included Julio Flores, the party treasurer Inger Mähler and elections expert Hans-Erik Holmqvist. My knowledge of the Portuguese language was useful, once again, when our party the Swedish Social democrats were asked to assist another member of the Socialist International family.

Our previous work in South Africa with The ANC had echoed in southern Africa and the MPLA were eager to learn what we could share as important issues in order to run a successful campaign. After all we had a long experience of running elections.

Our stay was very short. We arrived on 5th July and left on the 10th. During this time we managed to meet election general Daniel Chipenda at MPLA headquarters, we paid a visit to the Swedish embassy and held workshops on some basic principles of multi-party elections. Throughout the visit we were taken care of, by MPLA historic leader Mr. Lopo do Nascimento.

We stayed at the hotel Trópico in Luanda and it was easy to feel the tension in the city in a period where the war had just taken a break and hopes were high among the population to get a peaceful solution and an end to the conflict.

Election were held in September with a turnout of 92 %. Angolans had voted and they gave the MPLA 54% of the vote for the national assembly while UNITA got 34%. We were to learn that election results were not accepted and that war broke out again as a second civil war lasting until 2002 just after Unita leader Jonas Savimbi’s death.

This long conflict cost the country much suffering as it forced millions to a life as refugees, escaping the countryside and looking for shelter in the cities.

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O desafio

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Fomos dos primeiros a entrar no estádio Friends de Solna. Estádio bonito, arena nacional do futebol sueco que se pode fechar quando neva ou chove. Não foi necessário pois a temperatura até estava amena. Gosto de ir cedo para as bancadas. Faz parte de uma espécie de ritual onde me entretenho a respirar o ambiente. O guarda redes da seleção, Rui Patricio foi dos primeiros a entrar para o aquecimento. Tentou orientar-se onde estava a claque de Portugal e acenou quando nos descubriu. Tambem faz parte…

Foram chegando mais e mais apoiantes. A bancada reservada aos portugueses estava quase ao canto da linha de fundo. Os bilhetes custaram cerca de € 40. Não eram os melhores lugares mas os mais alegres e otimistas. Grande parte da nossa bancada estava composta por emigrantes de primeira e segunda geração. Ao nosso lado por exemplo estavam uns jovens que tinham vindo de França e até falavam mais francês que português.

Na primeira parte Portugal atacou para o nosso lado. Foi uma primeira parte calma. Senti muita segurança. Até parecia que éramos nós que precisávamos de ganhar. Na segunda faz Cristiano um golo quando os suecos vem mais para o ataque. Era o que já se previa. A festa tinha começado. Mas a Suécia marcou um e logo outro. O Zlatan tinha finalmente começado a dar um ar da sua graça. Com 2-1 no marcador calou-se a nossa bancada e os suecos começaram a acreditar.

Felizmente foi sol de puca dura. Ronaldo não é a seleção de Portugal. Mas é um jogador importantissimo. E no dia 19 fez um jogo memorável. Marcou tres, marcou presença, liderou a nossa equipa. Vai ser um grande mundial para Portugal!

Muita gente irrita-se com o Ronaldo. O presidente da FIFA, um tal Blatter,tambem. Mas ele é espontaneo. Entrega-se e quando falha ou não consegue executar ao que se propõe mostra o seu delalento. Para mim é uma qualidade poder mostrar os seus sentimentos.É um grande jogador de futebol, e fez uma das suas melhores prestações até agora.

Fui um previligiado pois estive lá e por isso valeram a pena os sacrificios que fiz para lá estar.

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Montijo e Sundsvall encontram-se brevemente

 

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Já aqui tive ocasião de referir o que foram os meus primeiros contactos com  os partidos Socialistas da Suécia e de Portugal. Logo após o 25 de abril de 1974 decidiu-se que uma germinação entre distritos de cá e lá se efectuaria. O partido Social Democrata da Suécia já era antigo enquanto que o PS de Portugal tinha práticamente acabado de nascer. Calhou-nos o distrito de Setúbal. Calhou-me a mim ajudar nas traduções e fazer de intérprete já que era o unico portugues falante em Sundsvall.

Terá sido em 1976 que recebemos cá a segunda visita. Veio o José Resina Bastos autarca do Montijo. Como tinha sido descrito que Montijo era uma vila com muita criação de suíno, visitámos uma unidade de produção de cá. Tambem visitámos a fábrica de peixe fermentado (surströmming) onde fomos recebidos pelo dono o Sr Oskar Söderström.

Mais tarde fomos excelentemente recebidos pela familia Bastos no seu próprio ambiente. Fomos lá a um sábado ou domingo, mas não me recordo já o ano, e após termos visto alguma coisa das actividades importantes do Montijo como a da cortiça foi-nos oferecido um  excelente almoço em familia.

Como era dia de tourada e o Vice-Presidente da Câmara, o José Bastos, seria o presidente do feito tauromático, fomos convidados para a tribuna de honra. Foi um evento muito caracteristico da região e muito especialmente as provas de valentia dos forcados ficaram-nos bem vincadas na retina.

The National Team (2)

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I decided that I would go to some of the matches in the 2004 European Championship. I bought 3 tickets in advance but did not know which matches I would see. One was for the quarter finals and it would be in Lisbon’s Estádio da Luz. It turned out to be the jewel in the crown for the matches I saw live with the Portuguese selecção. The date was the 24th June 2004 and the opponent was England.

England scored first a in the 3rd minute by Owen. Portugal worked hard for an equalizer that finally came by Postiga in the 83rd minute. The match had to go to extra time. A hard shot by Rui Costa in the 110th minute put Portugal ahead for the first time. It would not last though, as five minutes later and five from finish saw an equalizer by Lampard. After extra time the quarterfinal had to be decided from the penalty spot. My brother Pedro smoked non stop throughout the whole match. Ricardo the goal keeper became the hero for that eventful match. First he saved a penalty and then scored the winner. A night I will never forget!

My latest match with the National Team was in Coimbra on the 15th November 2006. For some reason that I have now forgotten I was in Portugal at this time. I asked my father to get us tickets for the match that was part of the qualification for the 2008 European Championships. The opponents were Kazakhstan and as the match was in Coimbra I had booked a hotel room. My father had not bought the tickets but was confident that there would be plenty – After all who wants to see Borat’s country in a football match? When we arrived in Coimbra it was pouring with rain. Frustration grew as we could not find the hotel. Eventually we got there and I went off to the stadium with the purpose of getting tickets. I was informed at the ticket office that it was sold out. Someone said I could go and speak to some students standing nearby. They asked me if I needed tickets which of course I did. They said that they didn’t sell tickets but if I bought some Portugal scarves they would give away the tickets. Said and done.   What was the alternative? The tickets were good and it allowed us to see Portugal win by 3-0 with goals scored by Simão (2) and Cristiano Ronaldo.

Going to matches with the Portuguese National Team have been events well worth remembering.

ricardo