O senhor da Praceta

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Fui percebendo aos poucos que o João Paulo Henriques era o senhor da Praceta. Nasceu lá, cresceu lá e lá morreu. Vamos ter saudades dele, já as temos…Os meus velhos amigos da Praceta sabem que os deixei muito cedo e só nos ultimos anos recuperei os cantactos e fiquei a saber que já tinhamos perdido alguns como o Luis Lacerda e o Mário Simões. Se alguma coisa aprendi foi que os nossos amigos de infancia não são iguais a nenhuns outros. Tratamo-nos por tu e não nos deixamos influenciar por politica ou religião. Quando nos encontramos agora é para sermos um pouco do que éramos. Irresponsáveis, brincalhões e principamente para nos recordarmos dos tempos da juventude quando tinhamos toda a nossa vida pela frente.

O João Paulo era companheiro do meu irmão Pedro. Andavam juntos na escola os dois mas não era para aí que estavam virados. Preocupávamos-nos certamente com eles lá em casa. Se andavam bem, se não faziam asneiras… Como irmão mais velho do Pedro devo ter tido as mesmas preocupações que a Paulucha tinha com o João Paulo. Quando eram mais pequenos jogavam muito ao berlinde mesmo em frente da nossa casa. Gostavam da praia, da pesca. Reencontrei o João Paulo a trabalhar num bar e penso que tambem trabalhava num banco. Nessa altura nem me apercebi que ainda vivia na Praceta.

Não sou a melhor pessoa para fazer um apanhado da vida do João Paulo. Alguns de voces leitores, poderão dar a vossa contribuição e ajudar-nos a recordar quem fez parte das vossas vidas. Afinal foram mais de 60 anos de convivencia. Aqui não há que sair longe da Praceta, de Carcavelos, da bela linha do Estoril. Foi aí que o João Paulo viveu e onde continuará a fazer parte da nossa memória.

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Jantar de Praceteiros

CIMG0120 (2)Teve lugar no passado dia três de agosto um jantar de confraternização com a presença de doze Praceteiros e afins, da década de sessenta!

A abrir o evento, surge a futura presidente da Junta de freguesia de S. Domingos de Rana, Sra. Maria Fernanda Gonçalves, em plena campanha para as autárquicas de Setembro. Aproveita para dar as boas vindas!

-Na Suécia onde resido desde 1973, costuma-se dizer, à laia de brincadeira que quando três suecos se juntam, escolhe-se logo um presidente, um secretário e um tesoureiro. Ficou por fazer! Declara João Pinheiro ( Staffordiano), iniciador deste evento.

O jantar efectuou-se no restaurante Melita em Rana e foi excelentemente organizado por Ana Barreto ( Pauluxa).

Os convivas trataram de diversas questöes,do foro das memórias do tempo de adolescencia, que passaram juntos na Praceta do Junqueiro, em Carcavelos. Além dos já referidos tomaram parte: José Manuel do Carmo e esposa Consuelo, que fizeram questão de vir expressamente do Algarve, Marina do Carmo, Pedro Lacerda e Cristina Santos, Betty Casqueiro, de Washington D.C., as irmãs Maria de Lourdes e Teresa Matos além de João Gouveia (Johhny) e do Pedro Pinheiro.

Segundo pudemos apurar, ficou decidido, que o próximo evento anual, será a 4 de agosto de 2014.

– A ideia até lá é fazermos outros eventos, para juntarmos mais pessoas, para o próximo ano- diz-nos João Gouveia!

O espirito da Praceta ficou bem demonstrado, neste evento, em que tambem sobresaíu a  boa comida e alguma sangria, que ajudaram à excelente boa disposição em que todos se encontravam, lá pela meia noite, quando os proprietários do restaurante simpáticamente convidaram os barulhentos Praceteiros a ir para casa!

O espirito da Praceta

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Deu para recordar e reviver, deu sim senhor! Juntaram-se algumas personalidades da história da Praceta num café logo ali ao lado do Hotel S. Julião! As maninhas Teresa e Maria de Lourdes Matos. A Paulucha que deveria ser eleita presidente ou se fosse caso de monarquia  imperatriz da Praceta de Carcavelos.

Apareceu o João Paulo que se lembrava que os americanos do prédio ao lado eram tão altos, que para não descer as escadas, desciam à rua pelas varandas! Foram momentos bem passados. De muito se falou mas faltou de muito ainda falar. A grande força dos memórias é que sendo individuais, não nos recordamos todos das mesmas coisas.Um pormenor de que certamente tanto eu como o João Paulo nos recordamos era a assobiadela que se utilizava para convidar a saír de casa e ir brincar, jogar á bola, ir prá praia, etc. Não se utilizavam as campaínhas, a não ser para chatear as pessoas! Fii,fii,fii…fii,fii,fuu!

Depois houve uma altura que está relacionada com a casa dos Henriques que tem que ver com o espiritismo. Acho que andávamos curiosos em experimentar. Era só preciso arranjar a tal mesa com pé de galo. Lembro-me de ver lá umas revistas com artigos impressionantes sobre o ectoplasma e a qualidade de algumas médiuns ativas no Brasil!

Fizemos o passeio para o nosso encontro, recordando o caminho que fazia todos os dias escolares de segunda a sábado para apanhar o comboio até à próxima paragem de Oeiras e das aulas no liceu que me esperavam! A viela que escolhia era invariávelmente a da foto pois ia diretamente da Praceta à longa avenida que dava para a estação. Viva a Praceta!

Quem nos formou?

Dionne

A vida na Praceta ou em qualquer outro lugar não é um mar de rosas para um adolescente!

Eu por exemplo andava às vezes bem infeliz, sempre vestido de preto, com chapéu e tudo, á espera de ser compreendido por alguem. Para quê viver? Nesse taciturno estado de espirito que ás vezes invade a alma do” teenager” há momentos que podem ser cruciais. Uma paixão incompreendida, sei lá…

No verão era tudo mais fácil. Aparecia outra malta. Organizavam-se festas. Será que alguem se lembra duns bailes organizados no terraço de um dos prédios, se não me engano do lado do mar? Era uma oportunidade de agarrar uma miúda e de a apertar um pouquinho ao som da Aretha ou da Dionne. Não sei quem organizava estes bailes mas tenho quase a certeza que haviam crescidos por trás que assim nos ajudavam a dar os primeiros passos para a vida romantica e adulta que se aproximava. Na Praceta nunca tive namorada…

Nessa época penso que havia mais convivio entre gerações. Estou-me a lembrar da acolhedora familia Henriques cuja casa visitei muitas vezes e da simpatia da sra. Paulina e do sr. Américo que me ensinou uns truques de cartas que muitas vezes usei na continuação da minha vida para impressionar novas gerações.Os filhos Henriques são a Paulucha, o João Paulo e a Carla!

Os adultos educavam os jovens e era aceite por todos. Éramos filhos de todos e mesmo quando doía acabava por ter um significado de se aprender quando se fazia algo mal. Uma vez levei uma estalada da mãe do João Raminhos porque tinha estado a gozar( já não sei com quem mais) com uma rapariga que estava atrás do balcão do café Atlantico e que nós concerteza por falta de tacto e piedade tinhamos feito infeliz!  Nunca mais gozei com ela!

Após mais de 40 anos…O Raminhos!

PiccadillyEm continuacão do texto anterior vou expor algumas das memórias relacionadas com a minha vida em Carcavelos, mais própriamente na Praceta do Junqueiro. A Praceta fica no fundo da praia de Carcavelos, para quem vem de Lisboa, mesmo à saída da marginal.

Foi aí que passei tres dos melhores anos da minha vida. Na Praceta havia muitos jovens de diferentes idades e nunca era dificil estar num convivio com eles. Um deles era meu vizinho e amigo o João Raminhos e vejam lá que tambem acabo de o reencontrar por diversos esquemas de internet!. Residente no Luxemburgo já há muitos anos tinha-o perdido de vista algures em Londres naquela que teria sido a sua primeira viagem ao estrangeiro, em 1970.

O João era um aficionado do desporto e não havia nada que ele não captasse de noticias desportivas. O rapaz era uma enciclopédia desportiva. Andava comigo no Liceu de Oeiras e jogava à bola como todos os outros rapazes da Praceta além de andar aos gambuzinos e outras coisas que felizmente já foram arquivadas!

O pai Raminhos era o dono duma papelaria e tambem do Café Atlantico que agora é uma fina marisqueira onde faço questão de ir jantar quando estou em Portugal. Era aí que íamos aos domingos ver os desenhos animados do Bugs Bunny e uns anos mais tarde beber umas imperiais! Aí na esplanada do café passam em revista muitos daqueles personagens que foram tão importantes para mim no periodo da adolescencia. Despedi-me deles abruptamente pois já não fazia tenção de voltar quando no dia 11 de septembro de 1968 saí para Londres munido de passaporte português, duma licença militar e de um bilhete de avião (para estudante que era mais barato).

Recordo-me do Luis Lacerda, do Mário Simões e do Toni Feio que infelizmente já não estão connosco. Das irmãs Mette e Anita Amundsen que não nos passavam cartão. Do João Paulo e da Paulucha! Da Luisa, da Marina, do Johnny e do Zé do Carmo,do João Cardoso filho do Sr. Virgilio, do Zé Borsatti. Enfim deles todos me lembro e de muitos outros que por aí passaram  nesses anos! Deles terei mais histórias para contar! Por agora fico feliz por ter reencontrado o Raminhos!