Homenagem aos professores

 oeiras

O primeiro ciclo do liceu foi práticamente feito no Colégio Valsassina. Já falei de alguns professores dos quais sobressaiem o prof de Canto Coral muito querido velhote de cabelo comprido e bengala que se sentava num pequeno orgão para nos acompanhar nos hinos da escola e no Nacional. Era o maestro Cruz Brás.

 Já recordei tambem o Arq. Bairrada no desenho e trabalhos manuais que gostava de usar palmatória para punir os alunos, segundo ele, mal comportados. Fiquei com a mão a arder algumas vezes, já nem sei porque! Depois havia a professora de frances baixinha que dava com o ponteiro na cabeça e o Nuno Crato que fumava nas aulas. Recordo-me tambem do professor de ginástica, o prof Barros que me chamava pinheirinho da silva! Enfim a minha ideia é que a escola era boa, mas para os alunos terem boa prestação era necessário estarem concentrados no trabalho escolar e este estar adaptado ao nivel de desenvolvimento intelectual dos alunos. O nosso sistema era um de empinar e como se diz na nossa giria bom para marrões. É claro que esses sistema não diz nada sobre as aptidões dos individuos quando entrarem para a vida profissional.

 Andava tudo à volta das notas. O sistema era de 0 a 20, mas para ajudar a perceber melhor os professores podiam designar os resultados por palavras, começando com Muito Bom e seguindo para Bom, Suficiente, Medíocre e Mau.

 A entrada no segundo ciclo que era do terceiro ao quinto ano do liceu coincidiu com a mudança que fiz para a Praceta em Carcavelos e o liceu escolhido foi o de Oeiras.

Foi um tempo escolar mais feliz. Eram mais professores, não eram permitidas punições fisicas e embora as classes fossem grandes os professores eram bons e tinham reputação. Alem disso tinham alcunhas como não podia deixar de ser… Os alunos sabiam porque linhas se escrevia. Quem fosse expulso da classe ou tivesse muitas faltas podia ser  expulso do próprio ensino.

 Para os professores se lembravam dos alunos tinham umas cadernetas verdes onde colavam uma foto dos aluno que alêm do nome tinha o seu número da turma. Era educação industrial sem espaço para grandes aprofundamentos pessoais. Recordo-me no entanto duma professora de Português que convidou um numero de alunos  a sua casa e que nos deu umas explicações gratuitas para nos ajudar a passar os exames.  Bem haja!

 O professor que mais dava nas vistas era o professor de Ciencias naturais conhecido (entre nós) como Pato Marreco. Esse professor jogava ao ataque e muitos alunos sentiram na pele o seu humor irónico. Gozava e fazia rir mas penso que ninguem ficou deprimido por causa do Pato Marreco.

Quem às vezes pagava as favas de tanto bom comportamento na classe, era o pobre continuo, com quem alguns gozavam pois não dava notas. Era o Monas!

O internato (2)

Pedro Nunes

Uma grande preocupação que me apoquentava quando estava internado era não saber nada dos nossos pais. Às vezes passavam-se o que me parecia períodos muito longos em que não apareciam. Quando há separações nas famillas e há menores implicados são quase sempre estes as maiores vitimas! Isto a propósita de ter aparecido no Valsassina na condição de aluno interno.

Em relação ao Colégio ele fica situado no topo dum monte. Na sua parte mais velha e passados os portões, encontravam-se os edificios mais antigos. Era uma casa senhorial na chamada Quinta das Teresinhas. No dia 27 de Novembro de 1948, Frederico César de Valsassina compra a Quinta das Teresinhas pela quantia de 1.200 contos.

Quando fiz a primária tinha as aulas num pavilhão que ía dar a uma sala maior em que faziamos a ginástica. Mais para baixo encontrava-se o edificio onde terei feito o primeiro ano do liceu e de onde me lembro do prof. Nuno Crato que tinha  a particularidae de fumar nas classes e o arquitecto Bairrada com as suas réguas de correção de maus comportamentos. Muitoas vezes me aqueceu a mão com a sua Ramona ou a Pantera Negra. A maior parte das vezes sem perceber porquê…Talvez alguem se recorde dos professores de Lingua e História Pátria, Francês e Ciencias Geografico-Naturais?

È bom recordar que os edificios (modernos e antigos) apenas ocupavam uma área restrita da totalidade da quinta que albergava o Colégio. Lá para baixo haviam ribanceiras florestais onde alguns dos rapazes mais velhos construíam esconderijos que eram como “cavernas secretas”. Nós, os mais novos, tinhamos curiosidadae em saber o que por lá se passava.

Uma memória que associo à condição campestre do Colégio era a enorme preponderancia de pirilampos que às vezes apanhávamos e levávamos para as camaratas no intuito de criar alguma excitação na alttura do “recolher obrigatório”.