Dama com belissimo chapéu

A senhora com este belissimo chapéu deverá ser a minha bisavó Amélia Olimpia Adelaide Caldeira. Quanto à identidade da criança, que aparenta ter cerca de um ano poderá ser a minha avó Rogéria mas tambem qualquer dos irmãos.

Para mim a genealogia é um passatempo que me interessa pois permite fazer um pouco papel de detective buscando dados desconhecidos. Já dei conta que muita gente não se interessa muito por o que já passou mas eu lá vou continuando a investigar e tambem a publicar estas curiosidades para que não se percam, caso alguma pessoa das gerações vindouras tenha o mesmo interesse que eu.

No trabalho da pesquisa familiar quando já não há familiares vivos para entrevistar resta-nos os documentos que se possam consultar mas tambem por exemplo a fotografia.

A fotografia que publico foi encomendada e executada por um fotógrafo de nome Carlos Evaristo Junior que teve a sua actividade em Espinho nos fins do século XIX e pricipios do século XX ( Uma fonte).

Segundo um dado que li só em 1901 abre este  Evaristo a sua empresa ( outra fonte). Se assim for a criança na foto só poderá ser o Martinho.

As irmãs Stella e Rogéria foram ambas batizadas em Espinho na igreja de S. Martinho de Anta em 1887. Os assentos dos batizados dos outros irmãos não os encontrei ainda, exceto o Emidio que foi batizado em Castelo Branco.

O que levou os Caldeira Ribeiro a Espinho não sabemos ao certo mas estará provávelmente relacionada com a carreira de José Clemente Ribeiro ao serviço da  Companhia Real de Caminhos de Ferro Portugueses que em 1874 inaugurou estação em Espinho.

Esta vila junto ao mar era muito procurada na época pela sociedade veraneante que vinha tomar banhos de mar e jogar nos casinos ( probido por lei).

Os bravos da Monarquia

A Républica implantou-se em Portugal a 5 de outubro de 1910. Facto práticamente inevitável devido ao descontentamento com a situação social e económica com que se debatiam imensas familias portuguesas. O novo regime trouxe algum entusiasmo mas teve que enfrentar bastantes crises politicas com sucessivas mudanças de governo e de politicas. Alguns aspiravam como solução o regresso da monarquia. Penso que os monárquicos confiavam que Sidónio Pais militar com tendencias ditatoriais e forte popularidade entre os católicos pudesse abrir o caminho para o regresso de D. Manuel exilado em Londres. Com o assassinato de Sidónio Pais em dezembro de 1918 mergulha o país numa situação de ainda maior instabilidade e à beira da guerra civil.

É neste cenário que se dá a tentativa de golpe para repor a monarquia em Portugal. Esta ¨Monarquia do Norte¨ com sede na cidade do Porto apenas durou 25 dias a partir do dia 19 de janeiro de 1919. Os monárquicos com o apoio militar de Henrique Paiva Couceiro não conseguiram vingar nas sua tentativa de mudar i sistema e tambem não receberam apoio do rei exilado que não acreditou no sucesso e estratégia desta acção.

Um dos participantes neste golpe foi o meu tio avô Martinho Caldeira Ribeiro. Com 21 anos, na altura, deveria concerteza ter abraçado a causa com paixão mas não sendo certamente figura de relevo em tão tenra idade. Quem no entanto teve um papel mais preponderante foi José Maria Baldaque Guimarães nascido em Cedofeita em 1880 e filho dos padrinhos da minha avó Rogeria Caldeira Ribeiro. Durante a Monarquia do Norte José Maria foi nomeado inspetor. Com o risco de ser condenado a prisão fugiu para o Brasil em 1920.

O jovem Martinho tambem estava em risco de ser preso e tratou de tentar atravessar a fronteira para Espanha. Terá sido o seu cunhado e meu avô republicano, João Henriques Pinheiro, quem terá facilitado a travessia do rio Erges ali em Salvaterra do Extremo para o reino da Espanha onde formou familia e por lá ficou. Assim se conta e explica a existencia dos primos espanhóis de Madrid.

José Maria Baldaque Guimarães

The bed in Madrid

calle Velazquez

The return train trip towards northern Europe started in Mérida and headed towards Madrid.

The Interrail tickets that Mona had fixed, in that summer of 1972, were bought by someone she knew in Finland. In those days the route between Sundsvall and Waasa in Finland was quite busy. The ferry boat crossed the Bothnia Sea daily and many people just went across for the cheap booze.

As far as Interrail was concerned it worked this way… You could not use the low fees in the country of purchase. Buying the passes in Finland meant that we could travel in Sweden without any extra fees. After completion more precisely after 30 days, the tickets had to be left in in order to receive a refund.

Our goal on this leg was to hit Madrid and meet my father’s cousin Martinho. Martinho was my age had been to Portugal and stayed with us in the Praceta in Carcavelos, just a few years before. I do not recall where we met but he invited us to for dinner which was most appreciated.

We were invited to his flat which was his parent’s home in the heart of Madrid, more precisely at the Calle Velazquez. We stayed there and even though we did not see his mother I do recall sitting at table and being served by a maid at a most ceremonial manner.

Later some of his sisters did turn up but I cannot today recall which ones of the three sisters Fatima, Maria Amélia or Soledad that we met on this occasion. We were invited to stay and curiously Mona considered that the bed she slept on was the most comfortable she had ever experienced. This particular fact was many times mentioned by her and many years after it happened!

The spectators in Mérida

mérida

It was as hot as it generally gets in the town of Mérida that august of 1972. It was on this old capital of the Romans- Lusitania province- that we spent some time and met some of my family having reached the nearest point to the Portuguese border we would get to, on the Interrail stretch.

Mérida is an interesting place: founded in 25 BC by order of Emperor Augustus it preserves to our time the longest remaining bridge from the Roman times, the one over the Guadiana River. Some of its remaining monuments are the amphitheater, triumph arch and theatre.

“In 713 it was conquered by the Muslim army under Musa bin Nusair, and became the capital of the Cora of Mérida; the Arabs re-used most of the old Roman buildings and expanded some, such as the Alcazaba.The city returned to Christian rule in 1230, when it was conquered by Alfonso IX of Léon and subsequently became the seat of the priory of San Marcos de León of the Order of Santiago. A period of recovery started for Mérida after the unification of the crowns of Aragon and Castile (15th century), thanks to the support of Alonso Cardenas, Grand Master of the Order. In 1720 the city became the capital of the Intendencia of Mérida.” Wikipedia.

It was sitting on the seats of the ancient theatre that we chose to immortalize our family gathering in the Spanish Extremadura. My sister Joana, a 14 year old teenager, by brother Pedro 18 and my mother Pamela 43 can be seen in the picture together with me João, at 20.Mona, 20 holding the camera!

Nobody could tell when we would be able to see Portugal and being so near was a special feeling for me at any rate.

From now on our return trip was on and our holiday beginning to end. We got in touch with our Spanish cousin Martinho and it was decided we would pay him a call when we arrived in Madrid!

puente

 

Los Martinhos de España

Martinho

Por alguma coisa me deram o nome de Martinho… nunca tive outra informação que não fosse em honra do tio do meu pai, Martinho Caldeira Ribeiro. Este tio era um homem alto e forte, que cheguei a conhecer em muito pequeno, numa das suas poucas visitas a Lisboa!

O tio Martinho vivia desde a guerra civil de Espanha em Madrid. A sua residencia ficava no centro da capital espanhola mais própriamente na Calle Velazquez.  Teve várias filhas e finalmente um filho o Martinhito.

Este filho que tem sensivelmente a mesma idade que eu é portanto primo direito do meu pai. O Martinho era por conseguinte um nome de que se ouvia falar mas para mim desconhecido,tanto o pai como o filho!

Por falta de dados não posso fazer nenhuma descrição aprofundada sobre o Martinho senior sabendo entretanto que foi monárquico e que defendeu essa causa em Portugal. Como o Martinho filho tinha as suas raízes em Portugal era normal e natural que fizesse uma visita ao país de seu primogénito.

Os primos de Sintra terão tomado iniciativa de o convidar a Portugal e nesse programa planeou-se tambem uma estadia connosco na casa da Praceta em Carcavelos. Era normal até porque aí vivia a tia do Martinho a minha avó Bua. O Martinho não tinha ainda visto o mar e isso era algo que todos antecipavam com alguma excitação, incluido certamente ele próprio!

Lá nos contaram essa primeira experiencia e acabou por vir uns dias para Carcavelos com o Nuno nosso primo de Sintra passar uns dias. Fez-se praia e foi divertido não tendo eu sentido nenhuma dificuldade em entender a lingua castelhana que falava!

Era engraçado ter uma coneção espanhola que com a visita a Portugal do Martinho se materializou penso que no verão de 1967.
A terceira geracão de Martinhos está representada por Martinho Soto que teve a amabilidade de me conceder esta foto em que figuram seu pai e avô.
Martinho2