Marcello visita Londres

caetano

O português ajusta-se bem ao mundo. É flexível e integra-se. Por isso temos portugueses espalhados pelos cantos do mundo. Além do mais gosta do seu país. Vibra com a sua seleção de futebol e com outros feitos desportivos. Orgulha-se da beleza do país e da sua cultura.

Na escola aprendi tudo sobre o heroísmo dos portugueses, país mais antigo da Europa, quase um mundo aparte. Heróis do mar, nobre Povo, aprendi a cantar ao lado do órgão do maestro Cruz no Colégio Valsassina.

Mas nem tudo estava bem. O meu contacto com a imigração dá-se em Londres quando durante alguns meses trabalho para o Banco Português do Atlântico, cujo escritório nas instalações do Banco do Brasil apenas tinha a função de encaminhar as poupanças dos imigrantes para as suas contas em Portugal para onde quase todos ansiavam retornar.

Em 1973, Portugal já levava um período de ditadura de 47 anos. Era o regime autoritário mais antigo da Europa. Era um país que já não nos podia orgulhar mas antes envergonhava. Com os índices de analfabetismo a rondar os 50%, uma pobreza gritante que obrigava centenas de milhares a procurar outros sítios para ganhar a vida, as prisões recheadas de presos políticos e uma guerra absurda para manter um Império Colonial. Éramos o país do pé descalço governado por sujeitos autocratas que queriam manter o país na ignorância e na pobreza porque um certo António Oliveira Salazar achava que a felicidade do povo era viver no campo e ir à missa. Ainda há pessoas que dizem que querem voltar a esses tempos. Não sei em que estarão a pensar…

É nesse ano em 15 de julho que Marcello Caetano faz uma visita oficial à Inglaterra com o intuito de celebrar os 600 anos de aliança Luso- Britânica. É uma visita acompanhada de manifestações e protestos. Não fui lá, nem sabia que tais manifestações se estavam a organizar, mas filmes dessa ocasião mostram Mário Soares entre os manifestantes.

É neste contexto nacional que volto a emigrar no ano de 1973 para a Suécia que tinha sido um país mais pobre que Portugal mas que tinha evoluído para uma das sociedades mais bem organizadas onde os seus cidadãos usufruíam de direitos sociais ímpares no mundo.

caetano1