O escritório de Salazar

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Corria o boato em 1968. A informação corria da clandestinidade. Salazar teria caído duma cadeira no seu escritório da casa de verão. Muito mais não se sabia. Era uma notícia que esperançava o fim da ditadura do Estado Novo. Salazar nacionalista tinha a ideologia que estava na moda. Os portugueses tinham interesses comuns e basta. Só que a ideologia acabou na segunda guerra mundial na Alemanha e na Itália com a derrota.

Continuou em Portugal. Com consequências nefastas para o desenvolvimento do país. Sem alternativas democráticas o país estagnou nas guerras coloniais, na emigração, na pobreza e ignorância dos portugueses. Salazar era homem de brandos costumes. Escolheu como casa de verão em 1950 o forte de Santo Antônio da Barra, forte mandado construir no reinado de Filipe I para essencialmente proteger a costa de Lisboa.

Salazar caiu mesmo da cadeira e o que eram os seus aposentos até 1968 estão agora abertos ao público. O mobiliário já lá não está mas uma fotografia mostra como era o seu escritório. A câmara de Cascais tratou por cedência do ministério da Defesa que se recuperasse o forte, e ainda bem. .. Espero que continue a ser possível aos cidadãos de hoje e do futuro o poderem visitar.

Foto de Salazar lendo um jornal que deveria saber estava debaixo das garras da censura.

O 25 de abril de1974

cravo

Todos guardamos memórias daquelas em que se pergunta: O que estavas a fazer quando aconteceu tal e tal?

Essas memórias costumam ser negativas, associadas a alguma calamidade ou a algum atentado que nos marcou por tambem nos afetar direta ou indiretamente. O primeiro evento de que me recordo foi no dia 22 de novembro de 1963. Tinha 11 anos e vivia na Politécnica em Lisboa. Recordo-me dessa noticia e exactamente onde estava, que era no apartamento na Eng. Miguel Pais. Senti a apreensão e preocupação dos adultos à minha volta.Havia uma insegurança em fazer grandes alaridos pois o assassinato do presidente Kennedy era do foro das politicas.

Do mesmo tipo foi o assassinato a Olof Palme, primeiro ministro em exercicio, no dia 28 de fevereiro de 1986. Vivia já na Suécia e foi um amigo chileno que me acordou ao telefone na manhã seguinte para informar do sucedido. Pensei que fosse uma brincadeira de mau gosto, mas nesse mesmo dia organizaram-se e participámos numa manifestação de solidariedade e pesar no centro de Sundsvall.

No dia 11 de setembro de 2003 estava com a Mona em Oslo para ver a seleção nacional de futebol jogar um amigável com a Noruega. Por telemóvel chegou-nos a noticia que a nossa ministra de Negócios Estrangeiros Anna Lindh havia sido vitimada em atentado com faca numa loja de Estocolmo. Ficámos apreensivos e só no dia seguinte depois de muitas notícias contraditórias ficámos a saber que Anna não tinha podido sobreviver aos ataques  do dia anterior.

A informação que recebi dos ataques ao World Trade Centre de Nova Iorque no dia 11 de setembro de 2001 foram dados numa reunião de pais duma nova classe na escola de Katrinelund onde trabalhava na altura. Recordo-me de ter comentado se não teria sido um filme ou piada de mau gosto o que me estavam a contar.

Estas noticias, todas de cariz negativo e calamitoso só podem ser acompanhadas de uma noticia positiva. Foi de manhã no dia 25 de abril de 1974 que a minha sogra informou que estavam a correr algumas noticias sobre acontecimentos em Lisboa. Terei encolhido os ombros e recordo-me ter pensado que não devia ter sido nada de mais. Mas foi ,e terei ocasião em futuros textos de repartir convosco como os eventos foram seguidos por uma pessoa, das muitas, que não estando lá, muito gostariam de ter estado. Nascia um novo Portugal!

Travels with Grandpa 2010 (5)

resan 10 LIV at the Nepalese restaurant

Grandpa and Patricia went off to the Finanças and returned in triumph with the important papers they needed. We walked towards the center of Lisbon and Grandpa showed us places where he had lived and where our dad John had stayed as a child and had enjoyed.
Grandpa discovered that Mr. Joaquim was still standing behind the counter in the small shop on top of the Monte Olivete Street. We went in to the botanical gardens on the opposite side and looked at butterflies and learned about their lives under the supervision of Grandpa. After that we took a well-deserved rest before continuing to the Baixa where Grandpa and Patricia bought shoes for the visit to Amadora.
In Baixa we ate large sandwiches and carried on, towards the Tejo River.
The river was thick with fish and not even Grandpa could explain what they were doing there. But it was a strange sight on all accounts. The evening was rounded up at the Alameda with a show to commemorate the century of the Republic, with artists from Brazil, Cape Verde and fado singers from Portugal. Last of all appeared the legendary Carlos do Carmo whose career and life had been followed by Grandpa through the years. We did not get to bed until one in the morning!

We are really getting lazy in the mornings now. It is all because of the late nights… Naturally this does not apply to Grandpa, who got up, put on his new suit and was picked up by a car that took him and Patricia to Amadora. There he was received by a whole bunch of politicians wanting to show him the parks of Amadora and at the same time eager to collect information about the Aquapark in Sundsvall! They ate for a long time and received the town’s medals. While they were gone we played cards and solved crosswords (a Liv specialty), it got really late before we caught the bus to Belem! We could then visit Jerónimos, The Culture Centre and the Monument to the sea voyagers as we looked up to see the airplanes landing one after another, on their path, right above our heads. After a long walk we sat down for a meal just beneath the 25th April suspension bridge.
resan 11 Butterflies at the Jardim Botanico.

O ditador visto do andar de cima

autocarro

Fiquei na criação de textos no meu blogue, até ao momento, estacionado nos primeiros 20 anos da minha vida ou seja entre os anos de 1952 e 1972. Tenho tentado captar e descrever memórias que tenham um interesse mais amplo e abrangente do que aquilo que tenha apenas que ver com as minhas mais íntimas e limitadas experiencias!

A internet permite entrar em contacto com muita gente e os média sociais são um importante complemento para intercambio de ideias e informação! No Facebook por exemplo coloco os meus textos em diferentes grupos se houver algo que possa interessar os participantes. Um desses grupos para nostálgicos como eu, é o “Recordar as décadas de 60 / 70”.

Foi aí que alguem colocou a foto que publico aqui que relembra os nossos autocarros da Carris de dois andares à londrina. Eram verdes e se bem que não fossem em grande quantidade faziam parte das características do transito da minha querida Lisboa dessa época!

Foi assim que me recordei de um episódio relacionado com um “Double decker”. Teria saído da Praceta de Carcavelos para apanhar o comboio da Sociedade do Estoril num domingo de 1967! A viagem era quase de certeza para a bola e para o Estádio de Alvalade!

Logo ali nos Restauradores e bem instalado no piso de cima vi aglomerado de gente e policia à saída do que era o SNI instalado no Palácio Foz. O SNI ou Secretariado Nacional de Informação  – era o organismo público responsável pela propaganda políticainformação pública,comunicação socialturismo e ação cultural, durante o regime do Estado Novo em Portugal.

Ora a alta personalidade não era outra senão o ditador de Portugal e chefe vitalicio do governo- O Salazar. Foi a única vez que lhe pus a vista em cima mas observei que não houve dentro do autocarro nenhuma manisfestação de alguma espécie.

Era naquele edificio que funcionava a censura que mantinha os portugueses condicionados e desconhecedores de tudo o que o Estado Novo queria omitir do conhecimento publico ou como o próprio Salazar na inauguração  expressou “Politicamente, só existe aquilo que o público sabe que existe.”

Em 1944 o organismo de censura passa a estar na dependência do Secretariado Nacional de Informação, que, por sua vez, estava sob a alçada do próprio Presidente do Conselho (Salazar).

Munidos com o célebre “lápis azul”, com que se cortava todo texto considerado impróprio, os censores de cada distrito ou cidade, apesar de receberem instruções genéricas quanto aos temas mais sensíveis a censurar, variavam muito no grau de severidade. De facto, verifica-se que houve regiões do país onde estes eram mais permissivos e outras onde eram exageradamente repressivos. Isto devia-se ao facto de constituírem um grupo muito heterogéneo a nível intelectual. Muitos reconheciam rapidamente qualquer texto mais ou menos “perigoso” ou revolucionário, enquanto que outros deixavam facilmente passar conteúdos abertamente subversivos.” Wikipédia

Terá sido o peru?

campolide

Dois acontecimentos involvendo derrame de sangue e drama  afectaram os meus primeiros anos! O primeiro acontecimento foi na casa da Rua de Campolide.   Aconteciam coisas de interesse na cozinha… Já não me recordo o que teria sido nesse dia mas não excluo que tenha sido matança de peru natalicio, que por mais estranho que pareça se fazia ainda nesses finns da década de cinquenta, principios da década de sessenta na própria casa. Penso que se dava um gole de aguardente à ave para ir desta para uma melhor de espirito mais leve!

Não era só “Quem quer figos quem quer almoçar?”, era tambem quem quer peru tem que o matar! A verdade é que me fecharam da cozinha e eu queria entrar. Bati fortemente e em fúria conta a porta envidraçada causando um dos vidros a partir-se e abrir uma profunda ferida no meu braço esquerdo. A cicatriz está lá como uma recordação para a vida!

Fui conduzido a um posto médico de urgencia ali atràs da Av. da Liberdade, a Cruz Verde! Puseram-me uns agravos para juntar a pele e fiquei recomposto!

A outra já aqui a contei. Foi quando me racharam a cabeça quando brincava na Rua A às Amoreiras. Dessa vez tive que ir para o Hospital de S. José onde a memória mais vincada acaba por ser a dos doentes que estariam nas urgencias e que me impressionaram bastante. Quanto ao tratamento dos pontos na cabeça não tenho memória alguma!

É esta básicamente a minha história relativamente aos acidentes violentos que me afectaram quando menino. Felizmente nunca parti nenhum osso!

Caprichos da moda

PORFIR~2

Quem tivesse, como eu, crescido na década de sessenta em Portugal, teria que fazer um grande esforço para acompanhar a revolução da moda desses anos. É que com os Beatles houve grandes convulsões que tinham como objectivo mostrar a irreverencia de quem era jovem. Esta revolta juvenil, viria a culminar nos acontecimentos de Paris em maio de 1968.

Eu, por exemplo, passava horas a tentar seguir o que faziam os meus ídolos, de Liverpool. Não sei até que ponto é que os quatro guedelhudos eram vistos com bons olhos pela ”situação”. De qualquer forma muitos rapazes passaram por maus bocados por deixarem crescer o cabelo. Quem quisesse seguir a moda teria que depender de contrabando ou da única boutique em existência em Lisboa “ Os Por-fi-ri-os”.

Quando fui a Londres consegui o meu designio de adquirir os tais sapatos bicudos com elástico lateral. Muitos amigos de Carcavelos falavam dum sitio (Quinta dos Lombos?) onde se podiam adquirir jeans da marca Levi’s mas eu nunca lá cheguei a ir pois não teria dinheiro que chegasse para tais compras.

Uma imagem bastante marcante na Praceta foi o aparecimento casual de uns alemães com calças boca de sino. Aquilo sim, era elegancia! Até parecia que os rapazes vinham doutro planeta. E tinham perna comprida! Eu pelo menos andava desejoso de poder imitá-los!

Mas a minha grande vitória, recuando um pouco no tempo,  foi quando depois de meses de persuação consegui que a minha mãe cedesse a deixar-me andar de calças compridas em vez dos calções curtos! O resultado foi uma lágrimazinha de tristeza no olho da minha mãe e uma de alegria no meu!