Vida e morte no Rosmaninhal

No dia 16 de outubro de 1796 morre Maria Gonçalves Molineira no Rosmaninhal, de idanha-a -Nova. Dois meses antes tinha sido sepultado o marido, João Tonelho. Faz testamento no qual estipula que 140 missas serão dadas em seu nome. O testamento é longo e detalhado. Passo a a transcrever alguns dados. No próprio dia do falecimento é sua vontade que como esmola aos pobres  se cozam 3 alqueires de pão. Tambem no dia de todos os Santos pão de centeio para ser distribuido assim como na quinta feira de páscoa e nos tres dias seguintes. À tia Maria Ladoeira 1 alqueire de trigo e à sobrinha Teodora 2 alqueires para comprar umas roupinhas, assim como à filha Maria Faustina 2 alqueires de centeio tambem com o mesmo fim. Quanto ao manto de Saragoça vai para a prima Ana Torres. Passa a enumerar diversas roupas tingidas para familiares e para os pobres. Quanto às missas terão destinos diversos. “ 3 missas pelas penitencias bondades mal cumpridas, 3 pelas almas do fogo purgatório, São Camilo, Senhor da Boa Morte, S. Miguel, anjo da guarda e Virgem Santissima uma cada”. Tambem não esquece os santos da igreja e da capela aos quais dedica uma missa. Aos antepassados já falecidos e à sua sogra.

Ao filho deixa res ou besta da sua escolha assim como o cão que lhe der mais jeito. À neta uma colmeia já escolhida. E mais ou menos assim se tresladou a vontade de  Maria Molineira. A neta da sua neta Joana Tonelha será a minha bisavó Maria Rija.

Não teve uma vida longa a Maria Molineira pois faleceu aos 50 anos. Reinava em Portugal Dona Maria I se bem que já era o seu filho o futuro D. João VI quem reinava desde 1792, por doença mental da mãe. Nesse mesmo ano de 1796 a Espanha uniu-se com a França revolucionária, tendo como inimigo principal a Inglaterra que eficientemente fazia um bloqueio maritimo ao comércio naval.

A vida mais ou menos pacata do Rosmaninhal viria certamente a sentir com as invasões francesas dos tempos que se aproximavam.

 

Manuel Toscano foi para o Brasil

Penso que estou a ficar especialista nas freguesias do concelho de Idanha-a- Nova, distrito de Castelo Branco. Mais concretamente Monsanto, Rosmaninhal e Salvaterra do Extremo onde vou colecionando um verdadeiro banco genealógico.

A possibildade de a partir de casa de fazer pesquisa através do tombo.pt é o dado mais importante que permite este trabalho. À medida que mais individuos aparecem nas bases de dados tambem novas informações e interesses vão aparecendo. Li recentemente que o interesse por exemplo da medicina, da policia, etc, aumenta para a utilização de bases de dados dos programas de genealogia com por exemplo o Ancestry.

Foi exatamente nesse site do Ancestry que me apareceu esta ficha consular do Brasil autorizando que Manuel de Mendonça Toscano emigrasse para o Brasil em 1952 com trinta anos de idade. Como ele era de Monsanto e com aqueles apelidos que aparecem também nos meus antepassados é lógico perceber que teremos ascendentes comuns. Não sei nada sobre ele. Se ficou no Brasil, o que lá fez, se formou familia?

Penso que alguem dará com este texto do meu blogue brevemente e reconhecerá este familiar. Se assim for pode comunicar por este meio e terei todo gosto em passar as informações de que disponho.

Quem era João Henriques Pinheiro?

Em julho tive oportunidade de rever a vila de Salvaterra do Extremo no concelho de Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco. Já terão passado uns 20 anos desde a ultima visita e espero poder voltar pois o tempo que lá passei não chegou para saciar a curiosidade desta terra dos meus antepassados portugueses. Foi sem duvida a criação deste grupo de descendentes e o trabalho de pesquisa de Victor Martins Coimbra que uniu as pessoas e aumentou o interesse sobre as vidas destes nossos antepassados. Há 20 anos foi o tema principal ver a campa de João Henriques Pinheiro (1817-1886). Esta apareceu dentro do espaço do que foi a antiquissima capela de S. Pedro e da qual já só restam os muros exteriores. Quem era afinal João Henriques Pinheiro? Proprietário de terras era certamente uma das figuras principais de Salvaterra já que exerceu cargos públicos e em 1855 sabemos que era presidente da Camara.

Casou-se com uma senhora do Alentejo de nome Maria da Graça e Moura (1814-1878) e com ela teve 9 filhos com apelido Moura Pinheiro, a saber: José, João, Leonor, Adelaide da Graça, Maria da Graça, Joaquim, António, Emilia da Graça e Adelaide. Quando faleceu em 1886 só sobreviviam 3 filhos deste casamento José, António e Emilia da Graça todos com descendencia assim como Maria da Graça e Adelaide tiveram descendencia. Esta familia fez a sua vida na residencia da Rua de S. João onde teriam criados e outro pessoal empregado.

Já viuvo terá tido mais dois filhos o João (1881-1946) meu avô e a Maria (1882-1936). Estes filhos tiveram por mãe Maria Rija que seria empregada da familia e sobre a qual escreverei mais detalhadamente num próximo texto. O que se sabe é que estes dois filhos de pai incógnito à nascença, uns anos depois- 1899- apareceriam como padrinhos num batizado com o apelido Henriques Pinheiro. Curiosamente sou o único e último João Henriques Pinheiro em vida, nesta saga, que este ano completa 200 anos.