Espectadores fumadores

Portugal é um país fantástico. O que caracteriza o povo portugues são as paixões e os sentimentos tipicos do país. Costuma-se até falar dos tres Fs, Fado, Fátima e Futebol. Estes fervores próprios de uma nação tão antiga como a nossa muitas vezes pecam pela falta de lógica. Vou hoje referir-me ao futebol. Simpatizo e sou sócio do Sporting. Gosto quando venho a Portugal de ir ver jogos ao vivo. Mas é uma experiencia que deixa a desejar. Porquê?

Todas as vezes que vou a um jogo tenho sido sempre incomodado por espectadores fumadores. Há pessoas que são muito nervosas. Fumam cigarros uns atrás dos outros…Há até quem fume charutos. E eu a respirar esses fumos quer queira quer não… Não sou só eu pois já tenho levado menores que são vitimas como eu. Quem está a minha volta recebe também. Em Portugal quem está no seu direito é o fumador! Acabo de verificar que até a autoridade que deveria proteger a nossa saúde a Direção Geral de Saúde (DGS) não acha necessário defender as pessoas contra o fumar passivo. Entende a DGS que uma bancada desportiva está ao ar livre. Pergunto-me a mim próprio porque motivo é que os outros países que conheço proibem fumar nas bancadas dos campos de futebol. Defender o lobby do tabaco não tem lógica nenhuma. Enfim, em frente!

Em Portugal existe um número desusado de comentadores desportivos. Passam horas a debater questões relacionadas com os clubes e zangam-se uns com os outros. Enfim deveria ser interessante se algum desses comentadores especialistas de futebol levantassem o olhar para discutir esse tipo de questão que tem que ver com o espetador a sua comodidade e os seus direitos. Não penso que vá acontecer!

Para mim são os próprios clubes que devem dar o exemplo se se preocuparem com os seus sócios e simpatizantes e quem paga bilhete. Há alguns anos escrevi ao então presidente Bruno de Carvalho a apontar este problema e a sugerir como enfrentá-lo. Claro que não recebi resposta alguma. O que eu recomendaria ao Sporting se não se atreve a estar do lado dos não fumadores e simplesmente proíbir fumar nas bancadas, seria criar bancadas ou parte delas para não fumadores.

Está na hora de haver uma consciencialização geral para proteger a saúde publica. Nestas alturas do novo Corona virus já se fez entender que os clubes não andam felizes com as normas impostas pela DGS mas quem manda nas bancadas quando não há legislacão é quem organiza os espetáculos. Ao atual presidente sr. Frederico Varandas faço o desafio de entrar no seculo XXI e levar a questão à sua direcão para o bem dos sócios e simpatizantes não fumadores. E olhe que são a maioria!

A caça aos autógrafos

Autógrafos

Depois do célebre Mundial de Inglaterra em 1966 começaram algumas equipas a fazer os seus estágios em Carcavelos. Não sei porque escolheram ir para lá mas tanto ía o Benfica como o Sporting e até uma Seleção Militar para lá foi.

Estava construído o luxuoso hotel Praia- Mar mesmo à frente da Praceta ou seja junto à Marginal mas tambem havia uma estalagem ao pé da estação de comboios da linha do Estoril. A Rota do Sol.

Não havia em Portugal e se calhar ainda acontece ninguem que não ligasse ao futebol… Era um tubo de escape. E se calhar ainda o é… Muitas frustações eram lidadas à volta da bola e se calhar ainda as são… O clubismo era ferrenho e se calhar ainda o é…

Outro ilustre magriço, mas esse residente na Praceta era o Vicente Lucas.

Eu era e claro que ainda sou, do Sporting. Segui com toda a naturalidade o clubismo do meu pai. Tinhamos um ritual de ir aos jogos em que íamos cedo e o meu pai ía para uns estudios mesmo ali ao pé do estádio fazer legendas de filmes.

Esta das legendas era muito importante pois fazia do nosso pai quase uma  figura publica de grande notariedade já que o nome dele aparecia numa quantidade de filmes da Televisão. Muita gente via- Legendas de João Manuel Pinheiro- mas não faziam ideia de quem se tratava enquanto que os filhos estavam bem dentro do assunto e era um grande motivo de orgulho.

Será que alguem consegue decifrar os nomes dos jogadores da equipa do Benfica aqui expostos em forma de autógrafos?

Os alcunhas!

Jaime Graca

Ainda hoje me espanto se alguem do meu tempo na Praceta,  conhece o meu nome. Vou contar.

Já viviam os meus irmãos Pedro e Joana em Carcavelos, mas eu tinha ficado em Lisboa com a minha mãe. Aos fins de semana ía visitá-los e ver como era a vida lá na Praceta embora com alguma desconfiança e desagrado. Estava eu a caminhar debaixo duma arcada quando uns rapazes meteram conversa comigo. Começaram a entrevistar-me- donde era eu, como me chamava, e onde tinha nascido?  Quando lhes disse que tinha nascido na Inglaterra ficaram desconfiados e queriam saber mais. Mas na Inglaterra onde? Disse-lhes como era- em Stafford. Pronto arranjaram-me logo o nome de Staffordiano. E assim ficou para  todos os da Praceta.

Os nossos momentos livres eram passados a jogar à bola. Eu tinha começado cedo. Tinha começado a jogar em Lisboa no velho campo da Aliança que ficava mesmo ao lado da nossa casa. Tambem jogávamos na rua o que era fácil pois era um beco sem saída- a rua A às Amoreiras. Teria uns 7 anos quando descobri o encanto de jogar futebol. Em Carcavelos tinhamos um campo mesmo na subida continuada da Praceta e onde agora se ergue um hotel de várias estrelas.

Como quase todos os miúdos, quem tinha jeito queria era a bola nos pés e a melhor posição é o lugar de médio. Tambem não me recordo quem me deu esse alcunha mas a uma certa altura passei a ser conhecido como o Jaime Graça. Talvez jogasse como ele, mas tinha certamente um penteado e cor de cabelo que fazia pensar nesse grande jogador e que foi figura importante no mundial de 1966. O próprio Eusébio que ia fazer os estagios em Carcavelos achou piada e viu a parecença. Não sei se o Jaime Graça tambem gostou mas, provávelmente, não se importava.

Em Portugal é fácil ter alcunha. Eu na Praceta nunca fui João Pinheiro.