Memorias do Portugal-Uruguai

Foi a 26 de junho de 1966. A seleção nacional fazia o jogo de despedida antes de viajar para Inglaterra para participar no nosso primeiro mundial. O meu pai arranjou bilhetes e o Estádio Nacional estava cheio. Seria a primeira vez que ao vivo veria a seleção. Tinha 14 anos. Também pela primeira e única vez estava a minha avó Rogéria. Tinha 80 anos. A minha avó lia muito e seguia com interesse o fenómeno Eusébio.

O adversário para este encontro era uma seleção com pergaminhos mas que Portugal nunca tinha defrontado, o Uruguai.

O Torres marcou três golos e o resultado final foi mesmo 3-0. A minha avó achou mal que tivessem convidado cá os Uruguaios para sofrer derrota tão pesada e se não seria simpático deixá-los marcar um golo.

Mais logo é mesmo a sério. Cristiano Ronaldo e equipa terão que encontrar maneira de desfeitear o Uruguai 52 anos depois. Não vai ser fácil.

Freddie and I


Well, here I am in Stone Town Zanzibar. This city stands in the center of a long historical trading period with the drama of slavery  included. A certain Dr. Livingstone played an valuable part in abolishing slavery here. I was shown the appalling conditions created to keep men and women as prisoners before being auctioned out.

I am posing in front of the house where Freddie Mercury (Farough Bulsar) opened his eyes for the first time. Freddie’s  father was a British Civil servant who came to the island from India. The Bursars belonged to an ancient minority that left Persia when it became Muslim, keeping their Zoroastrian traditions and religion through centuries during their India exile. Events to overthrow the Sultan from the island in 1964 sent the Bursars to London where they first settled in the Heathrow airport area where Mr. Bursar took up employment.

Queen’s music is the favorite in my home and Freddie Mercury’s voice and creative musical genius has had a strong standing throughout my life.

My mind boggles a little extra,  when I consider that I might very well have crossed a young Freddie in any of the streets around West Kensington where we both lived in the beginning of the seventies.

I wonder if any of those eccentric looking guys standing on underground platforms would not be the upcoming world artist oblivious of a famed future and destiny.

Curiously I do reflect on the fact that the most famous Zanzibari was not a real native the same way as Portugal’s most famous personality in the sixties – soccer player Eusebio- was an African arriving in Lisbon as a teenager to play for Benfica.

Immigration is not something you can ignore. It is instead a goldmine for development of the human race, provided immigrants are given opportunity to develop their skills.

Até breve

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Queridos leitores

Não publico nada neste blogue há quase um mes. Não deixei de querer publicar mas a verdade é que tenho tido que dar prioridade a outros assuntos.

Este ano aqui na Suécia é ano de eleições. Primeiro são as europeias e depois virão todas as outras em conjunto, nacionais, distritais e municipais, marcadas que estão para o dia 14 de setembro.

Terei com todos os outros meus colegas ativos que desenvolver um grande trabalho de informação que vai incluir bater às portas, fazer comicios de rua  e falar por telefone  aos eleitores.É um grande esforço que se nos vai pedir e que cumpriremos pois trazemos na base dele a força de acreditar nas nossas ideias. Tenho vindo a intensificar os artigos politicos do meu outro blogue com o endereço joaopinheiroblog.wordpress.com

Isto vem tudo para me justificar de não ter aqui publicado nada desde o passado dia 5 quando me recordei do Eusébio no dia em que faleceu.

Tenho muita coisa para contar e estou a tentar escrever um livro que será em grande parte autobiográfico. Trata-se de quatro jovens, ainda teenagers, que se encontram em Londres para mais tarde se reencontrarem volvidos 40 anos. Pode ser que consiga levar avante.

Procuro tambem literarura em portugues ou noutra qualquer lingua que em forma de ficção trate do periodo dos finais da década de 60 principios da década de 70. Se alguem me conseguir dar  alguma dica ficarei muito agradecido. Até breve!

O Eusébio

Eusebio1

Quando estávamos a viver na Rua A às Amoreiras era aquilo um beco sem saída no fundo da Rua Aviador Plácido de Abreu. Ao lado havia apenas um campo abandonado nas traseiras do quartel da Artilharia 1. Este campo onde brincava era conhecido como Campo da Aliança. Tinha-se lá jogado à bola e ainda havia havia restos de uma bancada de cimento. Foi aí que se organizou durante um par de anos uma feira popular e foi tambem aí que uma noite correu a noticia que estariam lá uns jogadores do Benfica, entre eles o tal moço que tinha vindo de Lourenço Marques, o Eusébio. Claro que o queríamos ver. Ganharam uma coisas nas rifas ou na tombola. Penso que o que iam ganhando ofereceram aos miúdos. Foi o meu primeiro encontro com o Eusébio.

Tambem visitava o meu vizinho Vicente Lucas na Praceta do Junqueiro em Carcavelos. Vimo-nos várias vezes na década se sessenta e sempre mostrou humildade e bons modos. Cacei durante esse período o seu autógrafo que aqui fica!

Ele tinha dez anos mais que eu. Durante muito tempo era Eusébio o único portugues que se conhecia fora das fronteiras de Portugal. Embora não tenha jogado naquele jogo amigável com a Inglaterra em 69 estava lá, e encontrei-o por casualidade numa loja do centro de Londres. Quando se lhe dirigia a palavra falava como se fossemos conhecidos.

Uns anos depois, já não jogava, veio integrado na comitiva do Benfica que fez o seu estágio pré época na Suécia. O treinador era o sueco Sven- Göran Eriksson. Organizou-se um jogo treino com a equipa local do Alnö. Foi e continua a ser um dos eventos desportivos mais importantes aqui realizados. Foi um agora funcionário do municipio de Sundvall que se encarregou da organização do evento. Segundo ele deu lucro e foi de facto um feito trazer áquele campito o grande Benfica. Infelizmente não estava cá por ter sido no período de férias. Tive pena e tenha a certeza que se assim não fosse teria tido a oportunidade de falar mais com o Eusébio.

Descansa em paz Eusébio!

Travels with Grandpa 2010 (11)

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We travelled with Helena to Great grandpa at Guerra Junqueiro avenue -where we all could relieve ourselves. After that Greatgrandpa drove away towards the mountains in Sintra and on our way there we got acquainted with the coast and the impressive Atlantic waves. We all ate at a restaurant.

As this was happening we were curious to know what Grandpa and Patricia were up to in Viseu. They visited a very large mansion that had belonged to Patricia’s family and that had now been rebuilt for rural tourism for foreigners. The house had been bought by a Dutch couple and now it was owned by English people. Patricia got very sentimental as she had such strong memories from this place. In the evening and after long farewells with kisses and hugs Patricia and Grandpa left father-in-law Julio brother-in-law Cristóvão (Quitó) among a number of newly acquired family members!

Sunday! The whole group went to Belém. Grandpa showed the way on the tram from Terreiro do Paço. It was boiling hot and Vótetta had made
sandwiches, for our picnic. Grandpa and Patricia went into the Belém
tower. Nobody else had the strength. D & D were also there and that was fun. Eventually we all went back for a short visit to Jerónimos.
Back in S. Bento, we kids went to the Estrela Park and lived an adventure with some other children. We ate out and Daniel and Jonatan followed with Grandpa for a glimpse of the Pombal statue.

We now lived through the hottest day. Temperatures were up in the 40s. We took a taxi to the Amoreiras where Grandpa opened a bank account.  Jonatan and Grandpa had a haircut in Algés.
After that we could only stay indoors and wait for the sun to go down a bit. We visited the Poets Park in Paço d’ Arcos, and Grandpa explained about some of the writers and especially   Alexandre O’Neill that Grandpa had lived with as a child. We now know that Grandpa has spoken to two people who are now statues O’Neill and Eusébio. Afterwards we went back on Vótetta’s car and looked for a restaurant where they could hit dead crabs with a hammer. Liv and Helena had gone to the beach and Liv got a rash.

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Travels with Grandpa 2010 (7)

resan 15 Sporting 2 lyon 0

We visited the nearby park, Jardim da Estrela. Then we went off again to Vótetta who showed us, (Jonatan and Grandpa), Paço de Arcos city! Jonatan, who by this time still hasn’t learnt Portuguese, wondered what we were searching for. Then off we went! Sporting’s first home match for the season… The opponents were Lyon with Kim Källström.

A nice experience, with a big crowd and where Sporting presented all their players for the fans. Sporting also won the match 2-0. Kim had to be carried out on a stretcher. Grandpa had to change his place, as a nervous old boy, chain smoked next to him. In Portugal people seem to still think that if the match is played outdoors it should be allowed to smoke. Besides, they believe, that they cannot survive a whole match without a smoke. Well, well… We’ll see… we got out of the stadium rather fast and smoothly even though we reckon there were some 35000 people there.
We children were up late, laughing and talking. For Liv it is her last parent free night, because tomorrow mummy Helena arrives.

Have we remembered to mention Patricia’s fantastic breakfasts, with fresh bread, croissants, juice, coffee, etc.?
resan 16 Stadium of Light
We had been to see Sporting and Jonatan’s interest for Portuguese football only grew more and more. We decided to visit rivals Benfica. We went to their stadium and got a nice guided tour. Besides looking at their 100 most important trophies on show, we all also had a glimpse of the president’s seats, the changing rooms. We sat on the substitutes benches and met their eagle Vitória. This eagle flies before every home match. Jonatan was also impressed when he heard that Grandpa had on several occasions talked to the living legend Eusébio. During this time Liv and Patricia did the Colombo shopping center, right next door. We rushed to the airport by taxi and managed to arrive on time to welcome Helena. We ate dinner near Rato and were ready sometime between 11 and 12, Swedish time.

O St. Julian’s

stjulians

Muitas pessoas associam Carcavelos com O colégio ingles St. Julians School. Andou lá, por exemplo, a minha irmã Joana. Lá andava com o seu uniforme e lá tinha as suas amigas das quais algumas viviam como nós, na Praceta do Junqueiro. Estou a lembrar-me das irmãs Mette e Anita Amundsen e da Ruth!  Como a Joana tem 5 anos e meio menos que eu, viviamos em mundos um tanto diferentes. Nunca entrei  no colégio  própriamente dito. Mas conhecia os campos adjacentes.

Paralelo com a avenida que dava para a estação corria um campo de golfe. Para lá andei algumas vezes à procura de bolas e cheguei a encontrar algumas. Era lá perto tambem o campo de futebol onde chegou a treinar o Benfica com Eusébio e tudo e onde vi jogar o Mário Simões numa equipa de juniores do Carcavelos que chegou ainda longe tendo defrontado o Sporting nalguma competição.

Quanto aos mundos separados da minha irmã e dos irmãos juntávamos-nos às refeições. Se há algo de que me arrependo dessa época era as vezes que provocávamos a minha irmã para que começasse a chorar. Era fácil pois tinha uns pontos fracos. Era cruel concerteza mas é o que fazem irmãos e especialmente na adolescencia. O meu arrependimento prende-se muito com o facto que era a minha avó Bua que a maior parte das vezes tinha que nos aturar e já tinha muita idade nessa altura.

Penso que alguns dos leitores destes textos andaram no St. Julian’s ou conhecem algo da escola que se gere pelo lema “Lux tua nos ducat” something like” Your light guides us”. Who has something to tell from that time?

 

As feiras populares

Feira_Popular_de_Lisboa

 Uma das delicias da minha meninice era a Feira Popular…ou melhor, as feiras populares. Estou-me a lembrar de diferentes locais onde a Feira esteve antes de se mudar para Entrecampos. Esteve nos jardins da Gulbenkian, à volta do velho estádio Alvalade, no Jardim da Estrela e foi nossa vizinha em Campolide no Campo da Aliança que ficava atrás da Artilharia 1.

 Todos os anos faziamos questão de ir e geralmente com grande orgulho trazíamos umas garrafas de vinho que ganhávamos, a lançar argolas de madeira. Era o ponto alto quando tal acontecia, pois já não ìamos para casa com as mãos a abanar! O meu irmão Pedro Pinheiro era perito em fazer render os tostões na feira. Havia certas coisas que não gostávamos de perder.Eram os carros de choque onde a minha mãe uma vez entalou o pé, o comboio fantasma ( arrepiante) e o Poço da morte! Depois eram os comes e bebes e a obrigatória bica dos adultos no Café dos Pretos. Nesse café eram mesmo africanos que trabalhavam e em Lisboa nessa altura ainda se achava exótico ser servido por africanas ou não fosse Portugal um grande Império Ultramarino! Mas adiante!

 Quem não gostava de ir? Era uma atividade em familia excepto quando se instalou literalmente debaixo da nossa janela na Rua A às Amoreiras. Como éramos vizinhos entrávamos sem pagar e um senhor com um apraelho que colocava na garganta para se fazer ouvir dava as ordens ou cortava bilhetes.Posso dizer com certeza que lá estive no ano de 1960 pois apareceu lá um jovem Eusébio acabadinho de chegar de Moçambique e que ganhou umas bolas numas rifas, que ficaram para a miudagem do bairro!