Rescaldo do Suécia- Portugal

jogo

Rescaldo é o mesmo que esfriar…Esfriar de emoções e de algum nervosismo que pelo menos eu senti, logo que soube que nos calhava jogar o play-off contra a Suécia. Há que ver que se tratava de uma equipa bem embalada e confiante depois de no seu grupo só ter feito pior que a Alemanha.

O David disse logo -Vamos lá a Estocolmo. E ficou decidido. Havia que comprar os bilhetes para ficar na bancada dos portugueses. Através do site dos emigrantes e sócios do clube Lusitania de Estocolmo ficámos a saber que se compravam os bilhetes pela Internet na página da Federação Portuguesa de Futebol.  Como não tenho a nacionalidade portuguesa ficaram em nome da Patricia. Para levantá-los levámos autorização e documento de identificação dela. Tudo funcionou bem.

Como tinha que trabalhar na terça, só conseguimos ver a alternativa para chegar e voltar no mesmo dia, só indo de carro. É que são sensivelmente 4 horas de viagem que nos separam de Sundsvall. Ainda fui trabalhar de manhã e o David foi à escola. Saímos por volta do meio dia. Como nos disseram que a situação de estacionamento ao pé da Friends Arena é caótica decidimos estacionar em Upplands-Väsby ,nos arredores a norte de Solna e daí apanhámos o comboio.

Quando chegámos à estação de Solna eram umas quatro da tarde. Já havia muita gente, nomeadamente muitos portugueses. Demos logo com a compratiota Luisa Paulo, que se tinha mascarado de Pippi das longas meias portuguesa. A Luisa é uma pessoa que toma muitas iniciativas e organiza actividades para a comunidade Portuguesa de Estocolmo. A Luisa tinha marcado uns 60 lugares para os portugueses que quisessem comer e beber algo antes do jogo. Fomos para lá e pedimos uma Coca-cola.

 Foi o principio da confraternização que aí começava à volta da nossa seleção. Muitas vezes são os imigrantes quem mais se regozija com os nossos sucessos desportivos, remetidos como estão, anos a anos, a uma vida de trabalho longe de familiares e amigos de infancia, nem sempre considerados plenamente pelas pessoas que são. Após cerca de meia hora estalou um alarme, que em bom som, avisaou que havia um incendio no restaurante e que era necessário, urgentemente, evacuar as instalações. E assim fizemos começando a dirigir-nos para a arena nacional de futebol da Suécia.

Começava uma noite inesquecivel.

O 25 de abril de1974

cravo

Todos guardamos memórias daquelas em que se pergunta: O que estavas a fazer quando aconteceu tal e tal?

Essas memórias costumam ser negativas, associadas a alguma calamidade ou a algum atentado que nos marcou por tambem nos afetar direta ou indiretamente. O primeiro evento de que me recordo foi no dia 22 de novembro de 1963. Tinha 11 anos e vivia na Politécnica em Lisboa. Recordo-me dessa noticia e exactamente onde estava, que era no apartamento na Eng. Miguel Pais. Senti a apreensão e preocupação dos adultos à minha volta.Havia uma insegurança em fazer grandes alaridos pois o assassinato do presidente Kennedy era do foro das politicas.

Do mesmo tipo foi o assassinato a Olof Palme, primeiro ministro em exercicio, no dia 28 de fevereiro de 1986. Vivia já na Suécia e foi um amigo chileno que me acordou ao telefone na manhã seguinte para informar do sucedido. Pensei que fosse uma brincadeira de mau gosto, mas nesse mesmo dia organizaram-se e participámos numa manifestação de solidariedade e pesar no centro de Sundsvall.

No dia 11 de setembro de 2003 estava com a Mona em Oslo para ver a seleção nacional de futebol jogar um amigável com a Noruega. Por telemóvel chegou-nos a noticia que a nossa ministra de Negócios Estrangeiros Anna Lindh havia sido vitimada em atentado com faca numa loja de Estocolmo. Ficámos apreensivos e só no dia seguinte depois de muitas notícias contraditórias ficámos a saber que Anna não tinha podido sobreviver aos ataques  do dia anterior.

A informação que recebi dos ataques ao World Trade Centre de Nova Iorque no dia 11 de setembro de 2001 foram dados numa reunião de pais duma nova classe na escola de Katrinelund onde trabalhava na altura. Recordo-me de ter comentado se não teria sido um filme ou piada de mau gosto o que me estavam a contar.

Estas noticias, todas de cariz negativo e calamitoso só podem ser acompanhadas de uma noticia positiva. Foi de manhã no dia 25 de abril de 1974 que a minha sogra informou que estavam a correr algumas noticias sobre acontecimentos em Lisboa. Terei encolhido os ombros e recordo-me ter pensado que não devia ter sido nada de mais. Mas foi ,e terei ocasião em futuros textos de repartir convosco como os eventos foram seguidos por uma pessoa, das muitas, que não estando lá, muito gostariam de ter estado. Nascia um novo Portugal!