O escritório de Salazar

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Corria o boato em 1968. A informação corria da clandestinidade. Salazar teria caído duma cadeira no seu escritório da casa de verão. Muito mais não se sabia. Era uma notícia que esperançava o fim da ditadura do Estado Novo. Salazar nacionalista tinha a ideologia que estava na moda. Os portugueses tinham interesses comuns e basta. Só que a ideologia acabou na segunda guerra mundial na Alemanha e na Itália com a derrota.

Continuou em Portugal. Com consequências nefastas para o desenvolvimento do país. Sem alternativas democráticas o país estagnou nas guerras coloniais, na emigração, na pobreza e ignorância dos portugueses. Salazar era homem de brandos costumes. Escolheu como casa de verão em 1950 o forte de Santo Antônio da Barra, forte mandado construir no reinado de Filipe I para essencialmente proteger a costa de Lisboa.

Salazar caiu mesmo da cadeira e o que eram os seus aposentos até 1968 estão agora abertos ao público. O mobiliário já lá não está mas uma fotografia mostra como era o seu escritório. A câmara de Cascais tratou por cedência do ministério da Defesa que se recuperasse o forte, e ainda bem. .. Espero que continue a ser possível aos cidadãos de hoje e do futuro o poderem visitar.

Foto de Salazar lendo um jornal que deveria saber estava debaixo das garras da censura.

O ditador visto do andar de cima

autocarro

Fiquei na criação de textos no meu blogue, até ao momento, estacionado nos primeiros 20 anos da minha vida ou seja entre os anos de 1952 e 1972. Tenho tentado captar e descrever memórias que tenham um interesse mais amplo e abrangente do que aquilo que tenha apenas que ver com as minhas mais íntimas e limitadas experiencias!

A internet permite entrar em contacto com muita gente e os média sociais são um importante complemento para intercambio de ideias e informação! No Facebook por exemplo coloco os meus textos em diferentes grupos se houver algo que possa interessar os participantes. Um desses grupos para nostálgicos como eu, é o “Recordar as décadas de 60 / 70”.

Foi aí que alguem colocou a foto que publico aqui que relembra os nossos autocarros da Carris de dois andares à londrina. Eram verdes e se bem que não fossem em grande quantidade faziam parte das características do transito da minha querida Lisboa dessa época!

Foi assim que me recordei de um episódio relacionado com um “Double decker”. Teria saído da Praceta de Carcavelos para apanhar o comboio da Sociedade do Estoril num domingo de 1967! A viagem era quase de certeza para a bola e para o Estádio de Alvalade!

Logo ali nos Restauradores e bem instalado no piso de cima vi aglomerado de gente e policia à saída do que era o SNI instalado no Palácio Foz. O SNI ou Secretariado Nacional de Informação  – era o organismo público responsável pela propaganda políticainformação pública,comunicação socialturismo e ação cultural, durante o regime do Estado Novo em Portugal.

Ora a alta personalidade não era outra senão o ditador de Portugal e chefe vitalicio do governo- O Salazar. Foi a única vez que lhe pus a vista em cima mas observei que não houve dentro do autocarro nenhuma manisfestação de alguma espécie.

Era naquele edificio que funcionava a censura que mantinha os portugueses condicionados e desconhecedores de tudo o que o Estado Novo queria omitir do conhecimento publico ou como o próprio Salazar na inauguração  expressou “Politicamente, só existe aquilo que o público sabe que existe.”

Em 1944 o organismo de censura passa a estar na dependência do Secretariado Nacional de Informação, que, por sua vez, estava sob a alçada do próprio Presidente do Conselho (Salazar).

Munidos com o célebre “lápis azul”, com que se cortava todo texto considerado impróprio, os censores de cada distrito ou cidade, apesar de receberem instruções genéricas quanto aos temas mais sensíveis a censurar, variavam muito no grau de severidade. De facto, verifica-se que houve regiões do país onde estes eram mais permissivos e outras onde eram exageradamente repressivos. Isto devia-se ao facto de constituírem um grupo muito heterogéneo a nível intelectual. Muitos reconheciam rapidamente qualquer texto mais ou menos “perigoso” ou revolucionário, enquanto que outros deixavam facilmente passar conteúdos abertamente subversivos.” Wikipédia