Era uma vez um gato maltez…

 

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Em 19 de maio de 1960 frequentava eu o Lycée Français Charles Lepierre. Foi-nos anunciado que algo de muito importante iria acontecer. O presidente dos Estados Unidos, Dwight Eisenhower iria passar à frente da escola. Os alunos foram munidos de bandeirinhas e conduzidos para o pequeno relvado com vista para a Duarte Pacheco. E lá passou o presidente e a vida voltou à normalidade.

 A normalidade era ter lições em frances. Era tudo em frances! Foi de facto uma excelente ideia dos meus pais porem-me nessa escola já que foi assim que aprendi a ler e a escrever numa lingua nova para mim. Fiquei com as bases do frances que ficaram até hoje.

 A escola tinha sido inaugurada nas presentes instalacões em 1952. Charles Lepierre era um quimico frances que veio para Portugal e que trabalhou na Universidade de Coimbra como professor. Tomou a iniciativa de fundar um colégio para franceses em Portugal, expandiu a sua clientela com o interesse demonstrado por muitas familias portugueses que aí quiseram inscrever os filhos. Nunca tive mais que 12 valores em frances na escola portuguesa. Penso que esse factor, explica só por si, as deficiencias de avaliação dos conhecimentos, que são bem tipicas duma escola onde se dá muita importancia às notas, mas que muitas vezes não dizem nada sobre os conhecimentos dos alunos.

 Recordo-me bem do primeiro livro de leitura que se chamava Boucles d’or et Pomme d’api. Tratava-se das aventuras dumas criancas e dumas vaquinhas. Cantava-se imenso:era o  Frére Jacques, o Sur le Pont d’ Avignon, Au claire de la lune, etc. Ouvíamos contar histórias como Le corbeau et le Renard. 

Os intervalos eram uma maluquice e havia uns miúdos que andavam numa espécie de batalha campal e se fosse hoje tenho a certeza que alguns teriam diagnóstico!

Boucles