Chega de Chega

Afinal não somos diferentes dos outros europeus já que tão fácilmente sucumbimos ao populismo de extrema direita que tanto sofrimento e destruição já trouxe ao mundo. Afinal ,tendo milhões de compatriotas, há décadas espalhados por todo mundo não evita que uma porção dos eleitores de Portugal sejam atraídos pela xenofobia e pelo racismo.
Já percebi que em Portugal há saudosistas do Estado Novo. Têm saudades de sermos o país mais pobre e com maior pobreza da Europa incluindo as ditaduras do Leste. Faz-lhes falta uma época em que metade dos nossos cidadãos eram analfabetos. Gostavam quando, durante décadas, os portugueses tinham que emigrar ajudando a fortalecer as economias dos outros países. Tem saudades da censura e da falta de liberdade. Gostavam que voltássemos a ter um império injusto e insustentável.
Pessoalmente fico muito triste que não sejamos melhores.
Na Suécia, país onde passei quase toda minha vida apareceu um partido como o Chega, partido esse jogando na xenofobia com raízes no racismo. Foram crescendo e à medida que o faziam a imprensa fez o seu papel na democracia e investigou muitos desses senhores pois estamos a falar de uma maioria gigantesca de homens. O partido de que falo o Sverigedemokraterna estava a ser apoiado por pessoas com passado no racismo e no nazismo, pessoas com dívidas ao fisco, pessoas com historial de indevidamente terem usufruído de apoios e subsídios aos quais não tinham direito. Espero que em Portugal a imprensa cumpra a sua obrigação democrática de revelar o que estes dirigentes têm na bagagem.
Os partidos populistas de extrema direita alimentam-se do desinteresse e falta de participação das populações. Em Portugal já muitos se desinteressaram a fazer escolhas eleitorais. Dão conta que há corrupção e com razão revoltam-se. A cara do Chega, André Ventura quererá convencer que ele também é contra a corrupção mas na realidade olha para tràs, para a ditadura que tivemos 48 anos em Portugal onde imperava uma corrupção de grandes dimensões mas sem controle democrática e logo desconhecida.
Com exemplo no que assistimos no mundo, mais recentemente com Donald Trump, iremos assistir muito provávelmente ao enfraquecimento da direita democrática dando mais e mais espaço a quem não quer a democracia.
Portugal merece e necessita de outra coisa que não o Chega.

Corrupção em Portugal corrompe a própria democracia

Vou dando conta á medida que a minha estadia em Portugal se vai alargando que os niveis de corrupção aqui são altos e arriscam a esvaziar a confiança nas instituições e naqueles que devem servir os interesses dos cidadãos. É o proprio sistema democrático que fica lesado.

Num livro que acaba de ser publicado da autoria de Paulo de Morais com o titulo“ O pequeno livro negro da corrupção ”, dá-se conta que existem 2 milhões de pobres em Portugal e que o país aparece no 30 lugar na União Europeia quando se refere á transparência democrática .

Para mim é vergonhoso que alguem que tenha aceite um cargo publico, isto é, que se tenha compremetido a ser representante dos cidadãos para levar a cargo uma determinada politica, se aproveite da posição de poder adquirida, para se emprestar a situações de corrupção. Penso que em todos os partidos politicos hajam muitos que não se deixam infuenciar pela corrupção mas que em todos partidos haverá exemplos de pessoas que lidam mal com essas situações e fazem péssimas escolhas.

Depreende-se que esta mentalidade corrupta nunca deixou de existir em Portugal. Estava cá quando saí de Portugal em 1968 e cá está em 2020 e por isso é que somos um país dividido com muita gente na pobreza e uns tantas na grande riqueza. Não quero deixar de dizer que o sistema democático trouxe grandes avanços e que sem a corrupcão ainda teriamos ido mais longe. Mas alerto aos democratas deste país que se não puseram cobro à corrupcão estão a dar força à extrema direita populista, que crescerá à sombra da desconfianca nas instituições vigentes e seus mais importantes representantes.

Esta semana passada aparecem dois casos que vale a pena comentar. O primeiro tem a ver com a posicão do primeiro ministro António Costa ao apoiar uma personagem que está acusada de corrupcão. A leitura que faz qualquer dos mais comuns dos mortais é que o primeiro ministro como pessoa privada ou publica (a mesma coisa), aceita que essa corrupção possa acontecer. Esteve mal António Costa e outros politicos que terão que ter cuidado sobre os sinais que deixam tranparecer.No que diz respeito a António Costa é pena pois penso que o primeiro ministro está a fazer um bom trabalho e que os resultados estão à vista.

O segundo caso é verdadeiramante alarmante pois envolve a própria justiça através das aldrabices em que se envolveu entre outros o juiz desembargador Rui Rangel. Quando a justiça está corrupta Portugal deixa de ser um país sério e aparece com os tiques dos países mais pobres ou em desenvolvimento onde a estrutura democrática é supostamente muito mais débil.

Há muitas reformas para fazer em Portugal para aumentar as possibilidades de todos em construir um futuro melhor. Penso especialmante na área da educação que introduziu, e bem, a escolaridade obrigatória mas que depois carrega duro nos encarregados de educação com propinas, livros , etc. Aqui poderia Portugal aprender algo com a Suécia que não penaliza economicamente as familias para iue haja uma educacão boa para todos. E que o sistema abrange desde a pré escolar até ao secundário. Essa reforma é absolutamemte possivel mas implica que não se escape ao fisco como se faz em Portugal e que os próprios cidadãos aceitem pagar impostos porque sabem que estes beneficiam as familias e o futuro do país.

Com a corrupção que presenciamos Portugal vai ficar mais pobre como sociedade e como país.Se queremos aumentar o número de pessoas ativas com cargos públicos fortalecendo a democracia, se queremos que os números das abstencõs eleitorais diminuam, se queremos uma sociedade mais justa, temos que pôr fim à corrupção e isso começa por cima estabelecendo quanto antes penas adequadas a quem a pratica e apoiando aqueles que vivem as suas vidas publicas servindo os cidadãos em honestidade.