A calamidade silenciosa

CheiaPortugal1

 As estações do ano sucedem-se normalmente em Portugal. O dia 25 de novembro de 1967 era um sábado invernoso, cinzento e chuvoso.

O sábado à noite era geralmente a minha parte da semana favorita. Depois de chegar do Liceu de Oeiras onde frequentava o 4º ano, tinha todo o domingo e meia segunda feira livres. Era um luxo! A semana inglesa assim como o pequeno- almoço à inglesa eram conhecidos mas não se praticavam entre nós.

Como chovia decidi ficar por casa. Já era escuro e para algum gozo mas sem nenhuma afliçäo lá fomos olhando pela janela enquanto algumas pessoas da Praceta levavam os carros para sitios mais elevados pois a  àgua já entrava por eles.

Eram cenas quase cómicas. Não havia nenhum sentimento melodramático, não se ouviam gritos…antes pelo contrário havia um silencio que só o caír da chuva apoquentava.

Na manhã seguinte começou-se a dar conta do que realmente tinha acontecido. Estava tudo coberto de lama, as caves da Praceta todas inundadas, pedras de todos tamanhos haviam rolado nem se sabe donde. Defrontámo-nos com um aspecto assolador que caracterizou uma das maiores catástrofes que desabaram sobra a região de Lisboa em todo o século XX.

Foi esta a maior calamidade que a Praceta conheceu em toda a sua história!

Se alguem tiver memórias pessoais deve partilhar connosco. A única referencia que existe na internet neste momento que une Carcavelos com as cheias de 1967 é o que nos conta um dos lesados, o amigo João Raminhos no meu blogue.