As escolas

 camoes

Já tenho aqui falado da educação escolar e dos diferentes estabelecimentos de ensino que frequentei. De mais pequeno para maior foram o Liceu Francês Charles Lepierre, o Colégio Valsassina, o Liceu Normal de Pedro Nunes, de novo o Valsassina e finalmente o Liceu de Oeiras. Para os rapazes lisboetas os liceus mais conhecidos eram o Camões, o Passos Manuel e o Pedro Nunes.

O sistema em Portugal na década de sessenta, que é práticamente quando ando na escola,  estava afinado para que uma elite chegasse aos estudos superiores.Penso que nessa altura como agora os primeiros anos criam a base que nos serve depois para o resto do ensino e da vida em geral. O sistema de dar notas e fazer exames centrais e nacionais, a torto e a direito, é um sistema muito criticável. Como comecei no Liceu Francês aprendi imenso francês e nunca tive dificuldades. No entanto nunca consegui nenhuma nota alta. No primeiro ciclo que seguia à quarta classe, que era obrigatória tive muitos problemas na escola e senti-me verdadeiramente burro!

A verdade é que não me conseguia concentrar já que tinha problemas exteriores à escola em si.

Quanto ao exame da quarta classe nem me lembro de o ter feito, onde foi e qual o resultado.

Quando comecei no Pedro Nunes era num anexo e só me lembro de jogar à bola nos recreios Como não conhecia lá ninguêm e para ser popular aceitei ir para a baliza onde rápidamente fiquei com o alcunha de Gilmar. Andava radiante com esse facto. Penso que os meus pais foram lá chamados para lhes explicarem que eu não andava muito bem e não percebia patavina!

 Lá voltei para o Valsassina onde tambêm não percebia patavina mas lá fui passando de ano até chegar ao exame do 2º ano. Tinha que se ir ao Camões. Havia a prova escrita e depois a oral. Era numas salas por baixo dumas arcadas. Chumbei! Penso que andei bastante envergonhado porque devia ser muito burro mesmo para não passar de ano! A verdade é que o sistema era cruel e não dava manobra a crises pessoais.

Era uma vez um gato maltez…

 

 CFT003 005707 002

Em 19 de maio de 1960 frequentava eu o Lycée Français Charles Lepierre. Foi-nos anunciado que algo de muito importante iria acontecer. O presidente dos Estados Unidos, Dwight Eisenhower iria passar à frente da escola. Os alunos foram munidos de bandeirinhas e conduzidos para o pequeno relvado com vista para a Duarte Pacheco. E lá passou o presidente e a vida voltou à normalidade.

 A normalidade era ter lições em frances. Era tudo em frances! Foi de facto uma excelente ideia dos meus pais porem-me nessa escola já que foi assim que aprendi a ler e a escrever numa lingua nova para mim. Fiquei com as bases do frances que ficaram até hoje.

 A escola tinha sido inaugurada nas presentes instalacões em 1952. Charles Lepierre era um quimico frances que veio para Portugal e que trabalhou na Universidade de Coimbra como professor. Tomou a iniciativa de fundar um colégio para franceses em Portugal, expandiu a sua clientela com o interesse demonstrado por muitas familias portugueses que aí quiseram inscrever os filhos. Nunca tive mais que 12 valores em frances na escola portuguesa. Penso que esse factor, explica só por si, as deficiencias de avaliação dos conhecimentos, que são bem tipicas duma escola onde se dá muita importancia às notas, mas que muitas vezes não dizem nada sobre os conhecimentos dos alunos.

 Recordo-me bem do primeiro livro de leitura que se chamava Boucles d’or et Pomme d’api. Tratava-se das aventuras dumas criancas e dumas vaquinhas. Cantava-se imenso:era o  Frére Jacques, o Sur le Pont d’ Avignon, Au claire de la lune, etc. Ouvíamos contar histórias como Le corbeau et le Renard. 

Os intervalos eram uma maluquice e havia uns miúdos que andavam numa espécie de batalha campal e se fosse hoje tenho a certeza que alguns teriam diagnóstico!

Boucles