Quem nos formou?

Dionne

A vida na Praceta ou em qualquer outro lugar não é um mar de rosas para um adolescente!

Eu por exemplo andava às vezes bem infeliz, sempre vestido de preto, com chapéu e tudo, á espera de ser compreendido por alguem. Para quê viver? Nesse taciturno estado de espirito que ás vezes invade a alma do” teenager” há momentos que podem ser cruciais. Uma paixão incompreendida, sei lá…

No verão era tudo mais fácil. Aparecia outra malta. Organizavam-se festas. Será que alguem se lembra duns bailes organizados no terraço de um dos prédios, se não me engano do lado do mar? Era uma oportunidade de agarrar uma miúda e de a apertar um pouquinho ao som da Aretha ou da Dionne. Não sei quem organizava estes bailes mas tenho quase a certeza que haviam crescidos por trás que assim nos ajudavam a dar os primeiros passos para a vida romantica e adulta que se aproximava. Na Praceta nunca tive namorada…

Nessa época penso que havia mais convivio entre gerações. Estou-me a lembrar da acolhedora familia Henriques cuja casa visitei muitas vezes e da simpatia da sra. Paulina e do sr. Américo que me ensinou uns truques de cartas que muitas vezes usei na continuação da minha vida para impressionar novas gerações.Os filhos Henriques são a Paulucha, o João Paulo e a Carla!

Os adultos educavam os jovens e era aceite por todos. Éramos filhos de todos e mesmo quando doía acabava por ter um significado de se aprender quando se fazia algo mal. Uma vez levei uma estalada da mãe do João Raminhos porque tinha estado a gozar( já não sei com quem mais) com uma rapariga que estava atrás do balcão do café Atlantico e que nós concerteza por falta de tacto e piedade tinhamos feito infeliz!  Nunca mais gozei com ela!