O Silvestre e a Maggie

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A gata que temos agora é a Maggie. É uma gata que sai à rua. Nasceu no campo e já se tinha habituado na ninhada a saír. O problema são as bulhas em que se envolve. Não sei bem quantas vezes já teve que visitar o veterinário por causa de feridas infetadas. Já anda com um funil enfiado na cabeça há duas semanas. Mas a ferida ainda não sarou. Coitada da Maggie fica desesperada pois não a deixamos sair à rua.

Pus-me a pensar no gato que nasceu comigo e me acompanhou durante os meus primeiros 16 anos. Nunca foi a um veterinário, que eu saiba. Só para ser capado. Era o Silvestre. Gato preto, elegante que se dizia era meio siames. Os meu pais trouxeram-no de Inglaterra. Não sei como fizeram a viagem. Quando fomos para a Urgeiriça ele foi tambem, evidentemente. Andaria lá fora à caça de ratos, lagartixas e passarinhos.

Quando fomos para Lisboa viver bem no centro de Lisboa o Silvestre fez-se gato de cidade. Tanto se dava em Campolide como nas Amoreiras. No velho campo da Aliança teria espaço para se movimentar. Às vezes ausentava-se por períodos e quando já o estávamos a dar por perdido lá aparecia ele.

Quando nos mudámos para Carcavelos e para a Praceta do Junqueiro penso que o Silvestre tinha uma vida feliz. Tinha pinhal bem próximo e muitos carros sob os quais se podia esconder. Trazia pulgas e mais os outros bichos de que já falámos mas nunca precisou de tratamentos médicos. Será que os gatos eram mais rijos ou mais pacificos que o são hoje? Na foto está a Maggie!

Abençoadas drageias

drageias

Tive a sorte de ter nascido depois das grandes guerras e por conseguinte usufruído do periodo de paz pós guerra dos anos 50 e 60. Havia uma preocupacão especialmente por parte da  minha mãe que teria a sua proveniencia, na sua própria adolescencia londrina no periodo da guerra. Era necessário evitar as doenças e para isso era imprescindivel uma alimentação especifica com alguns fortificantes.

Ao pequeno almoço sempre os flocos de aveia cozidos e acompanhados de  leite. Os fortificantes britânicos eram o Bovril mas principalmente o óleo de figado de bacalhau que passava duma garrafa para uma colher e depois ingerido pelas guelas abaixo. Abençoado o dia em que se inventaram as drageias que substituiram as colheradas! Em caso de adoecer era um cházinho e uma aspirina! Outro dos remédios que se usavam para combater narizes entupidos ou resfriados era o Vic Vapour Rub que se esfregava no peito e que mais tarde e após observar a minha avó Bua até se punha nas narinas! Quando era muito pequeno recordo-me de me terem posto uma massa quente no peito para curar qualquer coisa. Terei sonhado isto?

O mal de ordem fisica  que mais me apoquentou nos primeiros anos foi a urticária. Cheguei a ter que ir de consulta ao Dr. Rosa Paixão que com aquele nome só podia ser muito boa pessoa! A urticária lá passou um belo dia e nunca mais me afectou. Tambem tive verrugas nos dedos que foram tratadas numa farmácia na rua de Campolide. Fui lá umas vezes, punham-se umas gotas e aquilo acabou por desaparecer!

O meu mal mais dramáico teriam sido as queimaduras que apanhei na praia de Carcavelos quando decidi ficar tão bronzeado como os restantes amigos da mesma idade! Apanhei um verdadeiro escaldão e apanhei febres altas tendo que se chamar um médico para a casa da Praceta.  Naquela época havia o Caladryl, um liquido cor de rosa que aliviava as queimaduras. Nunca mais me preocupei com os bronzeamentos…sou branquinho e não há nada a fazer!

Sentinela alerta

artilharia

A rua A às Amoreiras era um beco sem saída. Foi lá construido um prédio mas havia planos para para aí se construir uma rua que lá está hoje e que passaria sobre o velho Campo da Aliança em Campolide onde se jogou á bola.

 Ainda lá haviam restos duma bancada de betão. Era um excelente sitio para se brincar e sendo um bairro muito popular havia uma mistura de familias de diferentes estratos sociais. Foi aí que pela primeira vez escutei algumas expressões populares (asneiras) que para mim não faziam nenhum sentido. Essas expressões não as posso repetir aqui devido ao carácter familiar deste blogue.

 O campo da Aliança tinha ao longo de todo o seu cumprimento as muralhas do quartel da Artilharia 1. Isto significava que à noite se ouviam os chamamentos dos soldados que assim se autocontrolavam para se certificarem que estavam acordados. –“ Sentinela alerta” e passados uns momentos vinha a resposta “Alerta está!”

 Foi a brincar na Rua A uma manhã que de repente senti qualquer coisa a bater-me na cabeça. Alguem tinha-me rachado a dita e tive de  ir de urgencia para o hospital de S. José onde me puseram uns agravos e me ataram a cabeça com uma ligadura. Um camionista que estaria atrás duma vedação de tábuas de madeira queria dormir e como os miúdos cá fora estavam a fazer barulho decidiu atirar uma cana que por azar me acertou no topo da cabeça. Alem da experiencia desagradável ainda vi o meu pai que tambem tinha perdido a cabeça a perseguir o tal sujeito com um machado. Foram cenas assustadoras!!

Um tempo mais tarde fomos ao tribunal e o juiz lá passou uma sentença ao camionista após discurso do meu pai que pedia justiça!

A minha escola tão linda seduz (1961-1965)

azinhaga Valsassina

Viviamos na Rua de Campolide quando saí do Charles Lepierre para comecar no Colégio Valsassina!

Ao pé da nossa casa como não podia deixar de ser havia um café e duas memórias que retenho desse tempo foi ir aparecendo a RTP e ter aparecido o Totobola!

Terei sido inscrito no Valsassina como aluno externo. O meu irmão Pedro terá tambem aí começado a sua vida escolar e para chegarmos ao Colégio que ficava muito longe ( ao pé do aeroporto) passava um autocarro do Colégio a buscar-nos. Fazia a volta à cidade e apanhava meninos em tudo o que é sitio. Quando chegávamos à íngreme Azinhaga das Teresinhas sabíamos que estávamos a chegar.

 Como alunos externos teríamos que levar comida de casa numas marmitas que eram entregues à chegada e aquecidas pelo pessoal do refeitório. No refeitório comia-se o que se trazia mas havia um menino que sempre trazia um prato de esparguete fino que muita inveja e curiosidade culinária me fazia.

 Dos professores lembro-me duma senhora alta e loira e dum senhor alto e careca! A senhora tentou, sem sucesso, ensinar-me a pegar na caneta. Faziamos intermináveis exercicios de caligrafia!  O senhor alto e careca levantava os meninos pelas orelhas. Não escapei a esse tratamento mas até hoje só me lembro que foi muito desagradável, mas não do motivo que o teria provocado.

As lições favoritas eram as de canto coral. Cantávamos ao lado do órgão do maestro Cruz Brás e assim aprendemos o Hino da Escola e o Hino Nacional.

A minha escola tão linda seduz….

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