Pensão o Grego

o grego

A praia das maçãs teria sido a primeira praia a que ía a minha familia. Isto estaria relacionado com a história que associava o meu pai em pequeno a frequentar essa praia. Alem da relação do Colégio Valsassina com a estação de veraneio e balnear tambem a minha avó Bua para lá ia passar temporada.

É disso que hoje me estou a lembrar, dessa praia, que ficou com esse nome porque segundo diziam, a ribeira que aí ía desaguar trazia fruta caída ( maçãs) dos pomares por onde passava. Antigamente ninguem ligava muito às praias. Só a partir do século XX é que as pessoas começaram a procurar as praias tanto para banhos de sol como para banhos de mar. Isto tambem terá que ver com o aprarecimento de algo a que se chamou férias.

Na geração da minha avó e refiro-me a ela pessoalmente as senhoras não se punham ao sol de livre vontade. Não havia o culto da pele bronzeada como um fator de beleza, antes pelo contrário, Quanto a banhos de mar ainda me lembro alguma vez de ver grupos de pessoas do campo vestidas pos pés à cabeça a molharem os pés. As águas da praia das maçãs são traiçoeiras. Para os meninos tomarem banho havia um serviço especial que consistia em dar dinheiro a um banheiro que pegava na criança em questão e a mergulhava debaixo duma onda. Não era das coisas preferidas a que me sujeitaram, mas pronto…Fica-se a saber porque é que esses trabalhadores das praias se chamavam banheiros!

A minha avó ía para o Grego,uma pensão empoleirada sobre a falésia com vista para a praia e para o mar. Lembro-me particularmente dumas gaiolas que lá havia com umas rolas que penso não eram para consumo…mas quem sabe?

Acontecimentos lá por 1957

Holandes

 

Na cabeça duma criança de 5 anos ainda está tudo mais ou menos por descobrir. Começam-se no entanto a desvendar várias facetas e acontecimentos de importancia para o desenvolvimento dos sentidos da criança. Vou dar alguns exemplos pessoais. Nessa altura vivemos durante um tempo em casa da minha avó Bua, na Rua Sampaio e Pina. Era um apartamento muito grande e sombrio e práticamente só se utilizava a parte da frente da casa. Ir por exemplo até à cozinha era uma experiencia muito desagradável e por mim considerada perigosa, já que o corredor que ligava as diferentes partes da casa era escuro e comprido. Geralmente fazia esta travessia a correr perseguido por qualquer coisa monstruosa.

A minha avó fazia cremes de beleza. Umas mistelas bem cheirosas certamente com propriedades para a pele desconhecidas em Portugal e que a minha avó teria ido buscar às revistas “Notre Santé” ou “Notre Beauté”!  Nesta época não havia televisão de forma que buscava passatempo escutando a rádio. Entre os meus favoritos estariam ouvir missa em Latim e relatos de jogos de Hóquei em patins geralmente dos mundiais ou europeus onde os nossos davam grandes goleadas aos adversários.

Uma das actividades mais importantes do dia era esperar pelo carro do lixo que com grande aparato cheiros e barulhos à mistura digeria o que lhe davam dos enormes caixotes do lixo.

Tambem me puseram em exposição no Carnaval, não sei quê, das Belas Artes. Aí apareci de Holandês e tambem de Cowboy!

Nine eleven!

Ponte Salazar_19[4]

The time was ripe and I certainly was prepared. I had passed my exams of Portugal’s comprehensive 9 year school system sometime in July/August. I should carry on with my studies in England. Awaiting all boys at that time was the obligatory military service. Due to lack of officers and soldiers for the enormous colonial territory in Africa, Portugal was meant to defend from ever growing independent movements, these periods were getting longer. That argument helped my father come to terms with my departure.

I spent part of my holiday fixing the necessary documents. I needed a passport, a military licence and a student’s flight. I am convinced some degree of lying was needed to get the three months license to travel abroad.

The day arrived. My father, who owned and drove a car, came to get me. Hardest was to depart of my grandmother Bua, already in her eighties. I looked for my cat Silvestre that had been with us since I could remember. We looked under the cars parked in the Praceta but never found him for a last farewell.

The Marginal road gave a good view of the Lisbon coast. When would I ever see it again? We drove under the Salazar Bridge that my father helped to build. He told me about his own immigration plans. That did not increase my wish to stay!