Memorias do Portugal-Uruguai

Foi a 26 de junho de 1966. A seleção nacional fazia o jogo de despedida antes de viajar para Inglaterra para participar no nosso primeiro mundial. O meu pai arranjou bilhetes e o Estádio Nacional estava cheio. Seria a primeira vez que ao vivo veria a seleção. Tinha 14 anos. Também pela primeira e única vez estava a minha avó Rogéria. Tinha 80 anos. A minha avó lia muito e seguia com interesse o fenómeno Eusébio.

O adversário para este encontro era uma seleção com pergaminhos mas que Portugal nunca tinha defrontado, o Uruguai.

O Torres marcou três golos e o resultado final foi mesmo 3-0. A minha avó achou mal que tivessem convidado cá os Uruguaios para sofrer derrota tão pesada e se não seria simpático deixá-los marcar um golo.

Mais logo é mesmo a sério. Cristiano Ronaldo e equipa terão que encontrar maneira de desfeitear o Uruguai 52 anos depois. Não vai ser fácil.

Falta-me o Pedro

É a segunda vez na minha vida que vou para Portugal sem lá estar o Pedro. A primeira foi quando me embarcaram no “Alcantara” no dia 11 de outubro de 1952 com destino a Lisboa. A 23 de fevereiro de 1954 nascia o Pedro. Desde então fomos irmãos. Passámos 14 anos como irmãos primeiro crianças e depois adolescentes. Passam- me muitas imagens desses tempos pela cabeça. Tivemos como todos momentos bons e maus. Coisas que me marcaram talvez não o tenham marcado tanto. Nunca o saberemos. O Pedro não se abria muito. Quando os nossos pais se separaram foi um rude golpe. Estávamos em idade difícil. Não entendíamos muito bem o que se passava, mas as brigas dos nossos pais eram difícil de lidar.
Fomos parar ao colégio Valsassina como alunos internos e no verão fomos para a colônia de férias na Praia das Maçãs. Para mim esse tempo foi dramático. Como irmão mais velho sentia que tinha que proteger o Pedro.
As coisas acalmaram quando fomos para Carcavelos viver com a nossa mãe, irmã Joana e avó Bua. O Pedro era muito generoso. Sempre nos lembrávamos quando íamos à Feira Popular e ele sempre tinha uns tostões para fazermos qualquer coisa extra. Na Praceta de Carcavelos o Pedro adoptou cães abandonados e fez comércio com bichos da seda.
A qualquer jogo de mesa que participasse tacitamente e irremediavelmente ganhava. Não havia hipótese. A escola no entanto não era para ele e nunca percebeu muito bem o que lá andava a fazer. Preocupava todos quando desaparecia para pescar ou fazer campismo. Nunca deu nenhuma importância aos confortos caseiros. Preferia mesmo era uma vida simples e sem complicações. Mais tarde aderiu à vida de praia e gostava de dar mergulhos no nosso mar Atlântico.
Quando era pequeno lembro-me de o ver jogar ao berlinde com grande entusiasmo e de cócoras. Da varanda a minha avó preocupava-se com o Pedro e seu futuro. Talvez pudesse ser relojoeiro?
Não foi para muito longe. Foi para a montagem de filmes. Gostava daquele ambiente que requeria paciência e ambientes fechados . Foi nos filmes que conheceu a Maria João e com ela teve as duas maravilhosas filhas Marta e Catarina.
 O Pedro integrou-se na nova família. Cumpriu o seu papel de pai acompanhando as filhas quando cresciam. Penso que foi um bom pai para as meninas e que se esforçou por fazer o melhor. Sempre mostrou orgulho por elas sem precisar de o dizer diretamente.
A vida do trabalhador da área do cinema não é fácil. É um ramo para entusiastas sempre com pouco dinheiro. O Pedro nunca ganhou grande coisa no cinema e quando as montagens passaram para a digitalização não sei se acompanhou as mudanças. Para dizer a verdade nunca percebia grande coisa quando falava da sua vida profissional. Sei que tinha alguns amigos nos filmes. Estava sempre disposto a ir com eles por esse Portugal fora fazendo diversos trabalhos ligados às produções cinematográficas.
Mais tarde na vida quando se separou da Maria João conheceu a Sara e com ela teve o Miguel. Este filho passou a ser o motivo principal da sua vida. Andava sempre com o Miguel e ajudava a Sara. Teve um amigo no Andy que apoiou a família nos momentos difíceis. Faleceu no passado dia 12 de maio após prolongada e dolorosa doença que enfrentou à maneira da sua personalidade tentando envolver outros o mínimo possível. Era o meu irmão e sinto a sua falta.

O que sabemos da Bua

Foto atual da Calçada dos Barbadinhos com o rio Tejo ao fundo.

A minha avó portuguesa era a Rogéria, todos a tratavam por Bua incluindo os tres netos. Nunca soubemos porque era Bua. Como avó foi sempre, para mim a pessoa mais presente do mundo adulto, enquando crescia. Aqui seguem alguns apontamentos daquilo que sei até agora dos primeiros anos de vida da Bua.

No dia 6 de Agosto de 1910 saíu da sua casa da Calçada dos Barbadinhos 42, com seu irmão mais velho o Victor, e sua mãe Amélia Adelaide residentes nessa mesma morada. Victor era solteiro e funcionário público.Seria ele tambem o padrinho de casamento em conjunto com o Alfredo d’Oliveira Pires que seria colega do nubente. Foi testemunha tambem sua mulher D. Maria Justina Dias Pires. Ía-se casar na igreja de Sta Engrácia não muito longe dali com o meu avô João Henriques Pinheiro de 29 anos advogado e residente na Baixa.

O ano de 1910 concidiu com o falecimento uns meses antes do rei Eduardo VII do reino Unido. Rei esse que deu o nome ao parque de Lisboa bem perto duma residencia posterior da Bua. Eram os meses derradeiros da monarquia em Portugal destinada a ser substituido pela Republica já em outubro. Para o meu avo, convicto republicano eram factos importantes.Como consequencia da implantação da Republica decidiu-se que a igreja de Sta Engracia receberia obras e se transformaria no Panteão Nacional. Essas obras só se completariam em 1966.

Tinha a Bua 23 anos no dia do seu casamento. Nascera em Espinho em 17 de outubro de 1886. O se pai era funcionário publico e parece que não parava muito no mesmo sitio. Tambem se diz que preferia ter filhos que filhas e que estas ficavam ao cuidado de outros parentes ou pessoas de confianca durante largos periodos. Especulamos por enquanto nestes dados, que não sendo ficionais, já que se baseiam em informações que nos foram passadas,não estão até ao momento confirmadas por documentos oficiais.

O que, no entanto,  são dados confirmados é que Rogéria nasce em Espinho como sempre afirmou, e é batizada quando já tem um ano de idade na igreja de S. Martinho d’Anta. A sua irmã Stela tambem é batizada nesse ano, duas semanas antes e na mesma igreja. Stela nascera em Castelo Branco em 18 junho de 1885. As duas meninas recebem padrinhos sendo que Stela tem o casal Ferrão proprietários de Niza  e a Bua os Alves Guimarães do Porto. Terão estes factos alguma importancia especial na vida  das duas irmãs?

As pesquisas continuam e em breve haverá mais informacão concerteza.

Igreja de S. Martinho d’Anta em Espinho onde são batizadas Rogéria e Stela em 1887.

Farewell Dennis

Pollards hill

Most of us learn in time to understand that we all are different. Uncle Dennis and I did not always hit it well, but whether it was for conflicting personalities or the flow of circumstances is not important any longer. I choose today to remember you, Dennis Frith, for the man you were, and my memories attached to you.

My first encounter, that I remember, was visiting the family in the late fifties at your house in Thornton Heath. I remember that from the back window I could see a large cemetery. But most of all you made cakes at home. I believe somehow that you were beginning your successful career in the business of pastry. The smell and looks of sugar icing and whipped cream is something that no child can ignore. You were never one for hanging around chatting as I recall!

I did however get a better picture of you, when I took my big step, of starting a new life in 1968. Then, you and auntie Dot played a main role. By this time you had built up a considerable activity with several shops in the south of London and own production in what was called Frtith’s Patisserie. Your home and kitchens were in Barnes, so that’s where I came. You fixed me up with a room at Mrs Meltzer’s and gave me my first employment working at your office in Richmond. No one would ever ignore how important this was for me to start off my life as an adult.

Your favourite song was, for along time, Cliff Richard’s “Living Doll” and you did never miss an episode of the Forsythe Saga on television.

By this time you played tennis and had a passion for antiques. You were always in the look for a rare old painting and meticulously learned more. Whatever you did had a purpose and was well in line with the self made man you were. Rest in peace and thank you.

Foot note- In this picture from left to right- My grandmother Bua, auntie Dot, uncle Bernard, uncle Dennis, and my grandmother Dorothy Begernie Ineichen. Standing behind- my father João and my grandfather Joseph Ineichen. The picture was probably taken in 1951 in connection with my parents marriage on the 14 July.

http://www.youtube.com/watch?v=gTN9NuSj43s

 

 

Welcomed home

AXO

After a long wait of nearly six years, conditions had been  created for a return to Portugal without risking being accused of escaping the army. In that summer of 1974 it was decided we would take the trip and fly to Lisbon. With us the new baby that we would introduce to great grandparents, Joseph and Pat in London and Bua in Lisbon. Great-grandfather quickly gave the baby a nick name. He became “Barbershop” as he sang himself to sleep.

It would also be the opportunity for grandparents João and Pamela in Lisbon to meet their first grandchild John.

Besides all this, a return to a country that was still celebrating and where everything seemed to be possible. The revolution was on its way and nobody would stop it! Mistakes were made and consequences were laid on those who most  probably  were innocent. But the fear of things going back was there, as were the demands for nationalizations of all types of production. Like all other revolutions things tended to go to extremes. Many people that had businesses were seen as supporters of the recent regime. It was obviously not so.

We were met by my father at the airport, who said- This cannot go back!!!!

But before that landing, the pilot gave us the grand view, which is standard when coming from the north and landing from the south. The plane turns over Lisbon and gives the passenger the opportunity to see this beautiful city across the Tejo’s majestic estuary, the long Caparica coastline to the south and then across the whole city for a landing practically spot on it.

For the first time there was no fear from passport agents, instead a smiling welcome. Benvindos! Suddenly a uniform was something positive. Things had indeed changed. The emotion of this return was strong and I am not capable of putting into words the extension of these feelings.

bua

Spanish hospitality

Europa

After the long stretch between Barcelona and Valencia we were convinced that we had done the worst trip that the Spanish railway company RENFE could offer her passengers. In Valencia we booked ourselves at the Hotel Europa to get a much needed rest. This hotel was spot on in the centre of this important Spanish city with a view towards the Plaza del Ayuntamiento.

Our destination now was Andalucía in the south. I am sure we touched on Sevilla and spent a few hours there before heading for the coastal town of Huelva. Once there we were looking for somewhere to stay. Since entering France I was left in charge of communication, as I knew the languages.

I approached a young couple and asked them if they knew where we could stay. They promptly invited us to their home. There was no question about it… They just would not hear of anything else. Mona was very impressed as this couple with a small child prepared their own double bed for us to sleep in. They somehow settled somewhere else. This beat all records of hospitality before or after. We talked about it many times later and sent them a postcard thanking them and inviting them to visit us, although we had not settled anywhere at this time.

We were now prepared to meet the Pinheiros as they planned to arrive. My father came by car bringing Bua along and perhaps Pedro. It was a much awaited moment this one of seeing my grandmother. It was decided that my father would drive us to Merida where we could meet the rest of the family, somewhat like the changing of the guard. We took in at a hotel in the old Emerita Augusta, important Roman town, in its day.

Pleasantly enough there was a swimming pool at the hotel to cool us down!

Los Martinhos de España

Martinho

Por alguma coisa me deram o nome de Martinho… nunca tive outra informação que não fosse em honra do tio do meu pai, Martinho Caldeira Ribeiro. Este tio era um homem alto e forte, que cheguei a conhecer em muito pequeno, numa das suas poucas visitas a Lisboa!

O tio Martinho vivia desde a guerra civil de Espanha em Madrid. A sua residencia ficava no centro da capital espanhola mais própriamente na Calle Velazquez.  Teve várias filhas e finalmente um filho o Martinhito.

Este filho que tem sensivelmente a mesma idade que eu é portanto primo direito do meu pai. O Martinho era por conseguinte um nome de que se ouvia falar mas para mim desconhecido,tanto o pai como o filho!

Por falta de dados não posso fazer nenhuma descrição aprofundada sobre o Martinho senior sabendo entretanto que foi monárquico e que defendeu essa causa em Portugal. Como o Martinho filho tinha as suas raízes em Portugal era normal e natural que fizesse uma visita ao país de seu primogénito.

Os primos de Sintra terão tomado iniciativa de o convidar a Portugal e nesse programa planeou-se tambem uma estadia connosco na casa da Praceta em Carcavelos. Era normal até porque aí vivia a tia do Martinho a minha avó Bua. O Martinho não tinha ainda visto o mar e isso era algo que todos antecipavam com alguma excitação, incluido certamente ele próprio!

Lá nos contaram essa primeira experiencia e acabou por vir uns dias para Carcavelos com o Nuno nosso primo de Sintra passar uns dias. Fez-se praia e foi divertido não tendo eu sentido nenhuma dificuldade em entender a lingua castelhana que falava!

Era engraçado ter uma coneção espanhola que com a visita a Portugal do Martinho se materializou penso que no verão de 1967.
A terceira geracão de Martinhos está representada por Martinho Soto que teve a amabilidade de me conceder esta foto em que figuram seu pai e avô.
Martinho2

Intermezzo in Hamburg

Hamburg

The summer of 1972 had but one purpose! Meet the families and spend time together. Mona had heard me enough times talking about Portugal and the speculations about when getting back could become a reality. Her own curiosity was also there…If we bought an Interrail ticket in Finland we could use it from Sundsvall to very close to the Portuguese frontier. This would be an opportunity to meet my grandmother Bua, my parents, brother Pedro and sister Joana!

It was settled. The Inter rail ticket meant that we could travel throughout Europe without extra cost if travelling in second class and on ordinary trains. We left Scandinavia via Rödby in Denmark on the ferry to Germany on the 3rd august. Our first stop in Germany was in Hamburg. We did not stay in hotels if we could avoid them. But we had to eat.

Areas around central stations are unpleasant and sometimes dangerous. We looked for a place to eat not far from the station. This was before the times of fast food chains as we know them today. As we were eating and from nowhere a gang of thugs (young men, acting aggressively) approached our table and started to provoke me by taking chips off Mona’s plate and putting them near her mouth. I honestly did not know what to do, but felt I could not resolve the situation by any other means than getting beaten up. I chose not to and it bothered me for some time to think what a coward I was. Mona never mentioned and did not seem to think I should have acted in any other way! My first German experience was not very positive.

That night the trip continued towards Switzerland and the impecable city of Geneve. Even there my new leather jacket came to good use!

Abençoadas drageias

drageias

Tive a sorte de ter nascido depois das grandes guerras e por conseguinte usufruído do periodo de paz pós guerra dos anos 50 e 60. Havia uma preocupacão especialmente por parte da  minha mãe que teria a sua proveniencia, na sua própria adolescencia londrina no periodo da guerra. Era necessário evitar as doenças e para isso era imprescindivel uma alimentação especifica com alguns fortificantes.

Ao pequeno almoço sempre os flocos de aveia cozidos e acompanhados de  leite. Os fortificantes britânicos eram o Bovril mas principalmente o óleo de figado de bacalhau que passava duma garrafa para uma colher e depois ingerido pelas guelas abaixo. Abençoado o dia em que se inventaram as drageias que substituiram as colheradas! Em caso de adoecer era um cházinho e uma aspirina! Outro dos remédios que se usavam para combater narizes entupidos ou resfriados era o Vic Vapour Rub que se esfregava no peito e que mais tarde e após observar a minha avó Bua até se punha nas narinas! Quando era muito pequeno recordo-me de me terem posto uma massa quente no peito para curar qualquer coisa. Terei sonhado isto?

O mal de ordem fisica  que mais me apoquentou nos primeiros anos foi a urticária. Cheguei a ter que ir de consulta ao Dr. Rosa Paixão que com aquele nome só podia ser muito boa pessoa! A urticária lá passou um belo dia e nunca mais me afectou. Tambem tive verrugas nos dedos que foram tratadas numa farmácia na rua de Campolide. Fui lá umas vezes, punham-se umas gotas e aquilo acabou por desaparecer!

O meu mal mais dramáico teriam sido as queimaduras que apanhei na praia de Carcavelos quando decidi ficar tão bronzeado como os restantes amigos da mesma idade! Apanhei um verdadeiro escaldão e apanhei febres altas tendo que se chamar um médico para a casa da Praceta.  Naquela época havia o Caladryl, um liquido cor de rosa que aliviava as queimaduras. Nunca mais me preocupei com os bronzeamentos…sou branquinho e não há nada a fazer!

A Bua

Votre beauté

A maior parte das pessoas que tiveram uma avózinha sabem do que estou a falar. A minha era a Bua. Aos meus olhos era uma pessoa excepcional. Nascida no norte e lá criada acabou por vir para Lisboa. Quando a conheci (por motivos óbvios) já depois do meu nascimento em 1952 vivia na Rua Sampaio e Pina logo ali ao pé da Artilharia 1 e com vista para um dos muros do Liceu Maria Amália.

 No apartamento enorme do r/c onde vivia sózinha passava quase o tempo todo no quarto da frente. Num dos quartos interiores havia boiões que eram para ser enchidos por cremes de beleza que fazia. Tambem escrevia no Século- Modas e bordados- sobre  temas que interessavam as senhoras. Sabia francês e era naquelas revistas “Votre Santé” e “Votre Beauté” que se inspirava para tudo o que fazia e que ocupava o seu maior interesse. Admirava imenso a coqueluche do cinema francêss durante aqueles anos -a Brigitte Bardot! A minha avó gostava de animais especialmente dos felinos e de crianças. Penso que não tinha muita paciencia para os adultos!

 Na casa dela havia sempre qualquer coisa que enchia de curiosidade um menino tão pequeno. Um dos pontos altos do dia era a passagem do camião do lixo com toda a atividade relativa ao acontecimento como o despachar e triturar daqueles lixos organicos.A porteira- a Sra. Zulmira- tambem aparecia e tinha os seus franguitos e coelhos no pátio traseiro.  Depois haviam coisas que chamavam a atencão e que tinham que ver com a alimentação da Bua. Era lacto-vegetariana. Ía comprar, tambem em boiões de vidro, numa mercearia logo ali ao pé, os yoghurtes que nessa época ainda eram uma raridade. O leite era Vigor… Em plástico é que não vinha nada!

 Logo ao virar da esquina estava o meu primeiro barbeiro. O penteado era sempre o mesmo!À máquina de tosquear dos lado e atrás com a respectiva cócega insuportável e depois a poupinha à americana!