Holiday on Ice e pastilhas elásticas

Tuggummi

Penso que qualquer criança sente interesse e até orgulho naquilo que fazem os pais. O meu pai por exemplo teve vários empregos que eu associo como tendo a particularidade de serem fora do vulgar.

Vou hoje descrever algumas memórias de dois desses empregos. O que o meu pai fazia nessas empresas não faço ideia mas penso que estaria um pouco na base daquilo que hoje se descreve como Public Relations.

No principio da década de 60 viviamos nós na Rua A às Amoreiras apareceu lá em casa uma máquina que teria feito a curiosidade e atraído a gulosice de qualquer criança- era uma máquina suponho americana, de vender pastilhas elásticas. Ora isto era uma novidade em Portugal e o meu pai concerteza que andaria a fazer vender a máquina no que suponho seriam cafés ou outros estabelecimentos comerciais.

As pastilhas em forma de esferas multiculores eram um chamariz demasiado violento para mim e para o meu irmão Pedro. Descobrimos a chave e lá iamos sorrateiramente tirando umas pastilhas de vez em quando. Finalmente lá deu para reparar que o numero de pastilhas tinha diminuido considerávelmente pelo que levámos um descompustura e nunca mais vimos a máquina lá em casa.

Outro trabalho que teve o meu pai foi para a companhia ”Holiday on ice”. Quem não conhece os shows de patinagem sobre o gelo da Holiday on ice? Este trabalho levava o meu pai a fazer várias viagens ao estrangeiro para preparar as turnés da companhia. Foi assim que tivemos a oportunidade de ver dois shows mesmo bem perto dos palcos de gelo. Recordo-me que umas dessas vezes foi mesmo no próprio estadio de Alvalade. Terá sido no Coliseu dos Recreios a outra vez?

O meu querido Sporting

sócio sportingComecei muito cedo a ir ao Estádio Alvalade. Talvez lá para 1960. Ía com o meu pai que era sócio e ficávamos quase sempre num lugar cativo que ele tinha na bancada central. Do lado oposto era o peão. Gradulamente fui passando a minha atenção de andar a apanhar caricas, para ver o que se passava dentro do campo! Às vezes ao intervalo mudávamos de lugar para acompanhar melhor o ataque do Sporting.

O momento alto dos jogos era a entrada dos jogadores em campo. Naquela altura os jogadores não faziam aquecimento dentro do campo. Primeiro entrava a equipa visitante, quase sempre acompanhada duma série de assobios. E ficava-se à espera do nosso querido Sporting. Levantava-se um burburinho quando se topavam as cabeças dos jogadores à entrada do túnel que tinha umas escadas que conduziam ao campo e que os jogadores tinham que subir.

De repente entravam, sempre a correr e em fila indiana. Era uma emoção fora do vulgar que se apoderava do publico. Se estava cheio o campo ( se a casa estava boa) era um barulho infernal!

Via quase todos os jogos em casa e algumas vezes, Restelo, Atlético ou Setúbal, íamos fora.

Adoro o meu clube mas não menosprezo os outros. O clubismo em Portugal desviava e desvia ainda a atenção às questões politicas e sociais. Prefiro recordar-me com nostalgia a Maria José Valério a inspirar-nos com a sua “Rapaziada ouçam bem o que lhes digo e gritem todos comigo- Viva o Sporting!”