Vai-se reeditar o O’Neill?

 

Voltámos a falar este verão eu e a Maria Antónia Oliveira. Fiquei a saber que  vai reeditar a biografia de Alexandre O’Neill. Não deixo de ficar impressionado com o fenónemo que deve atingir a biógrafa. Por esta altura a Maria Antónia já deve saber mais sobre o poeta do que ele próprio já saberia de si próprio.

Voltámos ao tema dos tempos em que viviamos sob o mesmo tecto, eu, a minha mãe e o Alexandre.

Não sei se terei contribuido com mais informações que possam ter alguma utilidade para a reedição da biografia. Mas para me reeditar um pouco serviu bem este encontro. Ao O’Neill devo uma vivencia curta mas desenvolvente de experiencias. Poucos poderão dizer que em tão novos pudessem ter tido essa proximidade de imortais da literatura como o Luis de Sttau Monteiro e do própio Alexandre. Além do sentido de humor e do dominio da lingua portuguesa com trocadilhos bem dirigidos, devo-lhe concerteza ter escutado Yves Montand e a musica poética francesa que tanto apreciava.

Tambem o conhecimento e afinidade com que fiquei daquele espaço restrito que é a freguesia de S. Sebastião da Pedreira e mais própriamente aquelas terriveis e ingremes encostas que ascendem à Escola Politécnica e onde ficava situado o Instituto Britanico que me roubava a mãe e o apendice logo ao lado, que era a a tasca do Sr. Serafim.

Quero desejar à Maria Antónia boa sorte para o novo livro. Com humor e rigor O’Neill deixou-nos mais pobrezinhos, (mais de plástico por ser mais barato). Com o teu trabaho  fizeste reviver o homem e a obra. Um rato e um anjo da guarda para cada um em Portugal. Estamos bem entregues!

Retalhos da vida de um poeta

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A passagem de cada um de nós, aqui pela terra, é verdadeiramente curta. A tal imortalidade de que se fala só atinge uns poucos, quase sempre aqueles que deixaram algum testemunho de genialidade escrito, pintado ou esculpido. Outros andarão esquecidos para sempre. Ainda outros, “os coitados, imaginam-se poupados, pelo tempo e às escondidas partem pra novas surtidas”. Mas todos, mortais e não tem hoje com a técnica de informação, a oportunidade, de se encontrar referenciados. Através da internet e dos bilhões de referencias registradas. Aqui vão mais umas para darem com o Alexandre O’Neill.

A asma fazia dele um escravo da bombinha no entanto não dispensava do Portugues Suave, mas dos gatos mantinha distancia. Já dos cães era pavor. Adivinho que terá havido um trauma talvez de infancia, quem sabe senão lá para os lados de Amarante. “Cão maldito, sai depressa ó cão deste poema”.

À publicidade andava remetido. Na Telecine se faziam os filmes e volta e meia era para Cannes que se ía…saber se a algum prémio havia direito.“Quem anda aí. É BP gas, o gaz que está onde tu estás”.

Havia nomes que circulavam , pessoas que nunca conheci como Alain Oulman ou Cardoso Pires. Sttau Monteiro a excepcão. Outros como Amália eram sobejamente conhecidos. Da Amália se falava lá em casa, naquele período mais fecundo, que com a música de Oulman subiu uns patamares.” Que perfeito coracão no meu peito bateria”.

Nesse periodo em que viviamos na Calçada Eng. Miguel Pais 47- 4 era a música de Guershwin e dos franceses Bécaud e Montand, que saltava do gramofone. Este ultimo um favorito com o seu estilo poético e bem soletradas palavras  “Partir pour mourir un peu, a la guerre”.

Uma vez fomos ao futebol se não me engano era o Lusitano de Évora que visitava aquele majestoso Estádio da Luz. Impressionei-me de ver jogadas em que os jogadores do Benfica jogavam contra a própra baliza. Do futebol não penso que tenha deixado nem um verso.

Era de resto a Caparica que puxava,levavam cacilheiro e depois autocarro,  mas para viver não havia nada como a Politécnica e as íngremes subidas que tambem eram descidas e que às vezes levavam á tasca do Serafim mesmo á frente do Britanico.Era segundo percebi uma segunda casa e quem sabe se às vezes mesmo a primeira.

Pois é velho O’Neill, isto ainda dava muito pano pra mangas. Pena não poder voltar atrás no tempo para termos prolongado a nossa conversa naquela noite em que nos encontrámos ao balcão do Lira d’Ouro e onde vocemece muito provávelmente passava em revista tanta coisa que afinal o levou à imortalidade.

 

Travels with Grandpa 2010 (12)

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Day before last in Lisbon… We played cards the whole day and ordered dinner from a restaurant across the road. This restaurant is owned by a man from Bangladesh.
Helena isn’t feeling so well so she stays in as Uncle Pedro, Grandpa
and Patricia travelled to S. Pedro to meet Great grandma Pamela. In the evening the grownups went to the Fado in Rua da Rosa. Fado, we were told is typical Portuguese singing. It was not of the best quality according to Grandpa but the food was OK at the Forcado restaurant.
After that they still had time to sit in the Chinese Pavilion and recover with a drink. -Cheers, Grandpa!

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Last day in Portugal… Andrea arrives in the evening and Grandpa invites everybody back to the nice Nepalese restaurant. Grandpa opens a bank account in a bank in Portugal. We spend most of the day packing and planning on how to get to the airport and if we will get there on time.

Getting to the airport was a piece a cake thanks to Grandpas meticulous planning. We arrived at the airport in good time after catching two separate cabs. After the usual waiting periods we could at last go on board. This plane was called Alexandre O’Neill. When we thought we were about to take off, the plane turned back. The explanation was that the luggage hatch had not been properly closed. O’Neill had decided to pull one on us”-Ó Portugal se fosses só tres silabas, de plástico que era
mais barato”. We left Portugal as always with mixed feelings and already with some melancholy and longing to this country where only the unexpected can be expected. –”Onde só o imprevisto é previsivel e onde um
Portugal desconhecido sempre espera por si”. In Stockholm we were met by floods of rain.

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Travels with Grandpa 2010 (11)

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We travelled with Helena to Great grandpa at Guerra Junqueiro avenue -where we all could relieve ourselves. After that Greatgrandpa drove away towards the mountains in Sintra and on our way there we got acquainted with the coast and the impressive Atlantic waves. We all ate at a restaurant.

As this was happening we were curious to know what Grandpa and Patricia were up to in Viseu. They visited a very large mansion that had belonged to Patricia’s family and that had now been rebuilt for rural tourism for foreigners. The house had been bought by a Dutch couple and now it was owned by English people. Patricia got very sentimental as she had such strong memories from this place. In the evening and after long farewells with kisses and hugs Patricia and Grandpa left father-in-law Julio brother-in-law Cristóvão (Quitó) among a number of newly acquired family members!

Sunday! The whole group went to Belém. Grandpa showed the way on the tram from Terreiro do Paço. It was boiling hot and Vótetta had made
sandwiches, for our picnic. Grandpa and Patricia went into the Belém
tower. Nobody else had the strength. D & D were also there and that was fun. Eventually we all went back for a short visit to Jerónimos.
Back in S. Bento, we kids went to the Estrela Park and lived an adventure with some other children. We ate out and Daniel and Jonatan followed with Grandpa for a glimpse of the Pombal statue.

We now lived through the hottest day. Temperatures were up in the 40s. We took a taxi to the Amoreiras where Grandpa opened a bank account.  Jonatan and Grandpa had a haircut in Algés.
After that we could only stay indoors and wait for the sun to go down a bit. We visited the Poets Park in Paço d’ Arcos, and Grandpa explained about some of the writers and especially   Alexandre O’Neill that Grandpa had lived with as a child. We now know that Grandpa has spoken to two people who are now statues O’Neill and Eusébio. Afterwards we went back on Vótetta’s car and looked for a restaurant where they could hit dead crabs with a hammer. Liv and Helena had gone to the beach and Liv got a rash.

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O Jardim Cinema

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Já escrevi sobre o cinema e volto hoje ao assunto. Quando vivia na Escola Politécnica acontecia ir ao cinema sózinho. Os filmes estavam categorizados por idades. A partir dos dez anos a meta para mim eram os filmes para maiores de doze anos. Haviam cinemas em que os porteiros fechavam os olhos e deixavam entrar. Eram os cinemas preferidos…Ao pé de casa havia o Jardim Cinema. Tinha esse cinema uma particularidade que penso era única. As cadeiras eram de verga. Sabe-se lá porquê? Dizia-se que as poltronas de palha eram boas para apanhar pulgas. Um dos meus atores preferidos nessa  época  era o Jean Marais, mas tambem havia o Charlton Heston e o Eddie Constantino.

Na Costa da Caparica havia tambem um cinema. Na Costa a minha mãe e o Alexandre O’Neill lá por 1963 alugavam um primeiro andar numa vivenda ou moradia. No andar de baixo encontrei a Marisa, miúda muito gira, pela qual me apaixonei, como não podia deixar de se, pois eu era um verdadeiro pinga-amores.  No cinema da Costa era fácil entrar para ver filmes para maiores de 12. A Marisa tambem foi pelo menos uma vez. Era tudo muito inocente. Eu emprestava-lhe o meu braço para ela beliscar quando aparecessem cenas mais assustadoras. Um filme que deixou marca foi “ A Mão Maldita”. Impressionou-me bastante pois a mão aparecia com uma luva branca e acenava causando sérios acidentes aos desgraçados protagonistas e ao meu braço, claro está.http://cinemaaoscopos.blogspot.se/2009/11/jardim-cinema-1930-1979.html

 

A francofonia em Portugal

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Relembrando a década de 60 e a música,a que gostávamos de ouvir, muito especialmente em disco, era francesa! É importante não esquecer, de facto, que a cultura francesa ocupava em Portugal um papel de bastante destaque. Basta lembrar que na escola e passada a 4ª classe era o francês que aparecia como primeira lingua estrangeira! Éramos muito mais francofones do que anglofones!

Felizmente para nós hoje, é fácil por intermédio da internet aceder a quase toda aquela música que pensávamos não mais podermos escutar. Eu, por exemplo, encontro quase tudo no Spotify. Mas naquela altura o gira discos era um móvel e quando era avançado podiam-se meter vários discos que iam caindo automáticamente, quando o braço chegava ao fim de um disco, para recomeçar noutro!

O meu primeiro contato com a música francesa foi por intermédio do interesse que tinha Alexandre O’Neill por alguns grandes nomes dessa época. Enumero especialmente dois que se escutavam na Eng. Miguel Pais muitas vezes. O Yves Montant e o Gilbert Bécaud. A “Nathalie” do Bécaud era não só musicalmente e vocalmente fantástica mas continha um texto que na ditadura era quase subversivo, pois tratava de uma guia russa em pleno Moscovo!

Uns anos mais tarde apareceram novos nomes da onda de rock e pop que tambem acabariam por fazer parte das nossa coleções discográficas agora adaptadas ao gira discos portátil!

Quem se esqueceu da Françoise Hardy e do seu “ Tous les garçons et les filles”? Esta música já apareceu no tempo da Praceta de Carcavelos! Depois tínhamos o Adamo, a Silvie Vartain e o Johnny Halliday! Vive la diférence!

Pinworming in the sixties

hornblowerIt was about the time when Kennedy was assassinated…We lived at Engenheiro Miguel Pais, top floor. I do not remember where I went to school but it was either the Valsassina or the Pedro Nunes. This school period was never seen as being a great achievement on my part. Not by me, not by anyone else!  I have other memories.

I shared my room with a couple of budgies that increased in their numbers. They were quite happy to reproduce in their small cage and I suppose I took good care of them. I happily enjoyed radio plays with lots of action.

I had chosen to live with my mother and she was together with the poet and at that time also advertising creator Alexandre O’Neill. Sometimes we went out! At one time we quite often visited another couple. It was at João da Camara Leme’s and Minna’s posh apartment that these gatherings took place. Camara Leme was an artist and created illustrations for book covers and I think it was through this connection that I discovered my childhood’s favourite books- those about Captain Hornblower.

How we got to the apartment I honestly do not remember, taxi perhaps. I do not think O’Neill had a driving license; he certainly did not have a car. More often than not we would also meet up with Sttau Monteiro and Maria do Vale. What I did to entertain myself I do not know but in those days there wasn’t much so I suppose I listened to what the grown-ups talked about and that was specially rewarding as they were interesting people as anyone might understand. O’Neill was at one time rather excited about a recording he had done on 45rpm. On this recording he read out some of the poems that have made him a reference on the surrealistic style he pursued. I’ m sure Maria said that I behaved well, even though I suffered a lot on many of those evenings!

My guts were infested by pinworms- I was suffering from Enterobiasis.  These worms are white small parasites that in the evenings give you hell as they lay eggs literally on the regions of your anus giving you the most intensive and maddening itch. I remember how worried and at times feverish I got. It was embarrassing to talk about it so I kept quiet. The pinworm also known as thread worm is harmless and easily eradicated and when I told my mother she quickly got me a cure and a -don’t think about it anymore!