A indústria de conhecimentos

 

Liceu Oeiras

Entrei para o Liceu Nacional de Oeiras no ano lectivo de 1965/66.  Deram-me o numero17, da turma P do 3º ano, primeiro do segundo ciclo.

Cada aluno tinha um número para simplificar a identificação individual até porque cada turma teria até 40 alunos. Era gente a mais para que os professores conseguissem distinguir os alunos que não sobressaísem por qualquer motivo. Como o meu nome começa por jota ficava geralmente a meio da tabela. Puseram-nos num barracão, provávelmente porque a escola estava a abarrotar. À tarde eram os rapazes e de manhã as raparigas. Às vezes e se chegávamos mais cedo ficávamos a  vê-las saír. Era uma industria de conhecimentos a entrar e a saír.

Das 5 disciplinas que tinhamos tido no primeiro ciclo passámos a ter 9. As lições comeavam com a chamada a que os alunos respondiam “pronto” sabe-se lá porquê… Os professores “sôtores” davam as suas matérias, faziam provas orais e escritas, davam trabalhos de casa. Anotavam tudo nos seus pequenos cadernos. No espaço da sala de aula eram soberanos. A nossa vida estavava-lhes entregue.

Uma das novas disciplinas para nós era o inglês. Esta disciplina era por mim há muito ansiada…é que eu falava inglês…

Após a primeira prova em que terei respondido a tudo corretamente fiz logo uma série de amigos. O que estava imediatamente atrás de mim tinha  a particularidade de lhe crescer o pescoço alguns centimetros quando faziamos provas escritas.

Hei-de contar mais episódios sobre os meus três anos no Liceu de Oeiras em que fica provado como o sentido de humor e a enorme fantasia para dar nomes aos professores e ver a parte mais cómica das coisas tão forte está enraizada no nosso povo!