Prisoner 885/63

CIMG0279

I remember how excited we were when asked to host a comrade from the ANC in Sundsvall. It was in autumn of 1987. I had been involved in international work for the Social democratic party for some time. It was now just about one year since our Prime Minister Olof Palme had been murdered. What better way to honour his memory but to work politically and internationally.

It turned out that it was Indres Naidoo exiled ANC member that would come to stay with us in Sundsvall for a few weeks where he would participate and study different activities connected with our political life at the local and regional levels. Indres was a prisoner at the renown Robben Island  between the years of 1963 and 1973. There was a book published by Penguin in 1982 “Island in chains”. In it Indres describes to Albie Sachs what life was like when chained down by a rasist regime .

A flat was rented for him in Skönsberg and I followed him whenever I had the opportunity. Indres was here as part of a program of solidarity where Sweden stood firm when many other countries ignored the struggle against the system of apartheid.

This is how Indres described his sortie from Lusaka, Zambia where he was working at the time.” I got to Zambia and while I was there, I was appointed to go to Sweden. It was chaotic. Only two of us were on the plane instead of nine. There was chaos between ANC and the Swedish embassy in Lusaka. The two of us landed in Stockholm and a week later the others joined us. The Social Democratic Party was having a congress in Stockholm and Prime Minister Carlsson invited us to have lunch with him, all of us. But, unfortunately, because only two of us had arrived they had to cancel that. However, there was a big welcome for us. We also went to attend the Social Democratic Party congress. I looked around and the first thing that struck me was all the red banners and the letters SAP. I started to laugh and said: ‘Oh God, SAP—South African Police— everywhere’. But I realized that SAP was short for the Swedish Social Democratic Party.”

Indres and I in 1987.

indres

O 25 de abril de1974

cravo

Todos guardamos memórias daquelas em que se pergunta: O que estavas a fazer quando aconteceu tal e tal?

Essas memórias costumam ser negativas, associadas a alguma calamidade ou a algum atentado que nos marcou por tambem nos afetar direta ou indiretamente. O primeiro evento de que me recordo foi no dia 22 de novembro de 1963. Tinha 11 anos e vivia na Politécnica em Lisboa. Recordo-me dessa noticia e exactamente onde estava, que era no apartamento na Eng. Miguel Pais. Senti a apreensão e preocupação dos adultos à minha volta.Havia uma insegurança em fazer grandes alaridos pois o assassinato do presidente Kennedy era do foro das politicas.

Do mesmo tipo foi o assassinato a Olof Palme, primeiro ministro em exercicio, no dia 28 de fevereiro de 1986. Vivia já na Suécia e foi um amigo chileno que me acordou ao telefone na manhã seguinte para informar do sucedido. Pensei que fosse uma brincadeira de mau gosto, mas nesse mesmo dia organizaram-se e participámos numa manifestação de solidariedade e pesar no centro de Sundsvall.

No dia 11 de setembro de 2003 estava com a Mona em Oslo para ver a seleção nacional de futebol jogar um amigável com a Noruega. Por telemóvel chegou-nos a noticia que a nossa ministra de Negócios Estrangeiros Anna Lindh havia sido vitimada em atentado com faca numa loja de Estocolmo. Ficámos apreensivos e só no dia seguinte depois de muitas notícias contraditórias ficámos a saber que Anna não tinha podido sobreviver aos ataques  do dia anterior.

A informação que recebi dos ataques ao World Trade Centre de Nova Iorque no dia 11 de setembro de 2001 foram dados numa reunião de pais duma nova classe na escola de Katrinelund onde trabalhava na altura. Recordo-me de ter comentado se não teria sido um filme ou piada de mau gosto o que me estavam a contar.

Estas noticias, todas de cariz negativo e calamitoso só podem ser acompanhadas de uma noticia positiva. Foi de manhã no dia 25 de abril de 1974 que a minha sogra informou que estavam a correr algumas noticias sobre acontecimentos em Lisboa. Terei encolhido os ombros e recordo-me ter pensado que não devia ter sido nada de mais. Mas foi ,e terei ocasião em futuros textos de repartir convosco como os eventos foram seguidos por uma pessoa, das muitas, que não estando lá, muito gostariam de ter estado. Nascia um novo Portugal!

Datas e dados

Embarque

Há datas que ficam marcadas na memória individual e colectiva. Talvez mais o acontecimentos do que as datas em si. Naquele começo da década de 60 em que eu próprio começava a perceber e a interessar-me algo sobre o mundo recordo-me de algumas e vou aqui no blogue referir-me a elas tentando recordá-las como as vivi e não fazendo análises,  hoje fruto de acumuladas experiencias e conhecimentos posteriores aos acontecimentos em si.

Nos principios de 1961 corriam noticias nas emissoras  nacionais em como nas provincias ultramarinas, mais concretamente em Angola grupos de terroristas tinham morto uma série de pessoas inocentes. A palavra terrorista era nova e não sei muito bem se sequer a sabia dizer com os meus então 9 anos de idade. Curiosamente as pessoas à minha volta não falavam destas noticias nem se travava um diálogo informativo sobre o que verdadeiramente se passava. Tenho a certeza que os adultos discutiam os acontecimentos em grupos restritos e tentariam por intermédio da imprensa estrangeira colher mais dados.

Mais tarde nesse ano recordo-me, ao entrar para a lição de canto coral no colégio Valsassina de alguem falar ou referir que as nossas provincias na India, Goa, Damão e Diu tinham sido atacadas e ocupadas por tropas indianas. Na minha cabeça só via um série de sujeitos de turbante a ocupar umas terreolas e que isto tinha causada tanta indignação no nosso governo que um senhor velhote de voz esganida se tinha queixado imenso. Penso que naquela altura pensei mesmo que os portugueses com as tropas ali da Artilharia 1 já estariam a embarcar para a guerra da India. Não aconteceu nesse dezembro de 1961.

Uma terceira situação essa sim universal foi a noticia de que o presidente Kennedy tinha sido morto a tiro em Dallas.Isto ocoorreu em 1963 no dia 22 de novembro e quem estava vivo nessa altura certamente que se recorda onde estava e o que pensou. Eu estava no hall de entrada da casa da Eng. Miguel Pais. Fiquei triste e chocado, pois o presidente Kennedy parece que era considerado e querido da maior parte das pessoas.

O Jardim Cinema

jardim cinema

Já escrevi sobre o cinema e volto hoje ao assunto. Quando vivia na Escola Politécnica acontecia ir ao cinema sózinho. Os filmes estavam categorizados por idades. A partir dos dez anos a meta para mim eram os filmes para maiores de doze anos. Haviam cinemas em que os porteiros fechavam os olhos e deixavam entrar. Eram os cinemas preferidos…Ao pé de casa havia o Jardim Cinema. Tinha esse cinema uma particularidade que penso era única. As cadeiras eram de verga. Sabe-se lá porquê? Dizia-se que as poltronas de palha eram boas para apanhar pulgas. Um dos meus atores preferidos nessa  época  era o Jean Marais, mas tambem havia o Charlton Heston e o Eddie Constantino.

Na Costa da Caparica havia tambem um cinema. Na Costa a minha mãe e o Alexandre O’Neill lá por 1963 alugavam um primeiro andar numa vivenda ou moradia. No andar de baixo encontrei a Marisa, miúda muito gira, pela qual me apaixonei, como não podia deixar de se, pois eu era um verdadeiro pinga-amores.  No cinema da Costa era fácil entrar para ver filmes para maiores de 12. A Marisa tambem foi pelo menos uma vez. Era tudo muito inocente. Eu emprestava-lhe o meu braço para ela beliscar quando aparecessem cenas mais assustadoras. Um filme que deixou marca foi “ A Mão Maldita”. Impressionou-me bastante pois a mão aparecia com uma luva branca e acenava causando sérios acidentes aos desgraçados protagonistas e ao meu braço, claro está.http://cinemaaoscopos.blogspot.se/2009/11/jardim-cinema-1930-1979.html

 

O internato (2)

Pedro Nunes

Uma grande preocupação que me apoquentava quando estava internado era não saber nada dos nossos pais. Às vezes passavam-se o que me parecia períodos muito longos em que não apareciam. Quando há separações nas famillas e há menores implicados são quase sempre estes as maiores vitimas! Isto a propósita de ter aparecido no Valsassina na condição de aluno interno.

Em relação ao Colégio ele fica situado no topo dum monte. Na sua parte mais velha e passados os portões, encontravam-se os edificios mais antigos. Era uma casa senhorial na chamada Quinta das Teresinhas. No dia 27 de Novembro de 1948, Frederico César de Valsassina compra a Quinta das Teresinhas pela quantia de 1.200 contos.

Quando fiz a primária tinha as aulas num pavilhão que ía dar a uma sala maior em que faziamos a ginástica. Mais para baixo encontrava-se o edificio onde terei feito o primeiro ano do liceu e de onde me lembro do prof. Nuno Crato que tinha  a particularidae de fumar nas classes e o arquitecto Bairrada com as suas réguas de correção de maus comportamentos. Muitoas vezes me aqueceu a mão com a sua Ramona ou a Pantera Negra. A maior parte das vezes sem perceber porquê…Talvez alguem se recorde dos professores de Lingua e História Pátria, Francês e Ciencias Geografico-Naturais?

È bom recordar que os edificios (modernos e antigos) apenas ocupavam uma área restrita da totalidade da quinta que albergava o Colégio. Lá para baixo haviam ribanceiras florestais onde alguns dos rapazes mais velhos construíam esconderijos que eram como “cavernas secretas”. Nós, os mais novos, tinhamos curiosidadae em saber o que por lá se passava.

Uma memória que associo à condição campestre do Colégio era a enorme preponderancia de pirilampos que às vezes apanhávamos e levávamos para as camaratas no intuito de criar alguma excitação na alttura do “recolher obrigatório”.