O instituto Britânico

institutoO Instituto Britânico na Rua Luis Fernandes em Lisboa bem perto da Escola Politécnica  foi parte integrante da mina vida. Se por um lado era o Instituto que me levava a mãe a não estar muito em casa era tambem motivo de orgulho e um sitio que sempre me foi acolhedor.

A minha mãe dava lá lições de ingles para adultos. Fé-lo durante anos desde a idade dos 30 até se reformar. A sua vida estava intimamente ligada ao Instituto. Cheguei a frequentar uma classe noturna dela sendo a única criança presente e consegui aperceber-me que a mãe Pamela tinha dotes de pedagogia. Era estimada pelos alunos! Na foto está ao centro com uma das suas classes!

O casarão em que fica o Instituto é o antigo palácio onde residiu o milionário brasileiro Luis Fernandes conhecido como o menino de oiro. Foi adquirido pelo British Council e aí ficou instalado desde 1951. O British Council deve promover e fortalecer a cultura Britânica.

Guardo muitas memórias do Instituto. Foi aí que na Televisão vimos o casamento da princesa Margarida em 1960. Gostava particularmente da biblioteca bem rechaeada de livros e revistas de futebol onde passava horas.

Nos jardins havia uma relva bem cuidada e uma árvore que dava romãs.Tinha o seu ambiente único, os seus cheiros particulares e cá fora havia a tasca do Sr. Serafim onde o pessoal do instituto se encontrava para confraternização e refeições que segundo me diziam às vezes eram fiadas para os clientes mais habituais.

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O Transpraia e a prova dos noves

 

Transpraia

Portugal é um país de praias. Quase ninguem hoje deixa de ter uma relação com alguma das muitas praias de mar que temos ao longo da nossa costa.  Ora bem, se a Praia das Maçãs foi a minha primeira praia e Carcavelos a ultima tem a Costa da Caparica o titulo de intermediária. As minhas primeiras memórias dessa praia estão relacionadas com o passeio que se fazia para lá utilizando diversos meios de transporte. Ainda não havia a ponte e tinha que se apanhar um cacilheiro aberto com o sem transporte de carros para fazer a travessia. Chegados à outra banda apanhava-se um autocarro que fazia uma viagem ainda prolongada pois passava por aldeolas e lugares até finalmente chegar à Costa.

Neste principio de década era com a minha mãe que me recordo ir. Tinha lá as suas amigas e recordo-me por exemplo da Maria José que tinha feito duma garagem casa de veraneio. O ambiente da Costa era diferente. Ainda era uma vila de pescadores. Mas os Lisboetas cada vez mais procuravam esses quilómetros de areia para fazer praia. Ainda por cima o pequeno comboio da Transpraia tinha sido inaugurado em 1960 o que permitia chegar mais longe a sitios desertos de gente!

 

Nos meses de inverno os barracões dos diferentes banheiros lá tentavam sobreviver às forças do mar que quase todos os anos galgavam a praia e destruíam essas contruções de madeira.  Nesta época começa ficar claro que a matemática não é o meu forte na escola. A minha mãe contacta uma senhora já velhota num desses barracões que me punha a fazer enormes contas de multiplicar às quais tinha depois que tirar a prova dos noves. Agora tenho uma pergunta aos queridos leitores…Quem já fez provas dos noves levante o braço ou exprima-se de qualquer outra forma… Hei-de voltar ao tema da Costa pois há bastante ainda para contar.

As feiras populares

Feira_Popular_de_Lisboa

 Uma das delicias da minha meninice era a Feira Popular…ou melhor, as feiras populares. Estou-me a lembrar de diferentes locais onde a Feira esteve antes de se mudar para Entrecampos. Esteve nos jardins da Gulbenkian, à volta do velho estádio Alvalade, no Jardim da Estrela e foi nossa vizinha em Campolide no Campo da Aliança que ficava atrás da Artilharia 1.

 Todos os anos faziamos questão de ir e geralmente com grande orgulho trazíamos umas garrafas de vinho que ganhávamos, a lançar argolas de madeira. Era o ponto alto quando tal acontecia, pois já não ìamos para casa com as mãos a abanar! O meu irmão Pedro Pinheiro era perito em fazer render os tostões na feira. Havia certas coisas que não gostávamos de perder.Eram os carros de choque onde a minha mãe uma vez entalou o pé, o comboio fantasma ( arrepiante) e o Poço da morte! Depois eram os comes e bebes e a obrigatória bica dos adultos no Café dos Pretos. Nesse café eram mesmo africanos que trabalhavam e em Lisboa nessa altura ainda se achava exótico ser servido por africanas ou não fosse Portugal um grande Império Ultramarino! Mas adiante!

 Quem não gostava de ir? Era uma atividade em familia excepto quando se instalou literalmente debaixo da nossa janela na Rua A às Amoreiras. Como éramos vizinhos entrávamos sem pagar e um senhor com um apraelho que colocava na garganta para se fazer ouvir dava as ordens ou cortava bilhetes.Posso dizer com certeza que lá estive no ano de 1960 pois apareceu lá um jovem Eusébio acabadinho de chegar de Moçambique e que ganhou umas bolas numas rifas, que ficaram para a miudagem do bairro!