Manuel Toscano foi para o Brasil

Penso que estou a ficar especialista nas freguesias do concelho de Idanha-a- Nova, distrito de Castelo Branco. Mais concretamente Monsanto, Rosmaninhal e Salvaterra do Extremo onde vou colecionando um verdadeiro banco genealógico.

A possibildade de a partir de casa de fazer pesquisa através do tombo.pt é o dado mais importante que permite este trabalho. À medida que mais individuos aparecem nas bases de dados tambem novas informações e interesses vão aparecendo. Li recentemente que o interesse por exemplo da medicina, da policia, etc, aumenta para a utilização de bases de dados dos programas de genealogia com por exemplo o Ancestry.

Foi exatamente nesse site do Ancestry que me apareceu esta ficha consular do Brasil autorizando que Manuel de Mendonça Toscano emigrasse para o Brasil em 1952 com trinta anos de idade. Como ele era de Monsanto e com aqueles apelidos que aparecem também nos meus antepassados é lógico perceber que teremos ascendentes comuns. Não sei nada sobre ele. Se ficou no Brasil, o que lá fez, se formou familia?

Penso que alguem dará com este texto do meu blogue brevemente e reconhecerá este familiar. Se assim for pode comunicar por este meio e terei todo gosto em passar as informações de que disponho.

Legendas de João Manuel Pinheiro

1988

Era sem duvida um factor de grande orgulho ver o nome do meu pai nos ecrãs da RTP. Às vezes perguntavam-me se era o meu pai que fazia as legendas, enfim tinha uma celebridade na familia.Sentia-me alem disso participativo pois passava horas ao lado da moviola de trabalho num estúdio do Lumiar onde se fabricavam as legendas, em métodos, hoje considerados artesanais, mas naquelas épocas analógicas era mesmo high tech.

Mas havia mais, quando era miúdo participou na longa metragem “Canção da Terra”. Era pura e simplesmente o João Manuel. Ainda fomos ver o filme num salão qualquer dum bairro popular de Lisboa e guardo memórias do tal sentimento de orgulho e admiração que todos os filhos aspiram ter em relação aos pais.

Não recebi uma educação liberal, longe disso… Aquela geração dele tinha sida formada por ditaduras e intolerancias e consequentemente havia que tomar partido pois ou se estava com os bons ou com os maus, com os pobres ou com os ricos, com o PC ou com a União Nacional, com o Sporting ou com o Benfica. Foram tambem essas intransigencias que registraram as mais fortes memórias, positivas e negativas e que sem duvida contribuiram de forma inequivoca para a minha formação como homem adulto.

Foi sócio do Sporting mais de 50 anos e ía ver os jogos a Alvalade até poder. O marido duma tia levava-o em pequeno e ficou sportinguista.

A pequena classe média de Lisboa era principalmente intelectual. Frequentou o Colégio Valsassina onde conheceu outros rapazes do mesmo meio. O meu avo tinha sido advogado e politico, logo era homem de letras e humanista. Segundo o meu pai um pragmático como eu.

A irmã mais velha Maria Rogéria tinha emigrado e residia em Paris logo depois da guerra. O tempo que passou com ela lá, foi descrito como dos melhores da vida dele. Jantou com Jean Paul Sartre e conviveu com pessoas interessantes. A ida para Londrés, para tirar um curso de engenharia, foi-lhe imposto e não o entusiasmava. Foi aí no entanto que conheceu a Pam, minha mãe e casaram. Em 1952 nascia eu, o primeiro filho, em Stafford.

Na vida profissional passou por muitos sitios. Relembro minas da Urgeirica, C. Santos, Holliday on Ice, Ponte sobre o Tejo, Sheraton, Projecto Quinta do Lago, Intituto Portugues do Cinema. Deu aulas de ingles, estudou na faculdade como aluno mais velho.

Mas principalmente tinha sede de saber, de aprender.

Os filhos eram a sua paixão e preocupacão. Gostava da ideia de chefe de familia, sendo que não teve na realidade grande familia. Já em Portugal nasceram o Pedro e a Joana. Fez o que pode e o que soube fazer. As incompatibilidades com a minha mãe cedo se mostraram e as separações materializaram-se para desgosto e drama dos filhos e deles próprios.

Finalmente conheceu e casou-se pela segunda vez em 1988 . A Leonor foi a mulher que lhe trouxe felicidade e estabilidade emocional. Foi a companheira que procurou e encontrou. Interesses semelhantes e viagens conjuntas trouxeram imensa felicidade e recordo o reencontrar dos primos espanhóis e as férias em Fuengirola.

João Manuel Henriques Pinheiro faleceu no dia 16 de setembro 2016 com 91 anos.

Estão convidados a partilhar memórias e acrescentar dados aqui neste blogue.

joaomanuel

O ditador visto do andar de cima

autocarro

Fiquei na criação de textos no meu blogue, até ao momento, estacionado nos primeiros 20 anos da minha vida ou seja entre os anos de 1952 e 1972. Tenho tentado captar e descrever memórias que tenham um interesse mais amplo e abrangente do que aquilo que tenha apenas que ver com as minhas mais íntimas e limitadas experiencias!

A internet permite entrar em contacto com muita gente e os média sociais são um importante complemento para intercambio de ideias e informação! No Facebook por exemplo coloco os meus textos em diferentes grupos se houver algo que possa interessar os participantes. Um desses grupos para nostálgicos como eu, é o “Recordar as décadas de 60 / 70”.

Foi aí que alguem colocou a foto que publico aqui que relembra os nossos autocarros da Carris de dois andares à londrina. Eram verdes e se bem que não fossem em grande quantidade faziam parte das características do transito da minha querida Lisboa dessa época!

Foi assim que me recordei de um episódio relacionado com um “Double decker”. Teria saído da Praceta de Carcavelos para apanhar o comboio da Sociedade do Estoril num domingo de 1967! A viagem era quase de certeza para a bola e para o Estádio de Alvalade!

Logo ali nos Restauradores e bem instalado no piso de cima vi aglomerado de gente e policia à saída do que era o SNI instalado no Palácio Foz. O SNI ou Secretariado Nacional de Informação  – era o organismo público responsável pela propaganda políticainformação pública,comunicação socialturismo e ação cultural, durante o regime do Estado Novo em Portugal.

Ora a alta personalidade não era outra senão o ditador de Portugal e chefe vitalicio do governo- O Salazar. Foi a única vez que lhe pus a vista em cima mas observei que não houve dentro do autocarro nenhuma manisfestação de alguma espécie.

Era naquele edificio que funcionava a censura que mantinha os portugueses condicionados e desconhecedores de tudo o que o Estado Novo queria omitir do conhecimento publico ou como o próprio Salazar na inauguração  expressou “Politicamente, só existe aquilo que o público sabe que existe.”

Em 1944 o organismo de censura passa a estar na dependência do Secretariado Nacional de Informação, que, por sua vez, estava sob a alçada do próprio Presidente do Conselho (Salazar).

Munidos com o célebre “lápis azul”, com que se cortava todo texto considerado impróprio, os censores de cada distrito ou cidade, apesar de receberem instruções genéricas quanto aos temas mais sensíveis a censurar, variavam muito no grau de severidade. De facto, verifica-se que houve regiões do país onde estes eram mais permissivos e outras onde eram exageradamente repressivos. Isto devia-se ao facto de constituírem um grupo muito heterogéneo a nível intelectual. Muitos reconheciam rapidamente qualquer texto mais ou menos “perigoso” ou revolucionário, enquanto que outros deixavam facilmente passar conteúdos abertamente subversivos.” Wikipédia

The circles in my mind

station

Life doesn’t run on a straight line. It rather divides up into circles that meet each other and progress into new ones. On this blog I have now written over 100 texts and divided them into memories in English and in Portuguese. I have in time, stretched between 1952 and 1972, and arrived at the edge of the London circle. It will soon go over to a new one where Sweden will for the first time appear in my own set of reports. But not quite yet…

I have saved many letters from the time where these were handwritten and sent by ordinary post, generally with a specially chosen stamp that could be useful for collecting.

I am these days reading some of these letters which have filled some memory gaps.

I realize for example that I knew some people when living at Nevern Square, Earl’s Court, that I had completely forgotten about.

When the Portuguese left the flat I had to look for new tenants. The rent was high and I really needed 4 to contribute towards it. The Swedish girls now living in the flat, Jannice and Ulla were like flowers attracting bees.  A Portuguese guy called Pepe did come in but was getting in and out of work. Another guy turned up to get a bath. I believed he needed one, having the nickname Clint Eastwood, as a reference to the film” Dirty Harry”.

Live in the flat did no longer feel secure and things disappeared such as money, Mona’s camera and the likes. It felt as time was running towards getting off the circle, one way or another….

A Bua

Votre beauté

A maior parte das pessoas que tiveram uma avózinha sabem do que estou a falar. A minha era a Bua. Aos meus olhos era uma pessoa excepcional. Nascida no norte e lá criada acabou por vir para Lisboa. Quando a conheci (por motivos óbvios) já depois do meu nascimento em 1952 vivia na Rua Sampaio e Pina logo ali ao pé da Artilharia 1 e com vista para um dos muros do Liceu Maria Amália.

 No apartamento enorme do r/c onde vivia sózinha passava quase o tempo todo no quarto da frente. Num dos quartos interiores havia boiões que eram para ser enchidos por cremes de beleza que fazia. Tambem escrevia no Século- Modas e bordados- sobre  temas que interessavam as senhoras. Sabia francês e era naquelas revistas “Votre Santé” e “Votre Beauté” que se inspirava para tudo o que fazia e que ocupava o seu maior interesse. Admirava imenso a coqueluche do cinema francêss durante aqueles anos -a Brigitte Bardot! A minha avó gostava de animais especialmente dos felinos e de crianças. Penso que não tinha muita paciencia para os adultos!

 Na casa dela havia sempre qualquer coisa que enchia de curiosidade um menino tão pequeno. Um dos pontos altos do dia era a passagem do camião do lixo com toda a atividade relativa ao acontecimento como o despachar e triturar daqueles lixos organicos.A porteira- a Sra. Zulmira- tambem aparecia e tinha os seus franguitos e coelhos no pátio traseiro.  Depois haviam coisas que chamavam a atencão e que tinham que ver com a alimentação da Bua. Era lacto-vegetariana. Ía comprar, tambem em boiões de vidro, numa mercearia logo ali ao pé, os yoghurtes que nessa época ainda eram uma raridade. O leite era Vigor… Em plástico é que não vinha nada!

 Logo ao virar da esquina estava o meu primeiro barbeiro. O penteado era sempre o mesmo!À máquina de tosquear dos lado e atrás com a respectiva cócega insuportável e depois a poupinha à americana!

 

Earl’s Court, mon amour.

 earls court station

It’s a fact. Earl’s Court was a great place to be in the beginning of the seventies. Near to everything and with the underground station serving the most important lines- District and Piccadilly- who needed a car? Plenty of restaurants, a bookstore, Wimpy bars, Pizza Hut and other fast food giants, launderette and Drycleaners, Pubs, in short, the ideal place for the common bachelor with little money to live his adventures.

Some excitement was at times provided when travelling without a ticket on the tube. If caught we were tourists and once when Gilberto Matos was stopped in Piccadilly and asked to produce a ticket he did not have, and pressed to answer where he came from- the answer popped out as Portugal instead of Earl’s Court! Great times, with lots of laughter and perhaps not as carefree as one would like to remember it today!   We were, in short, on our way somewhere but not quite sure what it would be.

The reader of my blog has been able to follow a period of my life between 1952 and 1972. Twenty years of memories that I try to recall and share in a way that others might find interesting. I have tried to keep faithfull to my original idea to keep texts short and keep them coming. Up to today I have published 95 texts and they have been viewed 4130 times. Most of the views are from Sweden (1570) tightly followed by Portugal (1447), UK comes third with (386). I have hits from 41 countries. I have no idea how frequent people visit this blog or who they are, unless they make comments, but I wish to express to all, my thanks for looking in!