Era por esta porta

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Era por aqui que saía e entrava de minha casa na Praceta do Junqueiro em Carcavelos. Descendo as escadas do primeiro andar era muitas vezes com prazer que saía para as atividades que convidavam os meus vizinhos como o de jogar à bola, o que se fazia na clareira que deu lugar ao hotel e centro comercial que agora lá imperam. Também por esta porta saía nos dias de escola para o Liceu de Oeiras e para as responsabilidades que já iam despontando. Foi também por ali que no dia 11 de setembro de 1968 sai daquela que foi a minha última residência fixa em Portugal.
Por tudo isto foi um acontecimento especial a reunião de ontem à noite que juntou 14 pessoas com diversas afinidades com a Praceta. Ali no restaurante do Sr. Futuro com vista direta para a velha porta do prédio e aquela longa varanda onde uma vez dei conta que o meu “Rubber Soul” ,dos Beatles, tinha queimado ao sol.
Apareceram ao jantar várias gerações de Praceteiros, bem documentados em foto. Aqui fica para a posteridade. Digo diferentes gerações, não porque tivessem idades diferentes mas porque representaram épocas diferentes da adolescência por que todos passámos. Enquanto eu vivi na Praceta a tal idade da parvalheira e pouco mais, os outros presentes seguiram com novas e arrojadas aventuras no caminho para as vidas adultas em que se envolveram.
Como gostaria de explicar uma das maiores perdas para quem vai, muitas vezes ignoradas pelos que ficam , é mesmo perder de vista aqueles com quem brincámos e que por isso mesmo são os maiores e mais puros amigos que tivemos. Para ti um grande abraço que acaba por ser o abraço à juventude que já não somos.

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O 25 de abril de1974

cravo

Todos guardamos memórias daquelas em que se pergunta: O que estavas a fazer quando aconteceu tal e tal?

Essas memórias costumam ser negativas, associadas a alguma calamidade ou a algum atentado que nos marcou por tambem nos afetar direta ou indiretamente. O primeiro evento de que me recordo foi no dia 22 de novembro de 1963. Tinha 11 anos e vivia na Politécnica em Lisboa. Recordo-me dessa noticia e exactamente onde estava, que era no apartamento na Eng. Miguel Pais. Senti a apreensão e preocupação dos adultos à minha volta.Havia uma insegurança em fazer grandes alaridos pois o assassinato do presidente Kennedy era do foro das politicas.

Do mesmo tipo foi o assassinato a Olof Palme, primeiro ministro em exercicio, no dia 28 de fevereiro de 1986. Vivia já na Suécia e foi um amigo chileno que me acordou ao telefone na manhã seguinte para informar do sucedido. Pensei que fosse uma brincadeira de mau gosto, mas nesse mesmo dia organizaram-se e participámos numa manifestação de solidariedade e pesar no centro de Sundsvall.

No dia 11 de setembro de 2003 estava com a Mona em Oslo para ver a seleção nacional de futebol jogar um amigável com a Noruega. Por telemóvel chegou-nos a noticia que a nossa ministra de Negócios Estrangeiros Anna Lindh havia sido vitimada em atentado com faca numa loja de Estocolmo. Ficámos apreensivos e só no dia seguinte depois de muitas notícias contraditórias ficámos a saber que Anna não tinha podido sobreviver aos ataques  do dia anterior.

A informação que recebi dos ataques ao World Trade Centre de Nova Iorque no dia 11 de setembro de 2001 foram dados numa reunião de pais duma nova classe na escola de Katrinelund onde trabalhava na altura. Recordo-me de ter comentado se não teria sido um filme ou piada de mau gosto o que me estavam a contar.

Estas noticias, todas de cariz negativo e calamitoso só podem ser acompanhadas de uma noticia positiva. Foi de manhã no dia 25 de abril de 1974 que a minha sogra informou que estavam a correr algumas noticias sobre acontecimentos em Lisboa. Terei encolhido os ombros e recordo-me ter pensado que não devia ter sido nada de mais. Mas foi ,e terei ocasião em futuros textos de repartir convosco como os eventos foram seguidos por uma pessoa, das muitas, que não estando lá, muito gostariam de ter estado. Nascia um novo Portugal!