Dama com belissimo chapéu

A senhora com este belissimo chapéu deverá ser a minha bisavó Amélia Olimpia Adelaide Caldeira. Quanto à identidade da criança, que aparenta ter cerca de um ano poderá ser a minha avó Rogéria mas tambem qualquer dos irmãos.

Para mim a genealogia é um passatempo que me interessa pois permite fazer um pouco papel de detective buscando dados desconhecidos. Já dei conta que muita gente não se interessa muito por o que já passou mas eu lá vou continuando a investigar e tambem a publicar estas curiosidades para que não se percam, caso alguma pessoa das gerações vindouras tenha o mesmo interesse que eu.

No trabalho da pesquisa familiar quando já não há familiares vivos para entrevistar resta-nos os documentos que se possam consultar mas tambem por exemplo a fotografia.

A fotografia que publico foi encomendada e executada por um fotógrafo de nome Carlos Evaristo Junior que teve a sua actividade em Espinho nos fins do século XIX e pricipios do século XX ( Uma fonte).

Segundo um dado que li só em 1901 abre este  Evaristo a sua empresa ( outra fonte). Se assim for a criança na foto só poderá ser o Martinho.

As irmãs Stella e Rogéria foram ambas batizadas em Espinho na igreja de S. Martinho de Anta em 1887. Os assentos dos batizados dos outros irmãos não os encontrei ainda, exceto o Emidio que foi batizado em Castelo Branco.

O que levou os Caldeira Ribeiro a Espinho não sabemos ao certo mas estará provávelmente relacionada com a carreira de José Clemente Ribeiro ao serviço da  Companhia Real de Caminhos de Ferro Portugueses que em 1874 inaugurou estação em Espinho.

Esta vila junto ao mar era muito procurada na época pela sociedade veraneante que vinha tomar banhos de mar e jogar nos casinos ( probido por lei).

Os Caldeira Ribeiro

Regresso hoje ao tema dos Caldeira Ribeiro por uma razão muito simples. Colhi novas informações a partir das pesquisas que vou fazendo através da internet e do tombo.pt. Tambem reli alguns mails do meu falecido pai João Manuel Henriques Pinheiro que relata ainda alguns dados sobre outros familiares Ribeiro dos quais tentarei saber algo mais.

No sábado dia 4 de março de 1880 na igreja de S. Miguel da Sé de Castelo Branco apresenta-se a nubente Amélia Olimpia Adelaide Caldeira para contraír casamento com José Clemente Ribeiro. Este casamento é por procuração já que o nubente não está presente. Segundo os dados dao assento da cerimónia, José Clemente é empregado de comércio no Porto onde reside na freguesia da Sé. Amélia é modista e com já sabíamos tinha nascido em S. Pedro da vila de Trancoso em 22 agosto de 1850. José Clemente é mais novo tendo nascido a 23 de novembro em Enxara do Bispo, Mafra em 1854. Presentes no casamento estão o pai da noiva José Mendes do Couto comerciante de Castelo Branco. O nome Caldeira vem da parte da mãe Maria José natural do Porto.

Começa assim a familia Caldeira Ribeiro cuja descendencia não está completa mas da qual posso referir a seguinte, Vitor Zeferino nasce em Espinho ( BI) em 9 outubro 1881, Emidio nasce em Castelo Branco 1 junho de 1883, Stela 18 junho 1885 em Castelo Branco, Rogéria, minha avó 17 de outubro de 1886 em Espinho, Manuela de quem não tenho datas nem lugares mas da qual tenho memória e Martinho 1898.

Emidio morre em Porto Amélia, Niassa em 1923 talvez vitima de alguma doença tropical. Stella morre em Lisboa em 1959, Martinho em Madrid em 1967 e Rogéria em Lisboa em 1977.

Em relação a José Clemente sabemos que depois da sua vida no comércio terá enveredado por carreira nos caminhos de ferro onde aparece como amanuense em Vila Velha do Ródão em 1885 e terá acabado a sua vida ao pé da estação de Santa Apolónia.

The Makunduchi papers 2017 (2)

The Sundsvall delegation arrived in Zanzibar on Friday afternoon the 6th of October and left on Thursday evening the 12th October. On such a short visit it was important to see and experience as much as possible on the spot. For the trip to Makunduchi from the airport we were assisted by motorcycle police which helped us regain some of the time lost on our way down.

We were pleased to be received by most of our friends including coordinator Mr. Mohamed Muombwa and senior citizen Mr. Hafith Ameir.

Makunduchians are proud of what they are doing to develop their region in south Zanzibar at the same time showing a fantastic hospitality. At the entrance of the hotel a considerable number of villagers were there to greet and welcome us.

I lift two main subjects during our visit1) The development of dialogue and participation aiming at improving school results and 2) Enterprising initiatives to develop the local economy.

In this set of mind I would like to refer to the workshops and study visits starting immediately at arrival during the weekend. We were shown several projects and I would like to lift the initiatives of agricultural production taking place in various parts of Makunduchi. Mr. Suleiman Selele could, with his experience in health care, fill us in on different aspects concerning nutrition and health. These production units engaged mainly unemployed women. All could witness on lack of water being the main setback for these units. We visited also productive agricultural units where there was availability of water.

Another important development already mentioned was the Swahili house under the wings and supervision of Mr. Mwita Masemo.

The education workshops gathered headmasters and school board members and some of the themes discussed were the role of headmasters in the school system, the role of parents, communication towards the central government and challenges of teaching and learning in the English language, foreign to both teachers and students.

 

Discussions took place among and between delegations in a spirit of hope and commitment. For my part I am proud to have led the steering committee on behalf of Sundsvall’s Municipality.

 

 

The Makunduchi papers 2017 (1)

Sundsvalls Municipality (kommun) cooperates with Makunduchi Wards on a two year project that can be extended for further activities next year. This cooperation is financed by the Swedish State as part of the national cooperation budget and is administered by the association of Swedish Local Authorities (SKL).

We have now established good relations with our partners in Zanzibar and are advancing in what can be described as a dialogue and exchange of experiences concerning Local Power and its responsibilities and duties towards local populations.

I am chairman  of the steering committee in behalf of the municipality of Sundsvall. My experience so far, is that there is progress being made and that our partners are aware that their role needs to be better defined and new responsibilities need to be formalized by Central government.

When we started our work with Makunduchi there was a natural incidence in education issues. What could be done so that more students could reach a higher level of education and how could local politicians contribute to make this happen? In this sense we discovered that we had the same goal in both communities even though there is an enormous gap between what the two communities are achieving today. Local elected members see now that they have a role to play and that this is dependent on gaining support and trust from the populations in order to increase the number of citizens that can support themselves economically, being that education is probably the most important factor of development.

In Makunduchi there are positive developments such as the “Food Festival” aiming at taking up questions of health and hygiene as well as developing the noble art of cooking. The outdoor museum ” Swahili House”, has its aim at showing traditional living as far as housing and daily chores are concerned. Courses are being held to improve leadership and management skills for community leaders. Discussions are progressing on how school boards can claim better results for the students and what the role of parents should be.

On this article I will mention the warm reception we were met with as the Sundsvall delegation came to Zanzibar last week.

At the airport, after an eight hour delay,we were expected and met by the Honorable Mayor of Zanzibar Town Mr. Khatib Abraham Khatib This reception was followed up by new and profitable contacts with central government. A visit to the House of Representatives where all Swedish guests were presented by name to the whole assembly. Later we could have a talk with the honorable speaker of the house Mr. Zubeid Ali Maulid and deputy speaker Mme. Mgeni Hassan Juma. From there we went for a reception at the office of 2nd Vice President of Zanzibar Ambassador Seif Ali Iddi and even present at that meeting was the minister of Education Mme. Riziki Pembe Juma.

I am pleased that the Sundsvall delegation together with our friends could take up important issues concerning the development of Makunduchi and its people.

The delegation of Sundsvall: Mrs. Arianne Sundman, speaker of Sundsvalls municipality, Mr. Hans Zetterkvist, Vice chairman of the Education Committee, Mrs. Maria Åström and Mrs. Linda Strandfjäll members of the Education Committee, Mrs. Christin Strömberg and Mr. Björn Swedén Project coordinators, Mrs. Åsa Jerfsten Technical advisor on Education matters, Mr. Hans Fridholm, Water technical Expert and myself João Pinheiro chairman of Education Committee.

Tudo vale a pena se a alma não é pequena

As actuais tecnologias oferecem-nos enormes possibilidades de pesquisa e compreensão da história dos países e das pessoas. Escrevo este blogue e introduzi nele a categoria  família, para que futuros e presentes familiares saibam algo daquilo que foram os seus antepassados, como viveram e quais as preocupacões que possam ter tido. Não é minha intenção magoar ou ofender  ninguem. A minha ideia é mesmo a de informar duma forma interessante e abrangente o passado das minha gentes. Há sempre temas onde as ideias se cruzam e onde não há consenso. Penso nas questões de indole politica e religiosa. Muitas vezes,  desnecessariamente,  essas dividem as pessoas.

Isto não é um fenómeno de um país mas de toda a humanidade. Felizmente vivemos hoje na Europa uma situação democrática que permite a livre expressão e onde há liberdade de crenças e de ideias. Tive a sorte de viver esta democracia e aprendi a ter uma posição de consideração e tolerância por quase todas as pessoas mas com o direito de combater aquilo que são ideias e práticas que vão contra o respeito dos direitos humanos que tanto precisamos defender.

O meu pai disse-me pouco antes de morrer que me fazia lembrar o pai dele, o meu avo João Henriques Pinheiro (1880-1946), pelo seu pragmatismo e ideais. Se assim é orgulho-me da observação. Escolhi para titulo deste texto uma frase de Fernando Pessoa, grande poeta português, cujo apelido tem aparecido bastante nas minhas investigações familiares em Castelo Branco. Tudo pode, de facto, valer a pena quando se faz com boas intenções e sem medos ou como ele próprio também escreveu “Tudo é ousado para quem a nada se atreve”. Atrevo-me com as melhores intenções tratar dum tema que alguns preferem não abordar.

Quero aqui fazer o meu testemunho em relação à religião. Defendo as crenças de cada um desde que não tenham por objectivo, como já referi acima, posições ou ideias que contradidigam os direitos humanos. Há muita gente boa que pertencendo a diferentes religiões fazem grandes obras por ideal e dedicam muita energia para o bem dos outros. Pessoalmente acredito que o Estado como expoente da sociedade deve ter esse papel preponderante de apoiar quem precise. Daí as minhas convicções politicas.

Mas voltando ao tema da religião. Aqui na Suécia onde vivo há mais de 40 anos a igreja Luterana teve um poder muito grande sobre todos os individuos e quando achou necessário para proteger o seu poder de monopólio perseguiu outras crenças . O poder económico que detinham transformava-se também em poder politico.

Em Portugal foi a igreja Católica, dirigida por Roma, que o fez. Quando o poder politico do Estado se associou à igreja vitimaram-se e perseguiram-se imensas pessoas. A maior vergonha do mundo Católico penso que terá sido mesmo a Inquisicão e os crimes por essa perpretados. Em Portugal teve consequencias drásticas para a economia e desenvolvimento e talvez tivesse sido a maior contribuição para o atraso em que o país mergulhou quando o mundo rural e a posse de terras era o foco económico do país.

Descobri que uma parte dos meus ascendentes assim como os de Fernando Pessoa fará parte de um grande número de judeus que especialmente depois de serem expulsos de Espanha em 1492 se estabeleceram na Beira Baixa. Estes judeus foram em diversas fases da história de Portugal forçados a abandonar as suas crenças, expulsos, condenados à morte e executados ou fugiram para outras paragens.Muitos foram ficando. Aceitaram com maior ou menor convicção “mudar de crenças”

Numa altura em que os obrigaram a escolher mudaram de apelidos mas continuaram a viver as suas vidas como cristãos em muitos casos paralelamente como é o caso do que se descobriu em Belmonte onde secretamente se seguiam práticas cujos praticantes já nem sabiam da sua origem. Em Portugal ficaram designados como cristãos novos. Os indícios que tenho hoje sobre esses meus antepassados de serem de origem judaica são muito fortes. Os lugares, as profissões e os apelidos, assim como outros aspectos de convivencia que tinham com a igreja são elucidativos das raizes.

Li algures um texto em que um escritor judeu se lamentava do facto de se terem perdido esses judeus em casamentos mistos. Não é o meu ponto de vista. Terei oportunidade mais adiante de lançar alguma luz sobre estes antepassados e sua vidas lá para os lados da Beira Baixa.

 

 

 

Os bravos da Monarquia

A Républica implantou-se em Portugal a 5 de outubro de 1910. Facto práticamente inevitável devido ao descontentamento com a situação social e económica com que se debatiam imensas familias portuguesas. O novo regime trouxe algum entusiasmo mas teve que enfrentar bastantes crises politicas com sucessivas mudanças de governo e de politicas. Alguns aspiravam como solução o regresso da monarquia. Penso que os monárquicos confiavam que Sidónio Pais militar com tendencias ditatoriais e forte popularidade entre os católicos pudesse abrir o caminho para o regresso de D. Manuel exilado em Londres. Com o assassinato de Sidónio Pais em dezembro de 1918 mergulha o país numa situação de ainda maior instabilidade e à beira da guerra civil.

É neste cenário que se dá a tentativa de golpe para repor a monarquia em Portugal. Esta ¨Monarquia do Norte¨ com sede na cidade do Porto apenas durou 25 dias a partir do dia 19 de janeiro de 1919. Os monárquicos com o apoio militar de Henrique Paiva Couceiro não conseguiram vingar nas sua tentativa de mudar i sistema e tambem não receberam apoio do rei exilado que não acreditou no sucesso e estratégia desta acção.

Um dos participantes neste golpe foi o meu tio avô Martinho Caldeira Ribeiro. Com 21 anos, na altura, deveria concerteza ter abraçado a causa com paixão mas não sendo certamente figura de relevo em tão tenra idade. Quem no entanto teve um papel mais preponderante foi José Maria Baldaque Guimarães nascido em Cedofeita em 1880 e filho dos padrinhos da minha avó Rogeria Caldeira Ribeiro. Durante a Monarquia do Norte José Maria foi nomeado inspetor. Com o risco de ser condenado a prisão fugiu para o Brasil em 1920.

O jovem Martinho tambem estava em risco de ser preso e tratou de tentar atravessar a fronteira para Espanha. Terá sido o seu cunhado e meu avô republicano, João Henriques Pinheiro, quem terá facilitado a travessia do rio Erges ali em Salvaterra do Extremo para o reino da Espanha onde formou familia e por lá ficou. Assim se conta e explica a existencia dos primos espanhóis de Madrid.

José Maria Baldaque Guimarães

O que sabemos da Bua

Foto atual da Calçada dos Barbadinhos com o rio Tejo ao fundo.

A minha avó portuguesa era a Rogéria, todos a tratavam por Bua incluindo os tres netos. Nunca soubemos porque era Bua. Como avó foi sempre, para mim a pessoa mais presente do mundo adulto, enquando crescia. Aqui seguem alguns apontamentos daquilo que sei até agora dos primeiros anos de vida da Bua.

No dia 6 de Agosto de 1910 saíu da sua casa da Calçada dos Barbadinhos 42, com seu irmão mais velho o Victor, e sua mãe Amélia Adelaide residentes nessa mesma morada. Victor era solteiro e funcionário público.Seria ele tambem o padrinho de casamento em conjunto com o Alfredo d’Oliveira Pires que seria colega do nubente. Foi testemunha tambem sua mulher D. Maria Justina Dias Pires. Ía-se casar na igreja de Sta Engrácia não muito longe dali com o meu avô João Henriques Pinheiro de 29 anos advogado e residente na Baixa.

O ano de 1910 concidiu com o falecimento uns meses antes do rei Eduardo VII do reino Unido. Rei esse que deu o nome ao parque de Lisboa bem perto duma residencia posterior da Bua. Eram os meses derradeiros da monarquia em Portugal destinada a ser substituido pela Republica já em outubro. Para o meu avo, convicto republicano eram factos importantes.Como consequencia da implantação da Republica decidiu-se que a igreja de Sta Engracia receberia obras e se transformaria no Panteão Nacional. Essas obras só se completariam em 1966.

Tinha a Bua 23 anos no dia do seu casamento. Nascera em Espinho em 17 de outubro de 1886. O se pai era funcionário publico e parece que não parava muito no mesmo sitio. Tambem se diz que preferia ter filhos que filhas e que estas ficavam ao cuidado de outros parentes ou pessoas de confianca durante largos periodos. Especulamos por enquanto nestes dados, que não sendo ficionais, já que se baseiam em informações que nos foram passadas,não estão até ao momento confirmadas por documentos oficiais.

O que, no entanto,  são dados confirmados é que Rogéria nasce em Espinho como sempre afirmou, e é batizada quando já tem um ano de idade na igreja de S. Martinho d’Anta. A sua irmã Stela tambem é batizada nesse ano, duas semanas antes e na mesma igreja. Stela nascera em Castelo Branco em 18 junho de 1885. As duas meninas recebem padrinhos sendo que Stela tem o casal Ferrão proprietários de Niza  e a Bua os Alves Guimarães do Porto. Terão estes factos alguma importancia especial na vida  das duas irmãs?

As pesquisas continuam e em breve haverá mais informacão concerteza.

Igreja de S. Martinho d’Anta em Espinho onde são batizadas Rogéria e Stela em 1887.

Uma Rija Maria

Já vos tinha prometido um apanhado daquilo que vou sabendo sobre os antecedentes dos meus familiares com base em Salvaterra do Extremo. Hoje toca a vez à minha bisavó Maria Rija da qual nada se sabia até agora, ao menos da nossa parte. O que encontrei além de dar corpo e alma a uma mulher que nasceu na freguesia do Rosmaninhal em 1858 foi que se descobre uma nova pessoa, em vez daquela imagem estereotipica da criada, que teve dois filhos com o proprietário da terra.
Vou, com aquilo que tenho, tentar reconstruir os eventos  ligados à casa da rua de S. João naqueles anos de finans do século XIX. Em 1878 fica João Henriques Pinheiro viuvo com morte de sua mulher Maria da Graca e Moura. Deixa ela em morte 5 filhos- os Moura Pinheiros.
Em 1880 comeca-se a dar conta que Maria Rija que trabalha como criada na residencia da Rua de S.João está grávida. Vai para a Zebreira para ficar com uma tia- Isabel Affonso- e na Zebreira dá à luz o meu avô João.  Nesse batizado não se identificam os progenitores. Um ano depois nasce agora uma filha, já em Salvaterra, e se batiza  tambem com o nome Maria e cuja mãe se sabe agora ser Maria Rija filha legítima do casal do Rosmaninhal José Mendes Affonso e Rita Pomba Rija. A minha bisavó tem agora dois filhos recém-nascidos. Estes sabe-se mais tarde terem o apelido Henriques Pinheiro.

Em 1888, dois anos após o falecimento de João Henriques Pinheiro (1817- 1886), casa-se Maria Rija com José Fernandes Cypriano, alfaiate da terra e com ele tem pelo menos os filhos Isabel(1889), Germana(1890),Bartolomeu (1892) e José(1894). Não sabemos se o meu avô João conhecia estes meio irmãos uma vez que ficou ao cuidado de outro meio irmão o José de Moura Pinheiro. Podemos verificar que Maria Rija sabia escrever e que tinha um estilo forte e seguro quando assina o seu contrato de casamento. A minha curiosidade não termina aqui e continuarei a ver se descubro mais alguns factos sobre a vida e descendência da bisavó Maria do Rosmaninhal, concelho de Idanha-a-Nova. Esta reconstrução está baseada nos indícios daquilo que pude colher nos documentos da igreja e nunca saberemos ao certo e com exatidão o que se passou à volta do nascimento do meu avô João Henriques Pinheiro. Pode ser que alguém ainda possa elucidar. Principalmente gostaria de ver uma foto de Maria Rija.

Quem era João Henriques Pinheiro?

Em julho tive oportunidade de rever a vila de Salvaterra do Extremo no concelho de Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco. Já terão passado uns 20 anos desde a ultima visita e espero poder voltar pois o tempo que lá passei não chegou para saciar a curiosidade desta terra dos meus antepassados portugueses. Foi sem duvida a criação deste grupo de descendentes e o trabalho de pesquisa de Victor Martins Coimbra que uniu as pessoas e aumentou o interesse sobre as vidas destes nossos antepassados. Há 20 anos foi o tema principal ver a campa de João Henriques Pinheiro (1817-1886). Esta apareceu dentro do espaço do que foi a antiquissima capela de S. Pedro e da qual já só restam os muros exteriores. Quem era afinal João Henriques Pinheiro? Proprietário de terras era certamente uma das figuras principais de Salvaterra já que exerceu cargos públicos e em 1855 sabemos que era presidente da Camara.

Casou-se com uma senhora do Alentejo de nome Maria da Graça e Moura (1814-1878) e com ela teve 9 filhos com apelido Moura Pinheiro, a saber: José, João, Leonor, Adelaide da Graça, Maria da Graça, Joaquim, António, Emilia da Graça e Adelaide. Quando faleceu em 1886 só sobreviviam 3 filhos deste casamento José, António e Emilia da Graça todos com descendencia assim como Maria da Graça e Adelaide tiveram descendencia. Esta familia fez a sua vida na residencia da Rua de S. João onde teriam criados e outro pessoal empregado.

Já viuvo terá tido mais dois filhos o João (1881-1946) meu avô e a Maria (1882-1936). Estes filhos tiveram por mãe Maria Rija que seria empregada da familia e sobre a qual escreverei mais detalhadamente num próximo texto. O que se sabe é que estes dois filhos de pai incógnito à nascença, uns anos depois- 1899- apareceriam como padrinhos num batizado com o apelido Henriques Pinheiro. Curiosamente sou o único e último João Henriques Pinheiro em vida, nesta saga, que este ano completa 200 anos.

Annus horribilis

Terá sido um ano horrível aquele de 1879 na vida da família Pinheiro de Carvalho da Rua da Corredoura em Salvaterra do Extremo. João Henriques de Carvalho tinha vindo lá dos lados da Régua como comerciante conheceu Maria da Graça e teria pedido a sua mão ao pai, meu bisavô João Henriques Pinheiro (1817-1886). Casaram em 29 de Maio de 1865. Em 1879 já tinham nascido 9 filhos. Os dois últimos eram gémeos António e Felizarda, a filha mais velha era a Emilia Albertina que já tinha catorze anos. Morreram os três nesse nefasto ano de 1879 e como se não bastasse também terá padecido Maria da Graça que entretanto não encontrei nos livros de óbitos da paróquia de Nossa Senhora da Conceição.

João Henriques de Carvalho continua a sua vida até ao seu próprio falecimento em 1901. Penso que terá ficado na história da aldeia e penso até que foi benemérito tendo contribuído para a construção do novo cemitério. Foi afinal a morte um facto que viveu com a família de Salvaterra, não diferente de muitas outras nessas épocas. Dos nove filhos a quem deu à luz Maria da Graça sobreviveram duas filhas, a Hermínia e a Adriana. Está última foi mãe do actor Raúl de Carvalho que dá nome à avenida pela qual se entra na aldeia e cuja casa está agora na posse da família tendo como residente a Fafá Coimbra.