A cacofonia do IPO e outros apontamentos

Começo a ambientar-me ao IPO ( Instituto Português de Oncologia), já começo a conhecer os cantos da casa. Situado no centro de Lisboa bem pegado à Praça de Espanha tem que ser um sítio um pouco barulhento, mas aqui, além dos aviões que passam por cima de nós em direção ao aeroporto Humberto Delgado temos o fator mais surpreendente que são os sons de patos e galináceos que nos entram pela janela dos diiferentes edifícios do hospital. Daí haver uma mistura sonora de cidade e campo. Este hospital tem a particularidade de se dedicar exclusivamente ao cancro. Aqui se faz tudo desde testes COVID, análises de sangue, psicologia, tratamentos de quimioterapia assim como todas as outras terapias associadas à oncologia. É prático.
O ambiente que se vive aqui combina um senso forte de profissionalismo com uma atitude por parte de todo o pessoal caracterizado por simpatia e o sentimento que o paciente é verdadeiramente central neste hospital.
O que também me salta à vista e comparando com outras experiências na Suécia é a forma como as equipas interagem num espírito aberto. Penso que a intensidade coletiva do espírito de equipa e social que observo entre o pessoal é benéfico para as situações de stress que diariamente ocorrem é que assim se resolvem de forma mais natural. Como paciente a familiaridade que encontro por parte do pessoal ajuda a suportar tratamentos por vezes morosos.

A decisão de construir o IPO fará 100 anos em 28 dezembro de 2023. A decisão de o construir partiu do Ministro da Instrução Pública António Sérgio de Sousa, Mas a verba necessária para a compra de terrenos, construção de dois pavilhões, aquisição de 1800 mgs de rádio-elemento, instalação de 4 cabines de roentgenterapia ( raios X ) e laboratórios de investigação científica data de 1927. No dia 29 de dezembro 1927 começaram a funcionar as instalações com o referido material.
O pavilhão onde tenho recebido transfusão de sangue e inserção intravenosa de ferro começou a ser construído em 1931 construiu-se conforme os princípios votados no 2 congresso internacional de radiologia ( Estocolmo, 1928). Foi esta a primeira construção, criada na Europa, com proteção eficaz contra as radiações.

Por tudo isto se poderá deduzir que o IPO de Lisboa já leva a sua carga inovadora e de vanguarda que parece orgulhar os 1800 colaboradores que anualmente acompanham mais de 50 000 doentes, com a curiosidade acrescida de ser lar de patos e galináceos.

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