Lagos y Cerros

Lagos

On the 9th of December 1989, a Saturday, the Swedish labour movement delegation where I was included sat on a bus to take us to Valparaiso. The morning had been spent, learning about the forthcoming elections and the PPD’s plan to regain democratic power in Chile after Pinochet’s dictatorship. This election was, after all, the main reason for our visit and this election was the result of a victory by the democratic voters in the referendum of 1988.

We joined up with Senate candidate Ricardo Lagos and could in the middle of the crowd listen to many complaints about the appalling conditions residents chose to take up with us. Lagos would later become president of the Republic of Chile. Together with us you can spot José Goñi that accompanied this delegation and is presently ambassador in Stockholm. This I was actually not aware of until yesterday when I received his Christmas greetings.

Visiting Valparaiso had a special importance to me. I had met many Chilean immigrants in my hometown of Sundsvall the previous couple of years and many came from this hilly coastal town. In Sundsvall they found a hilly town too even if the Cerros of Valparaiso were not easily compared to Sundsvall’s own Norra and Södra berg. Even the huge Pacific Ocean at this coastal city’s feet would have to compare to the even calmer Baltic Sea. I remember that we arrived from the 100 km bus trip and went to a restaurant where many sea food dishes were presented and many of these were exciting novelties to practically all of us.

The afternoon was spent visiting our Folkets Hus (Cenpros) project and learning about the hard toll on youth and women that the dictatorship had burdened on so many. Problems with unemployment, crime, lack of education opportunities, violence, abortions and other social problems had been allowed to grow by a regime that cared little for the people and their well-being.

We saw also another side of the society, away from the Cerros and through fashionable Viña del Mar a few miles away where the wealthy rather spent their time.

 

Valparaiso 1989

Retalhos da vida de um poeta

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A passagem de cada um de nós, aqui pela terra, é verdadeiramente curta. A tal imortalidade de que se fala só atinge uns poucos, quase sempre aqueles que deixaram algum testemunho de genialidade escrito, pintado ou esculpido. Outros andarão esquecidos para sempre. Ainda outros, “os coitados, imaginam-se poupados, pelo tempo e às escondidas partem pra novas surtidas”. Mas todos, mortais e não tem hoje com a técnica de informação, a oportunidade, de se encontrar referenciados. Através da internet e dos bilhões de referencias registradas. Aqui vão mais umas para darem com o Alexandre O’Neill.

A asma fazia dele um escravo da bombinha no entanto não dispensava do Portugues Suave, mas dos gatos mantinha distancia. Já dos cães era pavor. Adivinho que terá havido um trauma talvez de infancia, quem sabe senão lá para os lados de Amarante. “Cão maldito, sai depressa ó cão deste poema”.

À publicidade andava remetido. Na Telecine se faziam os filmes e volta e meia era para Cannes que se ía…saber se a algum prémio havia direito.“Quem anda aí. É BP gas, o gaz que está onde tu estás”.

Havia nomes que circulavam , pessoas que nunca conheci como Alain Oulman ou Cardoso Pires. Sttau Monteiro a excepcão. Outros como Amália eram sobejamente conhecidos. Da Amália se falava lá em casa, naquele período mais fecundo, que com a música de Oulman subiu uns patamares.” Que perfeito coracão no meu peito bateria”.

Nesse periodo em que viviamos na Calçada Eng. Miguel Pais 47- 4 era a música de Guershwin e dos franceses Bécaud e Montand, que saltava do gramofone. Este ultimo um favorito com o seu estilo poético e bem soletradas palavras  “Partir pour mourir un peu, a la guerre”.

Uma vez fomos ao futebol se não me engano era o Lusitano de Évora que visitava aquele majestoso Estádio da Luz. Impressionei-me de ver jogadas em que os jogadores do Benfica jogavam contra a própra baliza. Do futebol não penso que tenha deixado nem um verso.

Era de resto a Caparica que puxava,levavam cacilheiro e depois autocarro,  mas para viver não havia nada como a Politécnica e as íngremes subidas que tambem eram descidas e que às vezes levavam á tasca do Serafim mesmo á frente do Britanico.Era segundo percebi uma segunda casa e quem sabe se às vezes mesmo a primeira.

Pois é velho O’Neill, isto ainda dava muito pano pra mangas. Pena não poder voltar atrás no tempo para termos prolongado a nossa conversa naquela noite em que nos encontrámos ao balcão do Lira d’Ouro e onde vocemece muito provávelmente passava em revista tanta coisa que afinal o levou à imortalidade.