Era por esta porta

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Era por aqui que saía e entrava de minha casa na Praceta do Junqueiro em Carcavelos. Descendo as escadas do primeiro andar era muitas vezes com prazer que saía para as atividades que convidavam os meus vizinhos como o de jogar à bola, o que se fazia na clareira que deu lugar ao hotel e centro comercial que agora lá imperam. Também por esta porta saía nos dias de escola para o Liceu de Oeiras e para as responsabilidades que já iam despontando. Foi também por ali que no dia 11 de setembro de 1968 sai daquela que foi a minha última residência fixa em Portugal.
Por tudo isto foi um acontecimento especial a reunião de ontem à noite que juntou 14 pessoas com diversas afinidades com a Praceta. Ali no restaurante do Sr. Futuro com vista direta para a velha porta do prédio e aquela longa varanda onde uma vez dei conta que o meu “Rubber Soul” ,dos Beatles, tinha queimado ao sol.
Apareceram ao jantar várias gerações de Praceteiros, bem documentados em foto. Aqui fica para a posteridade. Digo diferentes gerações, não porque tivessem idades diferentes mas porque representaram épocas diferentes da adolescência por que todos passámos. Enquanto eu vivi na Praceta a tal idade da parvalheira e pouco mais, os outros presentes seguiram com novas e arrojadas aventuras no caminho para as vidas adultas em que se envolveram.
Como gostaria de explicar uma das maiores perdas para quem vai, muitas vezes ignoradas pelos que ficam , é mesmo perder de vista aqueles com quem brincámos e que por isso mesmo são os maiores e mais puros amigos que tivemos. Para ti um grande abraço que acaba por ser o abraço à juventude que já não somos.

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