I want, I want

 william blake I want I want

I want, I want

Oh, how I want to climb that ladder

Reach the moon.

See me, see me. Here I am!

I think I’m ready

I can see it over there.

I can make it, I can make it

The height is nothing, I’ll never fall

I will do it, I will do it

Whatever it takes, whoever I’ll break

To reach my goal.

It is mine. I want it for myself.

 

Sundsvall in the seventies

 

 http://www.theguardian.com/artanddesign/2003/aug/27/art

O desafio

CIMG0263

Fomos dos primeiros a entrar no estádio Friends de Solna. Estádio bonito, arena nacional do futebol sueco que se pode fechar quando neva ou chove. Não foi necessário pois a temperatura até estava amena. Gosto de ir cedo para as bancadas. Faz parte de uma espécie de ritual onde me entretenho a respirar o ambiente. O guarda redes da seleção, Rui Patricio foi dos primeiros a entrar para o aquecimento. Tentou orientar-se onde estava a claque de Portugal e acenou quando nos descubriu. Tambem faz parte…

Foram chegando mais e mais apoiantes. A bancada reservada aos portugueses estava quase ao canto da linha de fundo. Os bilhetes custaram cerca de € 40. Não eram os melhores lugares mas os mais alegres e otimistas. Grande parte da nossa bancada estava composta por emigrantes de primeira e segunda geração. Ao nosso lado por exemplo estavam uns jovens que tinham vindo de França e até falavam mais francês que português.

Na primeira parte Portugal atacou para o nosso lado. Foi uma primeira parte calma. Senti muita segurança. Até parecia que éramos nós que precisávamos de ganhar. Na segunda faz Cristiano um golo quando os suecos vem mais para o ataque. Era o que já se previa. A festa tinha começado. Mas a Suécia marcou um e logo outro. O Zlatan tinha finalmente começado a dar um ar da sua graça. Com 2-1 no marcador calou-se a nossa bancada e os suecos começaram a acreditar.

Felizmente foi sol de puca dura. Ronaldo não é a seleção de Portugal. Mas é um jogador importantissimo. E no dia 19 fez um jogo memorável. Marcou tres, marcou presença, liderou a nossa equipa. Vai ser um grande mundial para Portugal!

Muita gente irrita-se com o Ronaldo. O presidente da FIFA, um tal Blatter,tambem. Mas ele é espontaneo. Entrega-se e quando falha ou não consegue executar ao que se propõe mostra o seu delalento. Para mim é uma qualidade poder mostrar os seus sentimentos.É um grande jogador de futebol, e fez uma das suas melhores prestações até agora.

Fui um previligiado pois estive lá e por isso valeram a pena os sacrificios que fiz para lá estar.

CIMG0283

 

Rescaldo do Suécia- Portugal

jogo

Rescaldo é o mesmo que esfriar…Esfriar de emoções e de algum nervosismo que pelo menos eu senti, logo que soube que nos calhava jogar o play-off contra a Suécia. Há que ver que se tratava de uma equipa bem embalada e confiante depois de no seu grupo só ter feito pior que a Alemanha.

O David disse logo -Vamos lá a Estocolmo. E ficou decidido. Havia que comprar os bilhetes para ficar na bancada dos portugueses. Através do site dos emigrantes e sócios do clube Lusitania de Estocolmo ficámos a saber que se compravam os bilhetes pela Internet na página da Federação Portuguesa de Futebol.  Como não tenho a nacionalidade portuguesa ficaram em nome da Patricia. Para levantá-los levámos autorização e documento de identificação dela. Tudo funcionou bem.

Como tinha que trabalhar na terça, só conseguimos ver a alternativa para chegar e voltar no mesmo dia, só indo de carro. É que são sensivelmente 4 horas de viagem que nos separam de Sundsvall. Ainda fui trabalhar de manhã e o David foi à escola. Saímos por volta do meio dia. Como nos disseram que a situação de estacionamento ao pé da Friends Arena é caótica decidimos estacionar em Upplands-Väsby ,nos arredores a norte de Solna e daí apanhámos o comboio.

Quando chegámos à estação de Solna eram umas quatro da tarde. Já havia muita gente, nomeadamente muitos portugueses. Demos logo com a compratiota Luisa Paulo, que se tinha mascarado de Pippi das longas meias portuguesa. A Luisa é uma pessoa que toma muitas iniciativas e organiza actividades para a comunidade Portuguesa de Estocolmo. A Luisa tinha marcado uns 60 lugares para os portugueses que quisessem comer e beber algo antes do jogo. Fomos para lá e pedimos uma Coca-cola.

 Foi o principio da confraternização que aí começava à volta da nossa seleção. Muitas vezes são os imigrantes quem mais se regozija com os nossos sucessos desportivos, remetidos como estão, anos a anos, a uma vida de trabalho longe de familiares e amigos de infancia, nem sempre considerados plenamente pelas pessoas que são. Após cerca de meia hora estalou um alarme, que em bom som, avisaou que havia um incendio no restaurante e que era necessário, urgentemente, evacuar as instalações. E assim fizemos começando a dirigir-nos para a arena nacional de futebol da Suécia.

Começava uma noite inesquecivel.

The Umeå years (2)

 

umeå

Umeå was not an inviting town in 1976. I felt lonely… My son has later described my homecomings at weekends as those of a stranger. I spent most of my time sitting in the library studying in order to get my teacher’s degree as fast as possible. It was a time for sacrifice. We did not have much money. The Swedish system with a study grant was important to our economy. In the summer I earned some money on summer jobs in Sundsvall.

There were some positive highlights that I will mention in coming texts concerning my years in Umeå. The first one I would mention was enrolling in the Social-Democratic Student Association. I learned on arrival that every student had to belong to the Student Union (kår). I also learned that students could elect their representatives to the student Parliament.

Umeå was still living the spirit of 1968. They were many discussions and debates concerning most things big and small. The SD students were radical and much on the left of the main party. The British “Militant” section of the Labour party was the inspiration. The ideas for the newspaper” Offensiv”, were based on Trotskij’s socialist defiance of Stalin Communism. When I enrolled I got involved in the matter at hand that had to do on whether or not a number of members of the club should be excluded. A decision was eventually taken and some of the “Offensiv” members were excluded and accused of infiltration. When I arrived most of these exclusions had already been carried through.

Maybe one should remember in what world we were living then with violent Vietnam war just ended after 20 years and quiet cold war dividing people and ideas.

The student club was a place to be welcomed in. The interest for international questions and politics engaged and excited me. I recall many of these colleagues and many interesting meetings we had. I was invited to travel to different towns in the north and Olle Westerlund’s old Volvo took us to places like Storuman in the Lapland interior. We travelled there through snowstorms and reindeer herds.

Here with Christer Holmgren and Christer Söderman in 1977

Usf

 

The Umeå years (1)

studentkår

When I had completed enough subjects in the Adult education (Komvux) courses, I applied to the University. At that time we discussed the two nearest alternatives, Uppsala and Umeå. The latter was further up north and Sweden’s newest University. I managed to get in on a sort of trial as I had not managed the level of Swedish required. I enrolled for the English AB course. It was meant that this subject would take a year. Due to my previous knowledge of English I decided to speed up the course. I did most of it within the term.

My student life in Umeå was all, but glamorous. I rented a furnished room at a private home in Scharinsvägen. Once again I had an elderly landlady. There were no cooking facilities so I needed to plan my meals so as not to get hungry at night, which I did not succeed very well in doing.

I came home at weekends especially in the beginning. I did not know anyone so I enrolled at the Social-Democratic Student Association.  

I got to and from Umeå by bus. These buses took between three and four hours and some stopped quite often.

My life in Umeå during these first years circled around the University. It was the most left winged environment in the Swedish academic world and I will come back to this. On the 20th November 1976 I got my first 40 academic points. I could come home for Christmas with a sense of duty accomplished.

Uusitalo and Berthelard

Helge Helge Uusitalo

Where would I have been without adult education (Komvux)? When I realized that nobody was really very interested on what I had done, previously to moving to Sundsvall in 1973, it seemed that studying was one of the only paths open. I finished my Swedish course after the planned 9 weeks and decided to further my studies. As I already been to the schools as a substitute teacher, and survived, it seemed like the fastest way to get a job was to become a teacher. In that category, language teaching was down my alley.

I decided to contact the responsible director for adult education. I felt I was quite old to study at 22 years of age, but it was worth a try. I met a director called Helge Uusitalo. This gentleman backed me up and I enrolled for Spanish, French and English sometime in 1974.

I particularly enjoyed the French classes that were held in the evenings. The teacher was Monsieur Robert Berthelard. This Frenchman from the Lyon area was well established in the town and I was to become his friend and colleague some years later. He worked as did his wife Britt at the Åkersvik School.

Mr. Uusitalo encouraged me to study and later on I enrolled for History lessons with him. Mr. Berthelard was an older colleague that inspired with his pedagogical skills. These two men were important in the setup of the Swedish system of adult education. The system aims at  giving new opportunities to those who need to complete their studies. It is free of charge and has seen many in Sweden achieve higher goals thanks to it. Without it I would not have gone further.

After I completed the subjects I mentioned, plus language science ad psychology, did Swedish and some Russian I could and did apply to get into University in the autumn of 1976.

spanska

Montijo e Sundsvall encontram-se brevemente

 

forcado

Já aqui tive ocasião de referir o que foram os meus primeiros contactos com  os partidos Socialistas da Suécia e de Portugal. Logo após o 25 de abril de 1974 decidiu-se que uma germinação entre distritos de cá e lá se efectuaria. O partido Social Democrata da Suécia já era antigo enquanto que o PS de Portugal tinha práticamente acabado de nascer. Calhou-nos o distrito de Setúbal. Calhou-me a mim ajudar nas traduções e fazer de intérprete já que era o unico portugues falante em Sundsvall.

Terá sido em 1976 que recebemos cá a segunda visita. Veio o José Resina Bastos autarca do Montijo. Como tinha sido descrito que Montijo era uma vila com muita criação de suíno, visitámos uma unidade de produção de cá. Tambem visitámos a fábrica de peixe fermentado (surströmming) onde fomos recebidos pelo dono o Sr Oskar Söderström.

Mais tarde fomos excelentemente recebidos pela familia Bastos no seu próprio ambiente. Fomos lá a um sábado ou domingo, mas não me recordo já o ano, e após termos visto alguma coisa das actividades importantes do Montijo como a da cortiça foi-nos oferecido um  excelente almoço em familia.

Como era dia de tourada e o Vice-Presidente da Câmara, o José Bastos, seria o presidente do feito tauromático, fomos convidados para a tribuna de honra. Foi um evento muito caracteristico da região e muito especialmente as provas de valentia dos forcados ficaram-nos bem vincadas na retina.

The flower and the bee

bee

You are with your intensive giving

And childish ways so dear to see

Mysterious flower joyfully gathering

Honey and sweetness extracting

All the strength there is in me

 

You are with your irregular flight

An insect of much constructing

Active womanhood daydreams pursuing

Working for the world and might,

But with a deadly sting

 

As the sunflower turns clockwise

In search of higher nourishment

The mirror of vanity and beauty contemplating

Conceit and appraisal for the eyes

That blindly would not guess the punishment

 

And yet returning to its hive

With the nectar well secure

On speedy undecided landing

Neither to give or to take life

Just to appear immature

 

As invariably does the flower

Before it fructifies.

The sense of its existence losing

As the queen of social power

Friend and lover crucifies