A companhia do Niassa

Pemba

Nos finais do século XIX havia uma grande pressão sobre Portugal para bem administrar os seus territórios do ultramar, as colónias. Tanto ingleses como alemães viam com interesse a exploração agricola de vastos territórios em África e planeavam dividi-las entre si como era o caso no norte de Moçambique. Entrou então na moda criarem-se “Companhias”. Uma delas foi a Companhia do Niassa ! A companhia a partir de 1893 era administrada por Portugal cujo papel era estabelecer o desenvovimento económico e manter o controle sobre as provincias de Niassa e Cabo Delgado.

Em 1904 a cidade de Porto Amélia (hoje Pemba) foi fundada e passou a ser o quartel-geral da companhia.

Foi para aí que foi indigitado o meu avô, João Henriques Pinheiro em 1920 como governador do território após 4 meses como seu secretário geral. A 1 de agosto de 1923 a seu pedido deixou frustrado e triste por falta de condições para bem governar com um minimo de justiça social para os empregados da Companhia assim como para as populações indigenas. No seu relatório ao conselho de administração compreende-se bem quem era o homem e da sua honradez e honestidade. Disso me orgulho.

As colónias portuguesas eram péssimamente mal geridas. Não havia dinheiro para as desenvolver. Muitas vezes tambem incompetencia. O orçamento de que dispunha não dava nem para pagar aos funcionários “que morriam de fome”. Aos agricultores e aos comerciantes não se lhes podia impor que pagassem mais impostos já que, “  a companhia nunca tinha oferecido os suficientes meios de proteção e as necessárias garantias para o desenvolvimento do seu trabalho”. Os indigenas que eram das raças Makua, Ajaua e Makonde e tinham sido subjugados militarmente “não estavam disciplinados para o trabalho… e a companhia ainda não se tinha preocupado com a assistencia que lhes devia”.

Tudo isto e um ciclone que no dia a seguir à sua posse no cargo, no dia 1 de dezembro de 1920 “ assaltou e destruiu Porto Amélia, arrazando os seus edificios” só podia significar uma missão impossivel.

Assim escreveu o meu avô na introdução ao seu relatório final “ Sem dinheiro e com a desgraçada situação a pesar, como um remorso, sobre os meus ombros. E de Lisboa apoquentavam-me, continuamente, com pedidos de dinheiro, como se eu tivesse à minha disposição a máquina de impressão do Banco de Portugal.

São frequentes os ciclones em Porto Amélia. O ciclone anterior datava de 1914. Deveria fazer-se, então, o que eu fiz depois, para evitar os enormes prejuizos do ciclone de 1920. E assim começou o meu governo.”

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