Los Martinhos de España

Martinho

Por alguma coisa me deram o nome de Martinho… nunca tive outra informação que não fosse em honra do tio do meu pai, Martinho Caldeira Ribeiro. Este tio era um homem alto e forte, que cheguei a conhecer em muito pequeno, numa das suas poucas visitas a Lisboa!

O tio Martinho vivia desde a guerra civil de Espanha em Madrid. A sua residencia ficava no centro da capital espanhola mais própriamente na Calle Velazquez.  Teve várias filhas e finalmente um filho o Martinhito.

Este filho que tem sensivelmente a mesma idade que eu é portanto primo direito do meu pai. O Martinho era por conseguinte um nome de que se ouvia falar mas para mim desconhecido,tanto o pai como o filho!

Por falta de dados não posso fazer nenhuma descrição aprofundada sobre o Martinho senior sabendo entretanto que foi monárquico e que defendeu essa causa em Portugal. Como o Martinho filho tinha as suas raízes em Portugal era normal e natural que fizesse uma visita ao país de seu primogénito.

Os primos de Sintra terão tomado iniciativa de o convidar a Portugal e nesse programa planeou-se tambem uma estadia connosco na casa da Praceta em Carcavelos. Era normal até porque aí vivia a tia do Martinho a minha avó Bua. O Martinho não tinha ainda visto o mar e isso era algo que todos antecipavam com alguma excitação, incluido certamente ele próprio!

Lá nos contaram essa primeira experiencia e acabou por vir uns dias para Carcavelos com o Nuno nosso primo de Sintra passar uns dias. Fez-se praia e foi divertido não tendo eu sentido nenhuma dificuldade em entender a lingua castelhana que falava!

Era engraçado ter uma coneção espanhola que com a visita a Portugal do Martinho se materializou penso que no verão de 1967.
A terceira geracão de Martinhos está representada por Martinho Soto que teve a amabilidade de me conceder esta foto em que figuram seu pai e avô.
Martinho2

3 thoughts on “Los Martinhos de España

  1. Não foram os primos de Sintra que o convidaram para vir a Portugal, foi a minha Mãe a pedido do irmão Tio Martinho. O Tio Martinho era uma lenda viva na família . Monárquico, esteve com o Paiva Couceiro na revolta para a implantação da monarquia. Esteve para ser preso mas conseguiu fugir para a Espanha com a ajuda de meu Pai, republicano convicto, seu cunhado, que o fez passar pela propriedade no Rosmaninhal do primo José de Moura Pinheiro, na raia beirã. Viveu muitos anos em França e quando rebentou a guerra civil em Espanha foi alistar-se nos Requetés, batalhão monárquico que estava integrado nas forças de Franco. Esteve em todas as frentes de batalha e foi bastante condecorado. Tinha o posto de tenente ou capitão, não sei bem. Tu és Martinho por que eu sempre gostei muito dele, independentemente das opções e gostos políticos dele. Dos primos de Sintra pouca ou nenhuma familiaridade tenho com eles à excepção da Tatão, com que às vezes converso pelo telefone

  2. Caro João, Lembro-me do tio Martinho ter cá vindo a nossa casa, em Sintra, mas não sei em que ano, eu era muito miúdo, talvez 6 anos, mas o meu pai contava dele, que sempre que o meu pai ia a Madrid, e foram muitas vezes, lhe levava três coisas que o tio Martinho gostava muito, e não tinha em Espanha: Coentros, bacalhau e noticias do Benfica e do Eusébio. Quanto à visita do Martinho em Portugal e ficar cá em Sintra, lembro-me perfeitamente, teria eu 12 anos. Dos dezoito, em diante o Martinho, porque ainda tinha nacionalidade Portuguesa, não podia, ou não era aconselhável vir a Portugal, porque, como era óbvio, não tinha feito a inspecção militar, nem sequer se tinha apresentado, coisa que eu teria feito o mesmo, se tivesse nascido e vivido toda a minha vida em Espanha. Um abraço

  3. Dei a carta que o Tio Martinho escreveu a minha Mãe pedindo-lhe que recebesse o filho, Martinho, em sua casa, ao Martinho, numa das vezes que fomos a Espanha estar com ele e com a Pijo. Ele ainda conserva a nacionalidade portuguesa e há uns anos fui
    à Conservatória dos Registos Civis tirar uma ceritidão do Martinho para que se pudesse divorciar da mulher. Que eu saiba ainda conserva a nacionalidade portuguesa. Cada um come do que gosta.
    Como ele agora é restauranteur dos finos levava-lhe garrafas de Dom Martinho, um bom vinho alentejano que ele vendia lá na sua chafarica. Na próxima vez que iremos lá vão mais garrafas e agora bem a propósito pois o restaurante chama-se Casa Martinho

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