Abençoadas drageias

drageias

Tive a sorte de ter nascido depois das grandes guerras e por conseguinte usufruído do periodo de paz pós guerra dos anos 50 e 60. Havia uma preocupacão especialmente por parte da  minha mãe que teria a sua proveniencia, na sua própria adolescencia londrina no periodo da guerra. Era necessário evitar as doenças e para isso era imprescindivel uma alimentação especifica com alguns fortificantes.

Ao pequeno almoço sempre os flocos de aveia cozidos e acompanhados de  leite. Os fortificantes britânicos eram o Bovril mas principalmente o óleo de figado de bacalhau que passava duma garrafa para uma colher e depois ingerido pelas guelas abaixo. Abençoado o dia em que se inventaram as drageias que substituiram as colheradas! Em caso de adoecer era um cházinho e uma aspirina! Outro dos remédios que se usavam para combater narizes entupidos ou resfriados era o Vic Vapour Rub que se esfregava no peito e que mais tarde e após observar a minha avó Bua até se punha nas narinas! Quando era muito pequeno recordo-me de me terem posto uma massa quente no peito para curar qualquer coisa. Terei sonhado isto?

O mal de ordem fisica  que mais me apoquentou nos primeiros anos foi a urticária. Cheguei a ter que ir de consulta ao Dr. Rosa Paixão que com aquele nome só podia ser muito boa pessoa! A urticária lá passou um belo dia e nunca mais me afectou. Tambem tive verrugas nos dedos que foram tratadas numa farmácia na rua de Campolide. Fui lá umas vezes, punham-se umas gotas e aquilo acabou por desaparecer!

O meu mal mais dramáico teriam sido as queimaduras que apanhei na praia de Carcavelos quando decidi ficar tão bronzeado como os restantes amigos da mesma idade! Apanhei um verdadeiro escaldão e apanhei febres altas tendo que se chamar um médico para a casa da Praceta.  Naquela época havia o Caladryl, um liquido cor de rosa que aliviava as queimaduras. Nunca mais me preocupei com os bronzeamentos…sou branquinho e não há nada a fazer!

3 thoughts on “Abençoadas drageias

  1. Também tive a mesma experiência com o óleo de fígado de bacalhau. O seu sabor era tão horrível, que ainda hoje quando quero referenciar algo intragável o utiluzo como termo de comparação. esqueço-me que a actual geração não sabe a que tipo de sabor me refiro!
    Em contrapartida recordo com agrado,.o odor do Vic Vapour Rub

  2. Eu, felizmente, sou do tempo já das drageias, mas conheço muita gente da minha idade que ainda tomaram óleo de fígado de bacalhau à colher!
    O Vicks vapor rub ainda hoje utilizo mas não no nariz que pode queimar (e muito!)… coloco no peito e por vezes num lenço que coloco debaixo da almofada, se necessário. A minha mãe também costumava utilizar para as constipações, sobretudo quando os pulmões ficavam congestionados, um pacho de algodão humedecido em álcool… e era tiro e queda para passar a tosse e dormir que nem um anjinho (não sei se do álcool ou se por respirar melhor) 🙂
    Quanto às papas quentes, que referes, eram certamente papas de linhaça que se usavam muito antigamente mas que eram um perigo ao mesmo tempo, pois muitas foram as crianças que, inadvertidamente, sofreram queimaduras pelo facto das papas estarem demasiado quentes.

  3. A coisa quente que te púnhamos no peito não eram papas de linhaça mas uma pasta que se chamava qualquer coisa como “anti-florestina” ou outro nome parecido. Aplicava-se no caso de constipações e tosse. Quanto à urticária sofri dessa praga desde que nasci até à idade adulta e as verrugas tenho-as agora. A dermatologista diz que não tem importância; pudera não é com ela..

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