Datas e dados

Embarque

Há datas que ficam marcadas na memória individual e colectiva. Talvez mais o acontecimentos do que as datas em si. Naquele começo da década de 60 em que eu próprio começava a perceber e a interessar-me algo sobre o mundo recordo-me de algumas e vou aqui no blogue referir-me a elas tentando recordá-las como as vivi e não fazendo análises,  hoje fruto de acumuladas experiencias e conhecimentos posteriores aos acontecimentos em si.

Nos principios de 1961 corriam noticias nas emissoras  nacionais em como nas provincias ultramarinas, mais concretamente em Angola grupos de terroristas tinham morto uma série de pessoas inocentes. A palavra terrorista era nova e não sei muito bem se sequer a sabia dizer com os meus então 9 anos de idade. Curiosamente as pessoas à minha volta não falavam destas noticias nem se travava um diálogo informativo sobre o que verdadeiramente se passava. Tenho a certeza que os adultos discutiam os acontecimentos em grupos restritos e tentariam por intermédio da imprensa estrangeira colher mais dados.

Mais tarde nesse ano recordo-me, ao entrar para a lição de canto coral no colégio Valsassina de alguem falar ou referir que as nossas provincias na India, Goa, Damão e Diu tinham sido atacadas e ocupadas por tropas indianas. Na minha cabeça só via um série de sujeitos de turbante a ocupar umas terreolas e que isto tinha causada tanta indignação no nosso governo que um senhor velhote de voz esganida se tinha queixado imenso. Penso que naquela altura pensei mesmo que os portugueses com as tropas ali da Artilharia 1 já estariam a embarcar para a guerra da India. Não aconteceu nesse dezembro de 1961.

Uma terceira situação essa sim universal foi a noticia de que o presidente Kennedy tinha sido morto a tiro em Dallas.Isto ocoorreu em 1963 no dia 22 de novembro e quem estava vivo nessa altura certamente que se recorda onde estava e o que pensou. Eu estava no hall de entrada da casa da Eng. Miguel Pais. Fiquei triste e chocado, pois o presidente Kennedy parece que era considerado e querido da maior parte das pessoas.

Lisboa dos escoceses

 celtic1

Os portugueses assim como quase todos os outros povos europeus são apaixonados do futebol. Na década de 60 e após um periodo de ouro dos clubes de Lisboa foi decidido que a final do Taça dos Campeões europeus seria jogada no Estádio Nacional tambem conhecido por Estádio do Jamor.

A data para este evento ficou marcada para dia 25 de maio de 1967.

A final era entre o Celtic de Glasgow e o Inter de Milão. Os italianos reinavam o futebol europeu e nunca uma equipa britanica tinha ganho até à data um troféu europeu.

 Os escoceses invadiram tudo o que era sitio, especialmente cafés e restaurantes onde com os seu cachecóis verdes e brancos podiam cantar ruidosamente enquanto se bebiam enormes quantidades de cerveja.

 Nós os habitantes da Praceta em Carcavelos tambem fomos testemunhas de um bom punhado de escoceses que no Café Atlantico quase que acabaram com o stock da cerveja e de outras bebidas alcoólicas. A verdade seja dito que os do Celtic conquistaram o coração dos portugueses e quando entraram em campo para ganhar a taça já o faziam como se estivessem a jogar em casa pois tinham os lisboetas conquistados!

celtic

Dramatic decisions

londres

The period between May and July of 1972 seemed interminable. The emotional situation of being separated from someone you are madly in love with, was toppled by many practical decisions and planning problems, some outside of my own scope.

At the beginning of this period I still a flat to live in and the plan was for Mona to come back to England and study there. As people started to leave the flat at Nevern Square I was left with the problems, as I had the contract.

I spoke to Guido the Tramp’s manager about my holiday and I was promised a week in June. If I was to come to Sweden for a week I would have to fly. The plane fare for a return to Sundsvall cost £88.On a good week I could earn up to £50. In today’s money, I have worked out, that this trip  would cost about 1170€ .

Mona was working as a telephone receptionist for the State company “Televerket”,and we rang each other as often as we could,or rather she did! I did not have a phone so we had to organize these calls on ways no one today can conceive.

Slowly the picture was clarifying… I would have to leave my job and come over to Sweden.

I left notice for the flat and tried to get some digs with Pepe. That was a waste of time!

The circles in my mind

station

Life doesn’t run on a straight line. It rather divides up into circles that meet each other and progress into new ones. On this blog I have now written over 100 texts and divided them into memories in English and in Portuguese. I have in time, stretched between 1952 and 1972, and arrived at the edge of the London circle. It will soon go over to a new one where Sweden will for the first time appear in my own set of reports. But not quite yet…

I have saved many letters from the time where these were handwritten and sent by ordinary post, generally with a specially chosen stamp that could be useful for collecting.

I am these days reading some of these letters which have filled some memory gaps.

I realize for example that I knew some people when living at Nevern Square, Earl’s Court, that I had completely forgotten about.

When the Portuguese left the flat I had to look for new tenants. The rent was high and I really needed 4 to contribute towards it. The Swedish girls now living in the flat, Jannice and Ulla were like flowers attracting bees.  A Portuguese guy called Pepe did come in but was getting in and out of work. Another guy turned up to get a bath. I believed he needed one, having the nickname Clint Eastwood, as a reference to the film” Dirty Harry”.

Live in the flat did no longer feel secure and things disappeared such as money, Mona’s camera and the likes. It felt as time was running towards getting off the circle, one way or another….

O St. Julian’s

stjulians

Muitas pessoas associam Carcavelos com O colégio ingles St. Julians School. Andou lá, por exemplo, a minha irmã Joana. Lá andava com o seu uniforme e lá tinha as suas amigas das quais algumas viviam como nós, na Praceta do Junqueiro. Estou a lembrar-me das irmãs Mette e Anita Amundsen e da Ruth!  Como a Joana tem 5 anos e meio menos que eu, viviamos em mundos um tanto diferentes. Nunca entrei  no colégio  própriamente dito. Mas conhecia os campos adjacentes.

Paralelo com a avenida que dava para a estação corria um campo de golfe. Para lá andei algumas vezes à procura de bolas e cheguei a encontrar algumas. Era lá perto tambem o campo de futebol onde chegou a treinar o Benfica com Eusébio e tudo e onde vi jogar o Mário Simões numa equipa de juniores do Carcavelos que chegou ainda longe tendo defrontado o Sporting nalguma competição.

Quanto aos mundos separados da minha irmã e dos irmãos juntávamos-nos às refeições. Se há algo de que me arrependo dessa época era as vezes que provocávamos a minha irmã para que começasse a chorar. Era fácil pois tinha uns pontos fracos. Era cruel concerteza mas é o que fazem irmãos e especialmente na adolescencia. O meu arrependimento prende-se muito com o facto que era a minha avó Bua que a maior parte das vezes tinha que nos aturar e já tinha muita idade nessa altura.

Penso que alguns dos leitores destes textos andaram no St. Julian’s ou conhecem algo da escola que se gere pelo lema “Lux tua nos ducat” something like” Your light guides us”. Who has something to tell from that time?

 

Homenagem à Costa dos anos 60

costa

Quando era pequeno não me recordo de alguma vez ter ido para as praias da linha do Estoril. Quando viviamos na Beira Alta era para a Figueira da Foz que íamos. Uma vez dramáticamente perdi de vista os meus pais e fui reencontrado a caminho da estrada que passa por trás da praia em grande e dramático alvoroço!

Depois e como já recordei era a praia das Maçãs ainda me lembrando de alguma visita à Ericeira ou Sesimbra. Penso que os meus pais preferiam o mar mais aberto do Atlantico às praias da marginal.

Mas a Costa da Caparica foi durante alguns anos até me mudar para a Praceta de Carcavelos, o destino das férias de verão.

Além dos muitos nomes das praias (que eram todas seguidas) como a do Rei, da Raínha, da Saúde,do Tarquino e do Evandro, tambem se falava da mistica Fonte da Telha e das praias de nudismo!

O mar tinha os seus dias mas avisava-se das correntes e dos peixes aranha. Ás tardinhas  gostava imenso de ajudar a trazer as redes. Puxavam-se a partir da praia e os pescadores penso que apreciavam esta ajuda voluntária. Fazia-se logo a seguir a distribuição do peixe que era levado dali em caixas de madeira.

Na vila própriamente dita imperava a Rua dos Pescadores que quase em linha recta levava os peões do centro à praia. Como miúdo apreciava principalmente a sala de jogos( que ainda lá está) em que além dos matraquilhos havia uma grande variedade de  jogos electricos de tiro, pinball, etc. Gostava imenso de lá ir mas os tostões não davam para muito.

Tambem havia um gelataria ao principio da rua em que se fazia a escolha dos diferentes sabores, uma novidade, que não se via ainda por muito sitio. Foi aí que aprendi que havia uma coisa chamada pistachio. Embora não soubesse  lá muito bem o que era, gostava.

evandro

The Ineichens

Josef Ineichen

The Ineichens originate from Switzerland. My great grandfather Josef left his farm in Gölpi, Village of Gelfingen, Hitzkirch, in the canton of Luzern.  He was a Swiss German- speaking young man, of Roman Catholic creed, when he left for London. He had 6 brothers and sisters and I presume his older brother Leonz was expected to inherit the farm and carry on the farming life.Josef was born on the 22nd march 1875.

The other siblings were Elisabeth, Anna, Barbara, Marie and Albert. Their father was Kasper and their mother Verena Egli.

Josef would have been in his twenties when he came to London where he became a waiter. He married Mary Hatchard my great grandmother on the 14th of April 1899.

I really have very little information about Josef Ineichen. He lived in Westminster more precisely at 42, Moreland buildings, in Smith square. When he married Mary Hatchard, she already had a son, William George who was at the time 5 years old.

I am curious whether Josef managed to speak good English and what sort of a person he was. Does anyone know?

He passed away on the 1st of july 1949, aged 74.

Painful departures

1972joao

Earl’s Court  4/5 1972

My darling

I waited until that wretched boat that took you away departed, but I could not catch a last glimpse of you.

My throat went dry and I could not speak properly for about twenty minutes, I hope you cried.

I am very sad and miss you a lot already. I love you and I feel as if I have been left alone in life, again.

Please come back very quickly and don’t ever forget me.

Lots of love

João

P.S- I will phone Sunday or Monday bet. 5 & 6.

(The boat was the Saga, the place Tillbury docks, the feelings genuine)

Os cromos

caderneta

O jovem ou criança caracteriza-se muitas vezes por ser um coleccionador. Eu tambem era. Alem dos selos a que fui bastante encorajado pela familia tambem bem cedo entrei en contato com os cromos. Havia a caderneta com os quadradinhos para colar os cromos e estes adquiriam-se em pacotes contendo cada um, tres cromos. Se saíam repetidos, trocavam-se com outros coleccionadores.Creio que se faltava algum cromo, este podia ser adquirido directamante à editora, coisa que penso nunca ter acontecido durante as minhas epopeias coleccionadoras.

Os temas eram diversos. Saliento os animais da História Natural e os filmes de desenhos animados, as Maravilhas do Mundo, etc. . O que dava enorme prazer era colar pois a cola da marca Cisne tinha um cheiro que só apetecia era mesmo comer a dita cola!

Tambem coleccionei embalagens de cigarros. Entre os portugueses estou-me a lembra de algumas marcas. Pode ser que algum se recorde de alguma mais. Mas havia o Porto, Portugues Suave, Negritas, Sagres, Tres vintes.Fiquei um dia impressionado com a colecção de um amigo do meu pai de caixas de fósforos

Quero tambem relembrar os bonecos da bola  ( jogadores de futebol). Vinham a embrulhar uns intragáveis rebuçados que se deitavam fora. Muitos miúdos andavam com enormes maços de bonecos da bolaque afinal já eram os nossos heróis, para trocar ou negociar.

O Jardim Cinema

jardim cinema

Já escrevi sobre o cinema e volto hoje ao assunto. Quando vivia na Escola Politécnica acontecia ir ao cinema sózinho. Os filmes estavam categorizados por idades. A partir dos dez anos a meta para mim eram os filmes para maiores de doze anos. Haviam cinemas em que os porteiros fechavam os olhos e deixavam entrar. Eram os cinemas preferidos…Ao pé de casa havia o Jardim Cinema. Tinha esse cinema uma particularidade que penso era única. As cadeiras eram de verga. Sabe-se lá porquê? Dizia-se que as poltronas de palha eram boas para apanhar pulgas. Um dos meus atores preferidos nessa  época  era o Jean Marais, mas tambem havia o Charlton Heston e o Eddie Constantino.

Na Costa da Caparica havia tambem um cinema. Na Costa a minha mãe e o Alexandre O’Neill lá por 1963 alugavam um primeiro andar numa vivenda ou moradia. No andar de baixo encontrei a Marisa, miúda muito gira, pela qual me apaixonei, como não podia deixar de se, pois eu era um verdadeiro pinga-amores.  No cinema da Costa era fácil entrar para ver filmes para maiores de 12. A Marisa tambem foi pelo menos uma vez. Era tudo muito inocente. Eu emprestava-lhe o meu braço para ela beliscar quando aparecessem cenas mais assustadoras. Um filme que deixou marca foi “ A Mão Maldita”. Impressionou-me bastante pois a mão aparecia com uma luva branca e acenava causando sérios acidentes aos desgraçados protagonistas e ao meu braço, claro está.http://cinemaaoscopos.blogspot.se/2009/11/jardim-cinema-1930-1979.html