A idade da parvalheira

adolescentes

De que se trata afinal a idade da parvalheira tambem conhecida como idade do armário, etc? Ora, é aquele período na adolescencia, em que os sujeitos tem comportamento irracional e de dificil explicação ou justificação. Esse periodo para mim passei-o quando vivia na Praceta do Junqueiro em Carcavelos.

A passagem da idade infantil para a idade adulta é um processo complicado e causa comportamentos distintos entre os “apanhados”. Existe sem duvida uma forte chamada para fazer disparates naquela idade

Em relação aos “acontecimentos” começo já, por pedir desculpa, em meu nome e em nome dos outras comparsas, se conseguimos chatear alguem o que afinal era mesmo a finalidade das ações. Vou enumerar algumas para dar oportunidade aos leitores- especialmente aqueles do ” Grupo da Praceta e Bairro do Junqueiro, em Carcavelos” do Facebook de poderem reagir e receber as tais devidas desculpas…

1-Tocar às campaínhas o que fazia com o intuito de maçar as pessoas e de preferencia fazer com que nos perseguissem. 2- Ir para a marginal fazer de conta que se estava a esticar uma corda à frente dos carros que passavam com o intuito de os fazer parar com respetiva perseguição 3 – Ida à caça dos Gambuzinos que se fez uma vez ou outra com o intuito de forçar um noviço a meter a mão dentro de um saco contendo caca. ( se algum dos leitores foi vitimado por este horroroso procedimento, não precisa de se identificar).

Outras coisas menos séries eram as passaeatas noturnas pela mata dos ingleses para ver se algum guarda aparecia para nos dar tiros o que felizmente nunca aconteceu mas com uma perspectiva de perigo mais acentuada. Desconfio que as gerações mais recentes não ficam minimamente impressionadas com estes comportamentos mas pronto, ao menos ficam a saber o que faziam os da década de cinquenta!

6 thoughts on “A idade da parvalheira

  1. Caro João,

    Gosto muito como falei de ler o seu blog, e escreve lindamente. Uma das “travessuras” que me lembro muito bem, foi quando tinha talvez uns 20 e poucos anos e andávamos como disse e bem a fazer parvoíces. Juntava-me sempre com a maioria de amigos rapazes pois era também um pouco Maria-rapaz, identificava-me muitos mais com as brincadeiras deles do que propriamente brincar com bonecas e às casinhas….

    Então uma bela noite um grande grupo dali de Carcavelos, lembro-me de alguns elementos como o Feijão, Lino, João Dias (Gordo), o Lecas e tantos outros decidimos ir brincar de “parque infantil” e andar nos escorregas, fazer equilíbrio nos “vai e vem” só que eram uns 10 de cada lado, e também andar de baloiço…. com aqueles tamanhos já granditos!!!!

    De repente ouvem-se as sirenes do carro da Polícia, um carocha velho da Polícia antiga de Carcavelos, pois o “barulho” deve ter sido tanto, a risada que algum vizinho os chamou, claro!

    Tudo a fugir que nem louco, saltar muros, arbustos, esconder por detrás da Junta de Freguesia… só que eu ali fiquei de costas para tentar arranjar umas das correntes dos baloiços pois com o peso daquela cambada claro que partiu.

    Senti um bater no ombro, perguntando se achava bem o que estava a fazer, mas apenas respondi: Sr. Guarda estou a tentar arranjar o baloiço!!!! Claro que convidaram-me a andar de carocha e lembro que mais dois do grupo de “índios”, um deles o João Dias e outro que já me recordo, ainda iam pelo caminho da esquadra a fazer “chifres” nas cabeças dos polícias. Eu no meio chorava copiosamente e eles cada vez mais gozavam o prato.

    Os que foram apanhados ficaram retidos na esquadra de Carcavelos, pois naquele tempo tinham que ser os nossos pais a irem buscar-nos.

    Foi meu pai buscar-me, a minha mãe ralhou tanto, bateu-me em cima dos cobertores e dizia: “Que vergonha uma rapariga com esta idade e já com um cadastro na Polícia”, kkkkkk….. Nunca mais irei-me esquecer deste tipo de “diabruras”.

    Obrigada João por partilhar uma das diabruras 🙂

  2. Realmente fazíamos coisas que hoje parecem muito más. Mas, de facto, as nossas diabruras não prejudicavam ninguém. Eram atos inofensivos, de um grupo de adolescentes que disfrutavam de uma liberdade apenas possível naquele tempo. Se nos dias de hoje, um grupo de 10 jovens andassem a tocar às campainhas de todas as casas de uma certa rua, seriam considerados “delinquentes”, atuando em bando, e seriam alvo de perseguição criminal, etc…
    Essa nossa liberdade, inconsciente e inofensiva, incomodava diversos adultos(as), que nos observavam constantemente, pelas janelas entreabertas,com o objectivo, esse sim, de nos prejudicarem, fazerem com que fossemos seriamente repreendidos, talvez porque invejavam essa nossa liberdade.

    Lembro-me de um caso, óbviamente da Praceta, em que nos encontrávamos, (eu, o Luís, o Ricardo e já não me lembro quem mais), sentados no passeio, no meio da Praceta, a uma hora tardia (depois da meia-noite), simplesmente, a conversar.
    Constatámos que estávamos a ser observados, sorrateiramente, através de uma janela. Quando quem nos observava percebeu que tinha sido descoberto, apagou a luz… e continuou a espiar-nos, por detraz das cortinas, como se nós não soubéssemos.
    Lembrámo-nos, então, de pregar uma partidinha a esse espião, inofensiva, claro, mas que deixasse marca, como que para mostrar que não nos deviam desafiar.
    O Luís foi buscar o Lotus a casa, estacionou-o no meio da Praceta, num local bem visível, debaixo de um candeeiro, e foi-se embora, a pé, ter com os restantes que esperávamos algures, já não me lembro onde.
    Fomos dar uma volta e, passado algum tempo, regressámos à Praceta, se bem me lembro no Mini do Ricardo (ou melhor da mãe do Ricardo), fazendo algum barulho para despertar a atenção do nosso alvo, o dito espião.
    Logo que percebemos que tínhamos sido notados e que estávamos novamente a ser observados, encetámos um teatro, cuja cena era, nada mais que, o roubo do Lotus do Luís, perpetrado pelo próprio Luís.
    Na cena final da nossa atuação, o Luís entrou rapidamente no seu carro, os restantes no Mini, e abandonámos a Praceta a grande velocidade, e fomos dar uma volta.
    Cerca de meia hora depois, já não me lembro bem se na Praceta ou se em frente da casa do Luís, na Rua da Beira, fomos intercetados por um carro da polícia e por diversos agentes que nos interpelaram e nos queriam prender por termos roubado o Lotus…
    Contámos a história e o enredo aos policias, que ficaram furiosos com a dita senhora que os chamou a participar o roubo, e insultaram-na por não ter mais nada para fazer.
    Sentimo-nos bem, quase que como vingados pelo facto de quem nos espiava ter sido castigado… E pensámos, inocentemente, “prá próxima já não se mete connosco.”
    Perdoem-me se a história tiver algumas lacuna, mas já lá vão uns bons 43 anos.

    • Lembro-me tão bem dessa história, Johnny! Acho que durante uns tempos não se falou noutra coisa mesmo 😀
      Olha que vocês eram bem “frescos”… os teatros eram bem giros… e mais não digo.
      Foi bom saber de ti, Johnny.
      Beijinhos (se não te lembras, sou a Ana, prima do Filipe e irmã do Nuno e João)

  3. Caro João, não sei qual foi a “idade da parvalheira” para ti mas normalmente deduz-se ser a puberdade, até aos 13/14 anos. Depois disso, é juventude pura e simples. Ora bem, com 10 anos eu e o meu irmão Nuno com 11, saltávamos da varanda do 1º andar para ir para a Praceta já depois da hora considerada normal para uma criança, em época escolar, de ir dormir. Esperávamos que a pessoa que ficava a tomar conta de nós adormecesse e aí íamos nós! Nas férias, fazíamos o mesmo mas já depois das 2 da manhã. Em 71, com 12 anos e o Nuno com 13 (e mais alguém que não posso dizer quem) fomos “gamar” autocolantes e faróis suplementares de carros, para os lados do mar-à-vista às 2 da manhã e… fomos apanhados
    Por vezes ficávamos apenas por ali pela Praceta na cavaqueira com quem ainda por ali estivesse, ou deitados na relva perto da bomba de gasolina. Já havia muitos namoricos na altura, penso que éramos todos muito “precoces” nessa altura, com 12 ou 13 anos, e acho que eu e a tua irmã éramos mesmo as únicas que não tinham namorado, até pelo menos 1973. Quanto aos rapazes… o que os meus irmãos faziam eu sei bem, mas não posso contar, quem quiser que conte. Mergulhar de jeans tinha uma 2ª função também: a de clarear a ganga pois naquela altura a ganga era toda muito escuro e grossa. Acho mesmo que se inventou o “stone wash” na praia de Carcavelos eheheh

  4. Contributos à parvalheira.
    1. Essa de tocar às campainhas foi muito comum. Já não sei que idade teríamos. Era muito fácil. O grupo era por vezes grande e por isso tinha o nome de código de “brincar ao comboio” porque íamos uns atrás dos outros e cada um espalmava a mão aberta sobre o painel das campainhas e corríamos para o prédio seguinte, dando a volta à praceta. Havia um morador a que chamávamos o “cara de cavalo” que se irritava e acho que pelo menos uma vez desceu a zangar-se connosco. Não sei quem atribuio o nome de “cara de cavalo” ao senhor, mas tenho a impressão que deve ter sido o Johnny, por este tipo de humor crítico fininho.
    2. Havia um personagem de que não temos falado. O Zé Borsatti. Será Zé? Havia no meu prédio, creio que no 2º andar, um miúdo pequeno que não frequentava a rua. A mãe chamava-o Zezinho e chamava-o zeziiiiinho. Então nós passávamos a vida ao subir e descer as escadas a chamar “zeziiiiinho” tipo algarve. E íamos à minha janela e chamávamos “zeziiiiinho”.
    3. Também este artista (porque era um artista, mesmo), fazia umas cenas do caraças: Ia pela rua connosco e dava um arroto, um peido ou dizia uma grossa asneira e de imediato começava: Ó Zé, isso não se faz!. Não tens vergonha. Está aqui uma senhora Que falta de educação, etc. etc.. E a malta ria como se fosse um filme dos Monty Phyton. Uma anormalidade deliciosa.
    4. Esticar o fio era já uma coisa elaborada. Dois ou três colocavam-se a, talvez 50 metros a mandar abrandar e parar o trânsito, enquanto dois ou três mimavam estar a esticar um fio cuidadosamente atravessando a marginal, havendo um a dar orientações técnicas. O transito parava enquanto se processava a operação e depois mandávamos seguir e riamos como uns desalmados.
    5. Também usávamos as nossas meninas para se porem a pedir boleia com um ar sedutor e nós escondidos nos arbustos da vivenda. Quando havia um malandro que parava, saltávamos todos para a estrada a fazer uma barulheira e o gajo arrancava a toda a velocidade. Esta já era forte.
    6. Forte, mas com um sentido de solidariedade era quando havia uma operação de controlo de velocidade, normalmente antes da curva do sanatório, alguns de nós irem para onde está a rotunda ou mais para lá, não me lembro, fazerem sinal aos carros para abrandarem.
    7. Também na quinta dos ingleses a coisa foi mais pesada do que contam. Assaltamos as casas todas e nas que não se abriam facilmente, rebentávamos a porta com pedregulhos enormes. Não se roubou seja o que for. Aliás, estas casas estavam abandonadas há muitos anos, já com alguma degradação e não tinham absolutamente nada dentro.
    8. Mas havia um “Gary Cooper” na praceta. Havia um guarda dos jardins. Havia um personagem, de boné e farda, cuja única ocupação era guardar os espaços ajardinados da praceta. O homem não tinha mais nada que fazer. E nós entendemos dar-lhe algum sentido à vida! Oitenta mil e quinhentos era o que ele nos gritava quando passávamos a correr por cima relva, mais ou menos à sua frente, a pé e de bicicleta, e cada um por seu lado. Ela exasperava-se e nós rejubilávamos de gozo.
    9. Quem esteve no grupo que pela primeira vez percorreu o túnel subterrâneo da ribeira, desde as traseiras do(s) hotéis até à praia durante a noite? Quem foi? Vá lá! Quem foram esses heróis?
    10. Dos gambuzinos lembro-me mal. Sei que participei pelo menos numa com um totó que por lá apareceu, mas não me lembro de nada. Creio que tive aí um bloqueio.
    José Manuel do Carmo

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