O Santo António da Praceta

saltar fogueira

Embora esta foto não seja da Praceta do Junqueiro em Carcavelos penso que elucida bastante o entusiasmo que se vivia tambêm lá, por altura dos Santos Populares e principalmente na véspera da festa de Santo António.

A cultura de cada país identifica as pessoas e dessa forma as traz mais perto umas das outras. O mês de junho é caracterizado em Portugal pela celebrações de Santo António, São João e São Pedro. Na região de Lisboa dá-se mais importância ao S. António pois ele até era de lá.

 As tradições mais tipicas são as marchas populares e as conotacões casamenteiras que tem que ver com a fecundidade ou reprodução da natureza incluindo a dos seres humanos. Os manjericos tambêm do foro dos namoricos e os obrigatórios comes e bebes que fazem parte da cultura portuguesa durante todo o ano!

Tudo isto são formas de festejo pagãs e que se adaptaram para as pessoas aceitarem a nova religião cristã.  Aqui na Suécia há o Midsommar e antes disso fazem-se grandes fogueiras cujo propósito é queimar o que o inverno deixou para dar lugar à primavera e tambem afugentar uma bruxa ou outra.

 No centro da  Praceta juntavam-se as pessoas em forma de familia ao anoitecer do dia 12 para confraternizar à volta da fogueira. Tambem serviam para os rapazes darem provas de grande valentia e nenhum temor! Até uma certa idade lá andávamos a saltar à fogueira até às tantas para chegarmos a casa como heróis a cheirar a fumo e com as pestanas e sobrancelhas queimadas mas com a beneficio do dever cumprido. Era de facto uma ocasião única de dar nas vistas e eu não era daqueles que perdesse uma tal oportunidade. Olha o convencido!!!!

 

4 thoughts on “O Santo António da Praceta

  1. Rapazes e raparigas, que eu também saltei muito à fogueira no meio da praceta que, salvo erro, nem alcatroada era na altura. Queimavam-se as alcachofras, enterravam-se na terra e esperava-se que florescessem no dia seguinte. Se tal acontecia era sinal que o amor era correspondido… se não florescesse, esquecia-se tudo que era uma parvoíce 😉
    Havia a mercearia que fornecia os pirolitos, os chouriços e outros comes e bebes para quem pudesse pagar e a noite era de brincadeira, com música e muita alegria. Lembro-me tão bem dessas fogueiras! Aqui onde moro ainda se fazem mas já não é o mesmo, a tradição tende a perder-se e os graúdos não brincam como os miúdos da nossa época. Pelo menos é isso que sinto, mas realmente, esse era um ponto alto anual, na Praceta.
    Feliz Santo António!

  2. Olá João e Ana
    Está tudo certo.
    Lembro-me de mesmo pequeno (menos de 10 anos) já fazer parte da fila dos saltadores. E havia miudas na fila, sim.
    (parentesis: Na evocação dos santos poulares o João não menciona explicitamente a tradição da sardinha assada, o verdadeiro ex-libris dos comes e bebes dos arraiais. Também na Praceta nalguns anos se organizaram arraiais com fogueira e com sardinha assada. O João já não estava lá, quando nós na Praceta formamos um clube – O Clube Junqueiro 1979. Recordo que organizámos um arraial que foi um verdadeiro sucesso – musica, sardinhas e bifanas, mai’lo chourço assado, pois então, rifas…. – e que trouxe muita gente também do bairro do junqueiro, que entretanto surgiu e se espandiu.)
    É giro vir o Stafford (lá da Suécia) remexer o nosso baú de memórias.
    Um abraço.
    João Simões

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