O Professor Ardisson Pereira

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Frequentei o Liceu Nacional de Oeiras entre os anos de 1965 e 1968. Terá sido o meu período de escola mais feliz. Só tinha andado na Escola pública muito brevemente quando comecei o 1 ano do liceu. Tinha sido no Pedro Nunes, mais própriamente num anexo desse Liceu na turma H numero 20 do ano de 1962.

Nunca andei na mesma turma de nenhum dos amigos da Praceta de Carcavelos. Muito poucos andavam no Liceu de Oeiras e que me lembre era o João da mercearia, o Raminhos e o Lacerda. No liceu havia aquela malandragem do costume e uma convivencia unica que caracteriza os ambientes escolares. As escolas portuguesas nessa altura não eram própriamante universais. Só andava no liceu o estrato social  composto principalmente pela classe média baixa e para cima. A escola era exigente e as notas ditavam o futuro. As provas e chamadas escritas e orais tinham como função principal preparar para exames nacionais ou eliminar quem não estivesse disposto a trabalhar. Como meta estariam cursos superiores nas universidades.

Tinha excelentes professores em Oeiras. Hoje vou-me referir ao prof. Ardisson Pereira que ensinava História. As lições que dava eram para mim fascinantes. Usava-as para aprofundizar e desenvolver largos períodos da História com alguma incidencia na antiguidade de que seria especialista. Numa das provas escritas( vinham num papel a cheirar a um produto quimico em azul) colocou tres ou quatro questões na prova. Depois  debruçou-se sobre a secretária e não mais levantou o olhar até terminar a lição. Muitos alunos fizeram o que puderam para conferir e buscar respostas ou nos livros ou com os colegas. Mas foi uma autentica razia. Penso que ninguem teve nota positiva. Eram outros tempos e outras pedagogias. Eu para aquele tempo achava que o Ardisson Pereira era um grande professor mas muito mal compreendido por a grande parte dos adolescentes que tinha nas aulas.

Um deles já grande e com alguns anos chumbados era o Calado. E alguns professores não resistiam a clamar . Calado!….calado!

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