A desmercearização da Praceta.

supermercado

Muitos Pracetistas de geracões mais modernas não terão conhecido a grande revolução que se desenvolveu na Praceta. A verdade é que para quem não tenha vivido o momento, é extremamente dificil imaginar o que significou a decisão do Sr. Virgilio Cardoso em transformar a sua mercearia num Supermercado.

 Não faço a minima ideia porque se viu a Praceta como um bom sitio para entrar na idade moderna mas foi aí que se desenrolou a queda da barreira moral que representava a nova realidade consumidora.

 Antes no tempo da mercearia os fregueses entravam e dirigiam-se ao balcão cumprimentando o Sr. Virgilio e falavam com outras pessoas que terão chegado antes ou com as que iam chegando depois. Chegada a sua vez o cliente pedia o que necessitava e os produtos eram entregues à medida que se progredia.

Agora eram as regras do Supermercado que majésticamente imperavam. O cliente levava um cestinho e sem ter pago nada pegava no que não era seu e só à saida dava conta do que queria levar pagando o devido custo.

 Onde terá o Sr. Virgilio  ganhado conhecimentos e coragem para introduzir o sistema de Suprmercado? Não sei mas talvez algum dia venhamos a saber. O que foi realidade para mim e para muitos outros foi a estranheza um pouco dramática como se desmercearizou a Praceta! Chocolates e outras coisas de interesse estavam agora à mercê de jovens gulosos mas para controlar isso estariam os olhos atentos do dono. Que eu saiba nunca houve roubos no Sr. Virgilio mas muitos andariam tentados nesses primeiros tempos!

PS: Infelizmente não tenho nenhuma foto do Super e não me lembro do nome!

2 thoughts on “A desmercearização da Praceta.

  1. Bom, caro amigo, isto dava pano para mangas… tendo em consideração o facto de que o Independente no Saldanha em 1961 parece ter sido o primeiro supermercado português, não será de estranhar que outros se lhe tenham seguido. Que me lembre antes do Sr. Virgílio alterar a mercearia para supermercado, já existia o Espacial no Estoril mas o grande “boom” surge com a cadeia de supermercados do grupo CUF, Pão de Açúcar em 69 na Av. EUA e mais tarde, já com 9 lojas em Lisboa, surge o célebre “gigante” da altura: o Pão de Açúcar de Alcântara, em 71… portanto não é de admirar que tenha havido evolução, uma vez que as mercearias de bairro não podiam competir com os preços das grandes cadeias de supermercados.
    Quanto ao olhar atento do Sr. Virgílio e do Sr. Joaquim… bem… não digo nomes mas que voaram muitos chocolates, pez, sugus e sabe-se lá que mais, daquelas prateleiras, ai isso garanto-te que voaram!
    De qualquer modo, o Sr. Virgílio creio que ainda é vivo e tem uma loja perto do antigo “Famil” (era esse o nome do supermercado, quando constituiu sociedade com o Sr.Joaquim e que mais tarde se mudou para o largo da Igreja da Parede). Ninguém melhor do que ele para contar os motivos dessa mudança, não será?

    • Ana! Obrigado pelos seus interessantes comentários. O blogue agradece sempre a participacão com memórias proprias e algumas ideias. Fica mais vivo e dá- me alento para continuar a puxar pela caximónia! O Zé Manel por exemplo em resposta ao Gary Cooper pos informacao de que não tinha conhecimento.

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