O Gatsby da Praceta

Luis

O meu melhor amigo na Praceta era o Luis Lacerda. Tinhamos a mesma idade, só um dia de diferença. O Luis era diferente dos outros rapazes da Praceta por muitos motivos mas na personalidade entendiamo-nos e gostávamos da companhia um do outro. Se quase todos viviamos na Praceta, o Luis não… Vivia numa moradia na Rua da Beira.

Em casa dele passávamos eternidades a jogar ao pingue pongue. No espaço de que dispunhamos e cabia a mesa do pingue-pongue,  pouco mais restava, mas era o suficiente para o gira discos. Estou-me a lembrar que quando gostávamos dum disco o ouviamos repetidamente.  Assim foi por exemplo com o Magical Mistery Tour, dos Beatles.

Luis around 1966

O Lacerda aparecia na Praceta muitas vezes. Quando vinha nós já o  ouviamos à distancia. Tinha uma Velo Solex e enquanto todos os outros andavam a pé ele tinha rodas. Mas era generoso e deixava outros andar.  Vinha a toda bisca com um daqueles casacos aos quadrados que gostava de usar. Jogava futebol connosco mas não tinha muito jeito. Riamo-nos muito e geralmente divertiamo-nos bastante.

Não sei se ele sempre me considerou o seu melhor amigo. Às vezes andavamos chateados um com o outro mas para mim o Lacerda e eu, éramos irmãos. Tenho tanta pena que ele já não esteja connosco. Que saudades e que brutalidade é a vida que nos separou tão cedo e que o levou tão cedo tambem. Se algum dia conseguirmos juntar as pessoas da Praceta vai ser ele quem  mais me faltará.

Deixo aqui a minha homenagem ao Luis Lacerda. Grande amigo, companheiro de infancia nunca te esquecerei!

velosolex

3 thoughts on “O Gatsby da Praceta

  1. O Luis Lacerda era para mim também um dos grandes amigos da Praceta, juntamente contigo João. Longos dias passávamos na sua vivenda na Rua da Beira jogando ping pong e ouvindo música.Foi ái que eu estava na fatídica noite do 25 Novembro 1967 aquando das inundações na Praceta. Já não me recordo quem mais lá estava mas eramos 4 ou 5. Quando começou a chuva, que parecia nunca mais parar…, não pude regressar a casa pois estava tudo inundado.

    A nossa casa era num r/c-cave e ficou toda inundada.Os meus pais devem ter passado a pior noite da vida deles a arrastar móveis etc. E sobretudo preocupados não sabendo o nosso paradeiro.Depois de alguns telefonemas eles ficaram mais tranquilos pois souberam onde nós estavamos.O meu irmão Rui também, não estava em casa e viu a inundação toda da casa do Zé do Carmo, que morava num 3 andar, e onde ele estava a brincar. Uma das noites e data mais marcante da minha vida, pois foi o que ditou a minha saída da da Praceta e perder a ligação estreita ao grupo de amigos que ali tinha!

    O Luis, ele até jogava bem à bola… e chegou a jogar nos juvenis do GS Carcavelos…, era uma excelente pessoa e um amigo do peito. Andámos juntos no Liceu e até na mesma turma penso eu.
    Bem hajas Luis pelos bons momentos que passsamos juntos na década de 60!

    Junto as minha palavras às do João e também deixo aqui a minha homenagem ao Luis Lacerda. Grande amigo, companheiro de infancia nunca te esquecerei!

  2. Que bom ver estes testemunhos. Que bom ver relembrados aqui o Luis Lacerda e num outro artigo o meu irmão Mário. De facto, o Stafford e o João Raminhos “saíram” cedo da praceta. Eu sou da geração dos manos mais novos – o Pedro Pinheiro, o Rui Raminhos, o Pedro Lacerda – e acabo por ter poucas recordações do Stafford e do João Raminhos. Mas nisto das amizades para a vida (e morte) deixo o meu testemunho de uma amizade diria que “telúrica”, robustecida com o amadurecimento de ambos : a do Luis e do Mário. Se me é permitido, gostaria também de lembrar aqui para quem eventualmente leia isto e seja da “minha” geração, um Amigo que se foi muitíssimo antes de tempo: o Pedro Serôdio. Luis, Mário, Pedro… estejam onde estiverem, estão connosco.

  3. Nessa noite das inundações, também eu estava em casa do Luís. Lembro-me de sairmos da casa dele na Rua da Beira e descermos para a Praceta e depararmos com um rio a correr da praceta para a marginal, e um carro a boiar!!!
    Lembro-me muito bem do Luís… Eu e o Zé do Carmo (ou da Marina) fomos passar uns dias com o Luís no Hotel de Santa Luzia. Já nem me lembro quando foi, mas eramos muito miúdos.
    Também fui com o Luís, de boleia no seu Lotus Europa, para assistir ao 1º festival de Vilar de Mouros, em Agosto de 1971 para ver os Manfred Man e o Elton John.
    Há relativamente poucos anos, voltei a falar do Luís. Encontrei a Miss Margrett (lembram-se?)… Que saudades

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