A matemática descoberta.

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A matemática sempre foi um problema para mim. Não percebia grande coisa e essa disciplina perseguiu-me e apoquentou-me durante quase toda a minha vida escolar. Quando entrei para o Liceu de Oeiras era para iniciar o 2º ciclo do Liceu ou seja o 3º ano. Claro que as coisas não estavam a correr bem e ainda por cima havia mais umas matérias com muita matemáica: A fisica e a quimica.

Na Praceta alguem ouviu falar num explicador que punha todos aos alunos a perceber daquilo e a conseguir bons resultados. A minha mãe lá me meteu nas explicações do Professor Evaristo de Sousa. Tinha este senhor uma particularidade única. Era cego! Tinha uns óculos grossíssimos mas segundo todas as informações ao nosso dispor não via mesmo nada! Para ver algo precisava de por o objecto quase junto aos óculos.

O Liceu era da parte da tarde e nós, os rapazes, frequentávamos de segunda a sábado inclusive. As raparigas andavam da parte da manhã.

Ora eu chegava e sentava-me na cozinha dele onde ele aparecia, às vezes diretamente da cama. Fumava quase continuamente uns cigarros pretos e tomava o seu café.

Como ele não via eu tinha que ir dizendo em voz alta tudo o que fazia. Era assim que ele me orientava e como tinhamos começado com a álgebra eu podia decorar as regras e assim conseguir resolver as equações.

Só posso dizer que graças a essas explicações tive na primeira prova uma nota altíssima e que alguns meses antes consideraria impossivel; um 15. O professor de matemática do Liceu tambem tinha ficado admiradissimo. Foi esta a minha maior alegria escolar!

Não sei se a Pauluxa que algumas vezes tambem recebia explicações comigo teve a mesma experiencia mas ela falará por si própria!

6 thoughts on “A matemática descoberta.

  1. Foi no Liceu Nacional de Oeiras…no grande ano da futebolada do Mundial em 1966 em Inglaterra onde Portugal por um triz (pela primeira vez…) não ganhou o campeonato do Mundo! Grandes jogos se viram no café Atllântico na Praceta!
    Também tive a felicidade de ter explicações com o Prof. Evaristo de Sousa. Um dos melhores professores que tive em toda a minha vida apeasr de ser cego. Consegui tal como o João aqui diz, passar dum 7 para também um15 no espaço de 3 meses…o meu professor no Liceu nem queria acreditar!. Foi graças a ele que comecei a ter o gosto pela matemática de tal forma que quando acabei o quinto ano, fui convidado para entrar no sexto ano numa tuma experimental de matemática onde já ensinavam matérias que eram do primeiro ano da faculade….Bem hajas Prof Evaristo por tudo que fizeste à imensa legião de explicandos que tiveste da Praceta e não só! O seu filho Luis de Sousa (não sei se ainda vivo) estva ligado à Televisão e rádio e era apresentador de programas.
    Memórias….

    • Raminhos, era o Luís Pereira de Sousa penso eu, primo dos outros Pereira de Sousa da Rua da Beira, o Paulo e o João.

  2. Experiência partilhada por muitos amigos e conhecidos, esta do teu post!
    Também eu tive explicações com o Prof. Evaristo – era fantástico – gostava imenso dele; eu já gostava de Matemática e tinha boas notas, mas com ele consegui subir para os 18 e 19 e passar a adorar Matemática que, na verdade, é um verdadeiro e bastante divertido jogo. Também com ele adquiri um hábito que ainda hoje mantenho em alturas de maior concentração: pensar em alta voz!!!! Resulta bastante, embora as vezes seja complicado, quando estão outras pessoas presentes. Lembro-me que nas aulas, no liceu, a professora passava o tempo a mandar calar-me, porque fazia sempre os exercícios em voz alta.
    Ainda tenho todos os Palma Fernandes que fiz e refiz com o Prof Evaristo.

  3. Boa Noite,

    Fico feliz e com orgulho pelos comentários que fizeram ao meu avô Evaristo de Sousa que realmente ajudou muita gente com a sua sapiência e sobretudo com a matemática.

    Cumprimentos e obrigado pelas palavras.

    João Pereira de Sousa

    • Caro joão Pereira de Sousa! Tive muito gosto em receber os seus comentários. De facto alegra-me sobejamente quando alguem descobre algo de interesse nos textos das minhas memórias. Já agora gostaria de saber, por curiosidade, como encontrou o texto! um grande abraco, penso que de todos os que tiveram a sorte de conhecer o seu avô!

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