Os cavaleiros de Albufeira

albufeira

Não sei bem porque carga de água é que tres rapazes da Praceta decidiram ir conquistar o Algarve ou as inglesas que lá andavam, pois as portuguesas estavam fechadas a sete chaves.

O destino desta grande aventura era Albufeira. Esta vila em 1968 era um sitio pacato mas que começava a dar mostrar de querer ser muito mais.Os tres aventureiros eram alem de mim, o Zé Manel da Marina e o Johnny do Hotel  S. Julião que vim a saber mais tarde se chamava João Gouveia.

Porquê Albufeira.??? Não sei…Como lá chegámos? Naõ me lembro. Tenho uma vaga memória que acampámos. Logo este  detalhe faz pensar que o grande arquiteto desta saída era o Zé Manel porque alem de espirito de aventura era quem mais provávelmente dava uns toques em Auto Stop muito na voga naquela altura e para nós conhecido como “andar à boleia”.

Lá encontrámos um sitio para acampar e se não me engano havia por ali uns campos de meloas ou melancias que iam parar ao estomago destes pobres campistas. Entrámos em conversações  com um Britanico (ou seria Irlandes) que alugava barcos na praia, penso que com o intuito de convidar as filhas para irem jantar connosco. Enfim foram uns dias e noites bem passados se não me falha a memória! Os meus companheiros já iam torradinhos até pareciam africanos enquanto eu fazia jus à minha costela inglesa.

 A viagem de volta já me deixou maiores memórias pois foi feita individualmente. Cada um que se safasse na volta para Carcavelos já que era dificil que tres pudessem conseguir boleia ao mesmo tempo. Acabei por chegar a casa de rastos, esfomeado e cheio de sono. Jurei que nunca mais!

Depois de uma noite bem dormida veio-me o pensamento. Estou pronto prá próxima!

Hopy, the beautiful Russian girl

armenian

After meeting the Portuguese I started to move away from the City and naturally from Barnes that was a quiet place and a bit far from where the action was.

The new contacts meant that it became logical, practical and economic to move together. It all started with late nights in the West End mainly on weekends, that gradually increased in intensity as I started to make some money working in Discotheques.  I’ll have the opportunity to come back to that subject, but now I am more interested to describe my first real love affair.

Most boys aspire at doing their debut with a female partner as soon as possible and it is of great importance that this is a positive experience. It is certainly a nervous one! It is an advantage if this girl should be a bit older and more experienced.

Living at West Cromwell Rd 3 we had Gilberto Matos and Tony (the Setubal guys).  Opposite them lived another Portuguese, Rodolfo Fonseca. He was studying automobile engineering and was a few years older than everybody else. Truth is, we thought he was ancient, being around the age of 25. At any rate everybody got along with Rodolfo. He was social and we had great fun at his place. We just didn’t let him in on our nightly excursions!

He kept a tight watch on the females and had spoken several times about this beautiful Russian neighbor living in our building, on the top floor. I was obviously interested and thought of her, as well beyond my reach. But she was nice and curious and before long I was invited to her room and discussed many questions and shared common interest in languages and cultural matters. She was older than me and spending her time in London, getting educated. But what was the story of this sophisticated Russian with long black hair?

It turned out she was Armenian, not at all Russian, and had lived in one of the emirates where her family lived. In the Christmas period of 1970 we became a couple to my friends’ amazement and my own great sense of accomplishment. I was in love, but it wouldn’t last!

Brazilian monsters of music

Caetano-Veloso-and-Gilber-006

When Mário Soveral turned up in London his idea might have been to stay there. Breathing democracy and freedom is what most 17 year olds like to experience. His mother Laura kept a close eye on him. Life in those days was a daily adventure and everything was more or less possible. I had to earn my living and had a fixed job in the City. On our free time we would look for more adventures.

When in London Laura visited friends that she had known previously. Some of these were Brazilian. We were invited to a Guilherme Araújo in Chelsea that had an open house to other Brazilians. I remember being invited to a Beans lunch (Feijoada Brasileira) there, together with the Soveral mother and son.

Araújo was often on the phone on long distance calls. I really had no idea who these people were but it became clear to me that our host worked as an agent for two of the other tenants Caetano Veloso and Gilberto Gil.They had spent some months in prison in 1968 after being arrested by the military led government for subversive activism.

Below is what anyone might read on Wikipedia. There’s nothing there about our Beans lunch!!

“Thereafter, Gil and Veloso were exiled to London, England after being offered to leave Brazil.[16] The two played a last Brazilian concert together in Salvador in July 1969, then left to Portugal, Paris, and finally London.[1] He and Veloso took a house in Chelsea, sharing it with their manager and wives.”

Gil and Caetano were political refugees in England. They had arrived there under the influence of The Beatles latest work. Tropicalismo developed and made Brazilian pop more international and social aware. Velos’s and Gil´s political ideas on the left made them enemies of the Brazilian military dictatorship. Their songs were often censored and some were banned.

Sentinela alerta

artilharia

A rua A às Amoreiras era um beco sem saída. Foi lá construido um prédio mas havia planos para para aí se construir uma rua que lá está hoje e que passaria sobre o velho Campo da Aliança em Campolide onde se jogou á bola.

 Ainda lá haviam restos duma bancada de betão. Era um excelente sitio para se brincar e sendo um bairro muito popular havia uma mistura de familias de diferentes estratos sociais. Foi aí que pela primeira vez escutei algumas expressões populares (asneiras) que para mim não faziam nenhum sentido. Essas expressões não as posso repetir aqui devido ao carácter familiar deste blogue.

 O campo da Aliança tinha ao longo de todo o seu cumprimento as muralhas do quartel da Artilharia 1. Isto significava que à noite se ouviam os chamamentos dos soldados que assim se autocontrolavam para se certificarem que estavam acordados. –“ Sentinela alerta” e passados uns momentos vinha a resposta “Alerta está!”

 Foi a brincar na Rua A uma manhã que de repente senti qualquer coisa a bater-me na cabeça. Alguem tinha-me rachado a dita e tive de  ir de urgencia para o hospital de S. José onde me puseram uns agravos e me ataram a cabeça com uma ligadura. Um camionista que estaria atrás duma vedação de tábuas de madeira queria dormir e como os miúdos cá fora estavam a fazer barulho decidiu atirar uma cana que por azar me acertou no topo da cabeça. Alem da experiencia desagradável ainda vi o meu pai que tambem tinha perdido a cabeça a perseguir o tal sujeito com um machado. Foram cenas assustadoras!!

Um tempo mais tarde fomos ao tribunal e o juiz lá passou uma sentença ao camionista após discurso do meu pai que pedia justiça!

Amarcord amigo Mário!

 por do sol

É na juventude e adolescencia  quando ainda somos bastante novos que temos amigos e colegas que deixam marca e recordações únicas e genuinas. A amizade nesses tempos “despreocupados” é muitas vezes preponderante para esquecer os maus momentos porque todos passávamos.

Todos os que passaram pela adolescencia como voces queridos leitor ou leitora, saberão o que estou a dizer. Mais tarde lembramo-nos dos bons momentos como forma de manter são o espirito e sã a mente. E ainda bem!

Não invejo os adolescentes de hoje porque poucos viverão os momentos que passámos na Praceta do Junqueiro em Carcavelos na década de 60. A televisão era rudimentar, não havia computadores nem telemóveis  e assim passávamos tempo juntos a socializar,a jogar ás cartas, a disparatar, a desinformar-nos mutuamente o que tambem incluía a especulação  sobre o sexo oposto.

Hoje estou a recordar-me do Mário Simões. Teria um par de anos mais que eu. Mas era uma referencia… Nós eramos verdadeiramnte uns putosecos ao pé dele. O Mário era um grande desportista. Sempre bem treinado, tinha jeito para qualquer desporto mas evidenciou-se na natação e no raguebi. Muitas vezes o procurei quando ía a Portugal mas sem sucesso.

 Hoje se procurarmos o seu nome no Google não aparece nada. Bastante informação sim, sobre o seu pai o pianista Mário Simões, que além de ser conhecido por muitos exitos  da musica ligeira,nos deu algumas conhecidas marchas para a sofredora  familia Sportiguista.  A partir de hoje amigo Mário quem te procurar no Google e juntar Praceta e Carcavelos te encontrará assim como o meu testemunho de grande saudade por ti!

Fashion and politics

King's Rd

Needless to say if you were young and lived in London you couldn’t miss King’s Road, Chelsea.

This was one of the London streets where the sophisticated liked to come and show off. There were plenty of boutiques, pubs and restaurants. I have some vivid memories from my time in London that I can associate with King’s Road. Mário Soveral and I certainly went there quite often in late summer- autumn of 1970.

How did I bump into Mário? Well quite naturally… My mother knew his mother the actress Laura Soveral. Laura could very well have taken lessons at the British institute, so when they came to London it was only natural that they should get in touch with me. As Mário was a little younger than myself-he sometimes called me “Papá Pinheiro” – I was seen as someone who could give him support and calm him down a little! Whether this is his picture I do not know as I have lost track of him, but am convinced and hopeful that he will get in touch with me, as I have initiated a search all over Portugal to get hold of him.

It was in King’s Rd that I was invited for lunch with Laura and her husband José Maria. We went to one of many small posh restaurants along the street. We got into talking about the situation in Portugal and I clearly remember criticizing the regime and the relatively new Prime Minister Marcelo Caetano. I noticed that José Maria tried to say that things were developing and a process of democratization had been launched. -Yeah, sure…Was my comment! When we left the restaurant Mário had the courtesy to inform me that José Maria was the son of Portugal’s dictator Marcelo Caetano.

Masters of logistics

concorde

As time went by the West End started to take over from the City. I cannot recall how we started to frequent the Concord Club at Oxford Street/Regent Street??? It’s dead and buried and there’s nothing to be found about it, on Google. Has it existed? I am now giving it new life, anyway.

This was a disco for a younger public. No big spenders, but a good place to listen to music, dance and take a cool drink! The disc jockey was the Portuguese Toni (Carolo), a Setubal born good looking boy, that was popular with the girls. His friend was another Setubal native Gilberto Matos and we eventually shared digs in West Cromwell Rd. It was this Portuguese connection that brought us to the Concord blessed, as it were, by the owner Mr Nat, who for some reason liked us and wanted us there.

My strongest memories from the Concord were together with Mário Soveral. We would go there quite often and worked on our female conquests to the sound of “Blame it on the Pony Express” by Johnny Johnson and the Bandwagon and many Tamla Motown labeled music. It was my introduction to Black American music and I stayed with it.

When we started to increase our network of friends we had to meet and keep the contacts going. For this there was obviously the conventional telephone. (I cannot recall ever having one of those).How did we meet and keep in touch with each other? I do not know but we were certainly masters of logistics deciding to meet up at tube stations and the like, between certain hours, at certain days. Communication was not what it is today!

As feiras populares

Feira_Popular_de_Lisboa

 Uma das delicias da minha meninice era a Feira Popular…ou melhor, as feiras populares. Estou-me a lembrar de diferentes locais onde a Feira esteve antes de se mudar para Entrecampos. Esteve nos jardins da Gulbenkian, à volta do velho estádio Alvalade, no Jardim da Estrela e foi nossa vizinha em Campolide no Campo da Aliança que ficava atrás da Artilharia 1.

 Todos os anos faziamos questão de ir e geralmente com grande orgulho trazíamos umas garrafas de vinho que ganhávamos, a lançar argolas de madeira. Era o ponto alto quando tal acontecia, pois já não ìamos para casa com as mãos a abanar! O meu irmão Pedro Pinheiro era perito em fazer render os tostões na feira. Havia certas coisas que não gostávamos de perder.Eram os carros de choque onde a minha mãe uma vez entalou o pé, o comboio fantasma ( arrepiante) e o Poço da morte! Depois eram os comes e bebes e a obrigatória bica dos adultos no Café dos Pretos. Nesse café eram mesmo africanos que trabalhavam e em Lisboa nessa altura ainda se achava exótico ser servido por africanas ou não fosse Portugal um grande Império Ultramarino! Mas adiante!

 Quem não gostava de ir? Era uma atividade em familia excepto quando se instalou literalmente debaixo da nossa janela na Rua A às Amoreiras. Como éramos vizinhos entrávamos sem pagar e um senhor com um apraelho que colocava na garganta para se fazer ouvir dava as ordens ou cortava bilhetes.Posso dizer com certeza que lá estive no ano de 1960 pois apareceu lá um jovem Eusébio acabadinho de chegar de Moçambique e que ganhou umas bolas numas rifas, que ficaram para a miudagem do bairro!

A desmercearização da Praceta.

supermercado

Muitos Pracetistas de geracões mais modernas não terão conhecido a grande revolução que se desenvolveu na Praceta. A verdade é que para quem não tenha vivido o momento, é extremamente dificil imaginar o que significou a decisão do Sr. Virgilio Cardoso em transformar a sua mercearia num Supermercado.

 Não faço a minima ideia porque se viu a Praceta como um bom sitio para entrar na idade moderna mas foi aí que se desenrolou a queda da barreira moral que representava a nova realidade consumidora.

 Antes no tempo da mercearia os fregueses entravam e dirigiam-se ao balcão cumprimentando o Sr. Virgilio e falavam com outras pessoas que terão chegado antes ou com as que iam chegando depois. Chegada a sua vez o cliente pedia o que necessitava e os produtos eram entregues à medida que se progredia.

Agora eram as regras do Supermercado que majésticamente imperavam. O cliente levava um cestinho e sem ter pago nada pegava no que não era seu e só à saida dava conta do que queria levar pagando o devido custo.

 Onde terá o Sr. Virgilio  ganhado conhecimentos e coragem para introduzir o sistema de Suprmercado? Não sei mas talvez algum dia venhamos a saber. O que foi realidade para mim e para muitos outros foi a estranheza um pouco dramática como se desmercearizou a Praceta! Chocolates e outras coisas de interesse estavam agora à mercê de jovens gulosos mas para controlar isso estariam os olhos atentos do dono. Que eu saiba nunca houve roubos no Sr. Virgilio mas muitos andariam tentados nesses primeiros tempos!

PS: Infelizmente não tenho nenhuma foto do Super e não me lembro do nome!

The Portuguese connection

Portugal

What would you say, occupies the minds of most boys and young men? Exactly, it didn’t take you long to work that one out! Girls!!!! During my first years in London I had a normal hunting spell and did one or another conquest. I probably could say that I was in love almost at all times. I do not recall when that state of mind started, only that the objects of my attention varied on who I was in love with. Is this normal? I really couldn’t tell but we will come back to that theme…Be so sure!

 After leaving Mrs. Meltzer I had to look for new digs. I remember I answered a few ads around the Hammersmith area but without great success. Eventually I found out about Mr. and Mrs. Whyte, a Scottish couple in Kitson Rd. Barnes. They rented a room with access to a kitchen pantry and there was a gas heater that worked if you put in some coins. The arrangement worked for me and there was a launderette nearby, which also was useful.

 In the course of 1970 new things started to happen and it meant the beginning of the Portuguese connection. I cannot right now recall what came first and how one encounter led to the next but at least following people need to be mentioned. Mário Soveral, Gilberto Matos and Rodolfo Fonseca. Later Joaquim Semião and  Mané Fernandes. I am quite sure that these were an important part for the development of the connection and the events that followed in coming years. I am now trying to trace down some of these London friends and hopefully they’ll turn up to help make this story more complete.